Com a chegada do novo ano, as pessoas colocam em prática sonhos e aspirações e a vontade de empreender em um negócio próprio entra nos planos de muita gente. Depois de um período marcado por instabilidade econômica e pandemia, o varejo físico está voltando a ganhar força: o Índice de Performance do Varejo (IPV), feito pelo venture capital HiPartners Capital & Work e a Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC), mostra que, em outubro, o número de consumidores em lojas físicas cresceu 12% com relação a setembro.

O mesmo estudo aponta que nas lojas de rua, por exemplo, a presença dos clientes aumentou 10% no comparativo anual frente ao mesmo período de 2022. Isso indica que há fôlego para o comércio físico em 2024, o que pode se traduzir em oportunidades de novos negócios no setor. Mas qual diferencial competitivo o empreendedor pode buscar além do tradicional para atrair e reter seus clientes?

Uma das possibilidades está em conquistar os consumidores através das sensações e emoções. A estratégia de “music branding”, que configura a identidade sonora de uma marca, vai além de transmitir personalidade, estilo, valores e perfil de mercado que uma empresa busca atingir. É também uma forma de conexão com o seu público-alvo e fazer com que seu cliente identifique e conecte sua marca com boas experiências — tornando-se um diferencial competitivo.

Maichel Gerstberger, gerente de vendas da Frahm — empresa nacional em sonorização de ambientes – diz que o primeiro passo para usar a música como chamariz no ambiente comercial é criando um projeto que considere as especificações da loja. Assim, será possível identificar quais equipamentos serão necessários para criar a melhor experiência sonora no local. Geralmente é possível conversar com profissionais do segmento para uma avaliação das necessidades do seu espaço antes de fazer a busca e a compra pelos equipamentos. Há também a possibilidade de realizar simulações gratuitas online.

“Existem três componentes básicos que podem ser aplicados aos dispositivos de áudio para a transmissão do som: as caixas acústicas, caixas subgraves (usadas para sons de baixa frequência) e os amplificadores. A quantidade dos itens vai depender do tamanho e características “físicas” da loja. No geral, um sistema completo exige investimento entre R$ 1 mil (básico) até um mix de produtos que podem ultrapassar os R$ 40 mil (esses em grandes varejistas, com dezenas/centenas de caixas acústicas e mais de 3 amplificadores)”, estima.

Seleção musical

Superada a etapa de escolha, compra e instalação dos equipamentos que irão dar vida e emoção ao seu negócio, é importante pensar qual estilo de música e comunicação você pretende transmitir para vender mais. “É preciso alinhar a energia que sua marca transmite à playlist de música. A convergência entre a sua comunicação visual e verbal e sonora deve ser pilar básico para a escolha da playlist da loja”, afirma Maichel.

Conforme a Listen-X, especializada em trilhas sonoras para negócios, música e som interativo podem tornar a visita a uma loja muito mais interessante. “Quer se trate de jazz suave flutuando no ar, sons do oceano criando um ambiente vibrante ou mensagens diretas que apenas uma pessoa pode ouvir, há uma enorme variedade de possibilidades de marketing de áudio para os proprietários de empresas melhorarem seu jogo. Experiências de áudio bem direcionadas têm um impacto surpreendente nas vendas no varejo. O áudio costuma ser esquecido no planejamento do varejo, mas não precisa ser assim”, indica a empresa.

Estudos da HeartBeats International estimam que quando um varejista reproduz a música certa em seu estabelecimento, cerca de 35% dos clientes deverão permanecer mais tempo dentro da loja. Por consequência, 14% deles vão comprar mais. Além disso, cerca de 31% vão retornar para futuras compras.

Conforme Maichel Gerstberger, a explicação está no fato de que a música certa vai tornar o ambiente de compras mais convidativo ao cliente, fazendo com que haja aumento no ticket médio de compra e maior taxa de fidelização dos consumidores. Em caso de erro nessa seleção, estimativas do mercado apontam que 44% dos clientes sairão da loja sem levar nada e 38% deles não irão mais retornar ao estabelecimento.

O especialista lista três itens de atenção para fazer a estratégia de music branding funcionar:

Alie a música ao perfil do seu público mais fiel

Para escolher a música certa para a sua loja, saiba quem é o seu cliente, seu comportamento de compra, o que ele gosta e o que o desagrada, quais fatores ele leva em consideração na hora de realizar uma compra, etc. Para criar a playlist da sua loja, busque identificar qual estilo de música ele consome. Uma dica é entrevistar seus principais clientes para desenhar a persona ideal para seu negócio e formatação da sua identidade visual.

Use a identidade da marca como parâmetro

Para escolher a música certa para o seu negócio também é indicado cruzar as informações obtidas da sua persona com a identidade da sua marca e a mensagem que você quer passar. Sua identidade sonora deve transmitir a mesma mensagem que você quer passar visualmente e através dos seus valores e perfil de negócio.

Controle a energia das músicas que compõem a playlist

O nível de energia que a música que está tocando irá transmitir é essencial para a qualidade do music branding. Assim como uma música mais lenta e calma pode provocar uma sensação de melancolia ao consumidor, músicas muito agitadas também tendem a acelerar a experiência de compra. Equilibre a playlist de acordo com seus objetivos. As músicas mais energéticas podem ser usadas, por exemplo, nos momentos de maior fluxo de pessoas na loja — servindo para acelerar o ritmo de compra dos consumidores. Já as músicas mais tranquilas podem servir para aumentar o tempo de permanência em momentos de menor movimento.

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Jaime Troiano - Clube Mundo do Marketing