Na última quinta-feira (20), o Twitter começou a remover o selo de verificação dos usuários que não pagaram pela assinatura do Twitter Blue para manter a distinção. A mudança, que desde a origem enfrenta a resistência dos usuários verificados sob as antigas diretrizes da plataforma, possibilita que qualquer pessoa possa obter o selo, desde que pague mensalmente uma bagatela que varia entre R$ 42,00 e R$ 60,00 mensais.

Após o anúncio, figuras notáveis no Twitter, como o escritor Stephen King, o jogador de basquete LeBron James e o influencer Felipe Neto, declararam publicamente que não pagariam a tarifa cobrada para manter a verificação, que também foi removida do perfil de jornalistas proeminentes – grupo em constante atrito com Elon Musk.

Logo após a aplicação da mudança, o boicote à nova política de verificação do Twitter pôde ser percebido em números. Acessando os dados da plataforma por meio de uma API paga, o desenvolvedor de software Travis Brown constatou que apenas 28 usuários anteriormente verificados assinaram o Twitter Blue no dia da remoção. 24 horas após a introdução da mudança, o número não passava de 500.

Em meio ao fracasso, uma surpresa: horas após a remoção, algumas das contas proeminentes na plataforma recuperaram o selo de verificação. Donos de perfis novamente verificados, como Felipe Neto, vieram a público declarar que não pagaram pela assinatura do Blue e denunciaram que o gesto configura uma ação unilateral que parte do Twitter. Com a devolução do selo, a plataforma sugere que o proprietário da conta é um assinante ativo, incentivando outros usuários a assiná-la.

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Neste contexto, a situação adquire uma faceta bizarra: a redistribuição da distinção se estendeu também para perfis inativos de personalidades mortas. Nos últimos dias, estrelas finadas como Michael Jackson, Kobe Bryant, Marília Mendonça, Chadwick Boseman e Paul Walker recuperaram a verificação, o que sugere não apenas o pagamento da assinatura, mas também a verificação do número de telefone dessas pessoas.

O que pagar pelo selo envolve?

Muitas marcas também estão envolvidas nessa polêmica e não fizeram questão de correr atrás do selo. A Volkswagen e a Peugeot do Brasil ficaram sem selo, assim como a Riachuelo, Granado, Garoto e até o Perfil Oficial do Comitê Olímpico do Brasil, o Time Brasil. Outras marcas como as do Grupo O Boticário, Fiat e Chevrolet ganharam o selo dourado, que confere a elas o status de “uma organização oficial no Twitter”.

A aquisição do selo não é exclusiva do Twitter. O diretor-executivo da Meta, Mark Zuckerberg, anunciou no mês passado a criação do “Meta Verified”, um pacote de assinaturas no Instagram e Facebook que inclui o selo de verificado que autentica sua conta.

Os testes se iniciaram na Austrália e Nova Zelândia. Houve uma grande repercussão entre influenciadores, celebridades e outras contas com a notícia que gerou enormes opiniões controversas. Mas, para quem se animou com a novidade, a especialista em Marketing e Negócios Interativos Camila Silveira diz que haverá diferença entre a verificação conseguida organicamente e a através de mensalidade.

“Lançados primeiramente pelo Twitter, os selos de verificação “comprados” apresentam diferenças importantes. Quem acha que vai comprar aquele selo azulzinho que só os mais famosos têm, está enganado. De acordo com a atual forma de verificação do Twitter, os selos cinza, dourado/amarelo e azul são destinados a grupos distintos. A pergunta é: Será que o Meta vai seguir exatamente o mesmo caminho?”, questiona.

Para entender melhor, Camila pontuou o funcionamento de cada um:

Selo Dourado:

“A marca dourada/amarela é destinada a contas comerciais e empresas. Porém, ao contrário do sistema anterior, ele não será destinado a indivíduos, como celebridades ou jornalistas”.

Selo cinza

“A marca cinza é apenas para perfis de governos e políticos. Segundo a rede social, a ideia dos novos selos é facilitar a identificação das contas verdadeiras. Os dois selos não são pagos e o sistema de verificação seguirá os mesmos critérios atuais”.

O tão sonhado selo azul

“Como já conhecido, o selo azul é adquirido por usuários que comprovam ser pessoas públicas. Já o novo selo de verificação (também azul) é apenas para os usuários que assinam o Twitter Blue. O valor da assinatura mensal é de U$8,00 para a web ou U$11,00, caso seja feita em um iPhone ou iPad”.

Camila Silveira esclarece que o selo azul, aquele que é dado por relevância, continua tendo o mesmo sistema de “conquista por reconhecimento”, a partir de publicações e permanência na imprensa.

“As pessoas estão achando que vão conseguir comprar aquele tão desejado selo de verificação que é dado a perfis relevantes, quando, na verdade, eles irão pagar por mais um sistema de segurança onde todos saberão do selo- que se trata de uma assinatura e não de uma personalidade notável. Ainda existem muitas inseguranças no grupo Meta, não criar uma ‘nova cor’ de selo e deixar subentendido de se tratar ou não de uma pessoa pública.

Na verdade, todos querem construir uma carreira, se posicionar no mercado e se tornar um profissional que tem credibilidade como autoridade naquela profissão. Assim, é muito mais interessante adquirir o selo de verificação azul da forma que já estamos acostumados, pois quando se tem um produto/serviço de desejo, geramos um ego e competição natural por tal aquisição, logo, transformar isso em algo ‘comprável’ de forma camuflada e injusta irá desapontar os que se esforçaram para se diferenciar no mercado”, finaliza.

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