Começou no último sábado (14), em Nova Iorque, o evento NRF Retail’s Big Show – um oásis para varejistas do mundo inteiro que viajam à Grande Maçã em busca de novas maravilhas tecnológicas para incrementar a produtividade dos negócios.

Neste ano, que deu início ao período “pós-pandemia”, os expositores participantes responderam à mudança de realidade provocada pelas dificuldades enfrentadas globalmente pelos lojistas nos últimos dois anos. Como um reflexo do momento de reinvenção do varejo nos Estados Unidos, destacam-se os estandes que exibem soluções baseadas em automatização e Inteligência Artificial, voltadas para a melhoria da experiência do consumidor, como tendências de mercado para os próximos anos.

Atentas às novas tecnologias, empresas brasileiras, como a Cake ERP, buscam entender como as tendências podem ajudar a melhorar o panorama do varejo no Brasil – onde a cultura varejista ainda impõe dificuldades para a implementação de novas ferramentas. “Buscamos entender um pouco mais sobre as dores e as preocupações do varejo e enxergar se estamos no caminho certo para resolvê-las. O grande desafio é ajudar o varejo a ser mais produtivo e rentável. Para fazer isso é preciso entender quais são as tendências e inovações para melhorar os negócios“, afirma Grasiela Tesser, CEO do Cake ERP, em conversa com o Clube Mundo do Marketing.

Inovações para todos os gostos

Em uma missão de curadoria técnica, nesta edição do NRF, a Cake ERP visitará mais de 800 pontos voltados para a exposição de produtos de tecnologia aplicável ao varejo. Um destes locais é o Innovation Lab, área dedicada à inovação de propriedade da NRF. Por si só, as tecnologias expostas nesta área não são novidades inéditas – por isso, o que chama a atenção é a aceleração da sensação de possibilidade. Um dos produtos expostos no laboratório, o carro autônomo de entregas é um exemplo de solução que, se aproximando da realidade, bate à porta dos varejistas.

Chamam atenção, também, os estandes que empregam hologramas para chamar a atenção dos consumidores que transitam pelo local em prol de um feito cada vez mais necessário para a consumação das vendas. “É uma projeção em uma tela com profundidade, que dá a sensação de que estamos falando com alguém real. Vários estandes trouxeram isso como uma forma de engajar. Existem muitas soluções voltadas para o engajamento. Vemos muita sinalização digital, telas para todos os lados e muita interação para engajar o consumidor, pois esse é o grande desafio, engajar e fazer o consumidor comprar”, pontua Grasiela.

Sem grandes pirotecnias, as inovações são aplicáveis a uma gama diversa de segmentos e, cada vez mais, elevam a análise de dados ao status de bússola. “Focamos bastante em soluções que trabalham com análise de dados porque o Analytics é a grande onda, e podemos ver a aplicação: o resultado trazido para o negócio. Vimos, também, soluções com inteligência artificial aplicada. Sabemos que dá resultado, mas não conseguíamos aplicar efetivamente. O que vimos agora é que isso se aplica a todos os segmentos – retaguarda, PDV, CRM. São muitas soluções tentando fazer a jornada do cliente ser mais inteligente usando Inteligência Artificial”, acrescenta a CEO.

Reflexos das dificuldades pela pandemia, as inovações buscam incrementar a performance em prol da recuperação saudável dos negócios impactados não só pelo período de restrições, mas também pelo momento econômico instável em solo americano. “No fim do dia, é tudo sobre produtividade – como gerar resultados para um negócio porque, por aqui, eles estão apavorados em busca destes resultados”, conclui.

Evolução das soluções e o panorama brasileiro

Comparando as soluções apresentadas durante a NRF em 2022 com o evento deste ano, nota-se a rápida aceitação dos itens exibidos outrora. “No ano passado, nós vimos uma solução que era uma balança, para supermercados, que conseguia identificar com um sensor o produto que estava sendo pesado. Neste ano, todo mundo já tem isso: todas as balanças são capazes de fazer a leitura e descobrir por conta própria se o que está na sacola é uma banana, uma maçã ou um pimentão”, conta Grasiela.

Mais do que bem aceitas, as inovações apresentam potencial – e também necessidades – para evoluções capazes de oferecer mais segurança para as transações entre varejistas e consumidores. “Agora, todo mundo quer uma solução para prevenir perdas e fraudes. Não basta só a balança conseguir pesar – a tecnologia já está olhando para toda a parte de imagem e selfscan para garantir que, se um cliente colocou dois ítens no meu carrinho, e por algum motivo escondeu um item, o sistema será capaz de identificar”, comenta.

A boa notícia é que as inovações apresentadas em Nova Iorque não devem demorar para chegar ao Brasil – ou, pelo menos, não deveriam. Para a Cake ERP, a adoção de inovações depende, entre outras coisas, da mentalidade do varejista. “No Brasil, em uma cidade com 600 mil habitantes, tivemos o primeiro supermercado com tecnologia de self checkout há três meses. Por outro lado, em uma outra cidade de um estado vizinho, de 60 mil habitantes, o self checkout já está disponível em alguns mercados há três anos”, exemplifica a CEO.

Embora o custo de adaptação de soluções mais sofisticadas possa significar uma barreira para os pequenos varejistas – que podem ser beneficiados por soluções igualmente eficientes, oferecidas por startups – o varejo médio brasileiro tem condições para implementar algumas dessas tecnologias para facilitar a vida do consumidor. “Já existe a possibilidade de adoção das tecnologias que vemos na NRF, porque existem soluções para todos os gostos e bolsos. A questão passa por perder o medo quanto à adoção da tecnologia. Mesmo assim, das tecnologias e soluções que estamos vendo por aqui, acredito que todas chegarão ao Brasil”, finaliza a CEO.

Durante a conversa com o Clube Mundo do Marketing, Grasiela Tesser abordou cenários para a aplicação de tecnologias para o PDV. Confira os insights trazidos pela CEO.

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*Com supervisão de Bruno Mello e Priscilla Oliveira