Brasil é o país com menor grau de escolaridade entre os empreendedores da América Latina Bruno Mello 24 de novembro de 2023

Brasil é o país com menor grau de escolaridade entre os empreendedores da América Latina

         

Enquanto no Chile, Argentina, México e Uruguai as pessoas que empreendem possuem grau universitário, no Brasil a maior parte possui apenas o Ensino Médio

Brasil é o país com menor grau de escolaridade entre os empreendedores da América Latina
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O nível de escolaridade dos empreendedores brasileiros é o mais baixo, com a maioria possuindo somente o Ensino Médio Completo, enquanto no Chile, Argentina, México e Uruguai o nível de instrução é universitário. A Colômbia é o país que possui o maior grau de escolaridade, com grande parte dos empreendedores com graduação e pós-graduação completos, segundo dados da pesquisa realizada pela Consultoria Palco e encomendada pela Academia de Tiktokers sobre o perfil de uso das redes sociais (Facebook, Youtube, Instagram e TikTok) na América Latina.

O estudo também identificou que Brasil, Chile e Argentina também abrem mais negócios na área do varejo. Já Peru, México e Colômbia possuem maior atuação na área de turismo. Por fim, o Uruguai se destaca na área de tecnologia, que por sua vez compartilha destaque com a Colômbia que também possui grande número de negócios na área. Esses perfis de negócios foram registrados a partir do número de empreendedores do país, e o percentual que ela ocupa em relação ao total da população.

Assim a Argentina possui 2.847.020 pessoas que empreendem o que representa 20,5% da população, Brasil com 23.532.356 (29,8%) e México com 17.981.400 (30,9%) são os três países com uma porcentagem menor e que ficam por último no ranking. Em seguida vem o Chile com 5.548.800 (44,4%) e os dois primeiros países com maior porcentagem empreendedora, que são, Uruguai com 1.011.500 (56,5%) e Colômbia com 15.441.300 (56,7%).

Foram analisados também o uso das redes sociais em cada país, assim, Brasil, Colômbia e Peru são os países em que a população passa mais tempo utilizando as redes sociais, seguido do México, Argentina, Uruguai e Chile. No Instagram o México apresenta uma população conectada entre três e quatro horas por dia e 50 minutos no TikTok.

Analfabetismo digital

Os dados presentes no estudo também analisaram os níveis de analfabetismo digital na América Latina. O Brasil lidera esse ranking com 46% da população que acessa as redes sociais, seguida da Argentina e Colômbia (40%), México (34%), Peru (32,10%). Chile (19%) e Uruguai (12%) apresentam os menores índices de analfabetismo digital e os maiores percentual da população usuária de redes.

Clarissa Millford, Cofundadora da Academia de TikTokers comentou sobre a importância das marcas e instituições para mudar esse cenário.

Mundo do Marketing – Como as marcas ou as plataformas sociais podem contribuir para diminuir esse analfabetismo digital?

Clarissa Millford: Acho que o primeiro passo é investir em educação de qualidade, que desenvolva as habilidades de leitura, escrita, interpretação e raciocínio lógico. Além disso, é necessário ampliar o acesso à internet e aos dispositivos digitais, especialmente nas áreas rurais e nas periferias urbanas. 

As marcas e as plataformas sociais podem contribuir para essa causa de diversas formas, como apoiar projetos sociais que promovam a inclusão digital e a alfabetização de jovens e adultos. Além de criar conteúdos acessíveis, claros e atraentes, que estimulem o aprendizado e a participação dos usuários nas redes sociais, isso é uma preocupação que temos na Academia, de criar conteúdos simples e de fácil entendimento, de modo que o aluno independente do grau de escolaridade consiga entender.

Muitas marcas e plataformas sociais têm recursos para fornecer acesso à internet em áreas carentes. Isso pode incluir parcerias com provedores de serviços de internet ou a criação de redes Wi-Fi públicas em locais estratégicos. As marcas e plataformas sociais podem se concentrar em inclusão digital para idosos. Isso envolve ensinar os mais velhos a usar smartphones, aplicativos e redes sociais.

Também devem garantir que seus sites e aplicativos sejam acessíveis a todos. Isso inclui recursos como legendas em vídeos, descrições de imagens para deficientes visuais e layouts responsivos para diferentes dispositivos. 

 

Mundo do Marketing – Acredita que as instituições de ensino ou governo devam fomentar algum conteúdo/currículo voltado aos empreendedores em específico nessa área digital? Seria um caminho?

Clarissa Millford: Sim, com certeza, pois as noções básicas de empreendedorismo ou mesmo as noções básicas de finanças são importantes até mesmo para quem não pretende seguir carreira ou ter seu próprio negócio, mas ajudam os jovens a entenderem melhor a dinâmica dos negócios e desta forma chegarem mais preparados para o mercado de trabalho. 

A inclusão deste tipo de conteúdo nas grades curriculares das escolas ajudam a formar cidadãos críticos, autônomos e transformadores. Além dos conteúdos tradicionais, incluir temas relacionados ao mercado corporativo e resolução de problemas com a inclusão de atividades que estimulem os alunos a pensar em modelos de negócios, planos de marketing e estratégias de vendas.

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