Quinta revolução industrial está chegando, segundo especialistas na Futurecom 2022 Bruno Mello 21 de outubro de 2022

Quinta revolução industrial está chegando, segundo especialistas na Futurecom 2022

         

Inovações promovidas pelas novas gerações de telefonia móvel, a 5G e a 6G, a partir de 2030

O ano de 2030 está previsto para ser a data em que o mundo presenciará a consolidação da quinta revolução industrial, que será estimulada por todas as possibilidades das aplicações a serem desenvolvidas em torno das redes móveis 5G e 6G. A afirmação foi dada na 22ª edição do Futurecom por Paulo Rufino, pesquisador e keynote speaker do evento.

Rufino é PhD Researcher em 6G na universidade de Aarhus, na Dinamarca. Em sua visão, a rede 6G apresentará atributos como hiperconectividade (IoB), sendo inteligente, onipresente e focada em energia verde e eficiência. Para o especialista, a tecnologia será humanizada, ultra rápida, descentralizada e segura, inteligente e cognitiva, com novas tecnologias, heterogênea e de orquestração múltipla. “O 6G parte de um princípio diferente das tecnologias anteriores, buscando considerar aspectos humanos prioritariamente. Essa tecnologia se inicia com base em proporcionar ajuda e auxílio para acelerar os desenvolvimentos sustentáveis designados pela ONU”, observa Rufino.

Entre os expositores, a percepção é também de sucesso nessa retomada presencial do Futurecom. Para Marcello Miguel, diretor-executivo de Marketing e Negócios da Embratel, “Futurecom 2022 representou uma importante oportunidade para mostrarmos o posicionamento da Embratel como uma habilitadora da infraestrutura digital que levará o 5G para as empresas e governos”. “Os diversos casos de uso utilizando 5G que demonstramos durante o evento já indicam na prática exemplos de como a tecnologia apoia a inovação e potencializa novos modelos de negócios em áreas como saúde, indústria, cidades inteligentes e educação, em um importante processo de evolução tecnológica, econômica e social para o Brasil.”

A sueca Ericsson teve participação efetiva nesta edição em vários painéis, quando apresentou inovações baseadas em 5G. Rodrigo Dienstmann, CEO da Ericsson para o Cone Sul da América Latina, foi destaque no painel “O 5G chegou, e agora? Como vamos suprir as expectativas do público e das empresas”, que reuniu altos executivos de fornecedores, parceiros e operadoras de telecom na Plenária Principal. Segundo Rodrigo, fabricantes e operadoras estão investindo centenas de milhões de reais desde o 4G, mas monetizam pouco. “A implementação do 4G foi um ‘desmatamento’ para o setor de telecomunicações. Está em nossas mãos mudar isso. Agora, temos que jogar as sementes e o adubo certos para que as operadoras monetizem toda a cadeia de valor do 5G.”

Crimes cibernéticos

Crimes cibernéticos e vazamento de dados sensíveis foram temas tratados na trilha Future Jud, comandada por Solano de Camargo, presidente da Comissão de Privacidade e Proteção de Dados da OAB/SP. Sua abordagem cita as medidas jurídicas de proteção contra-ataques hackers, principalmente sobre a legislação brasileira, que tem até alternativas que antecedem a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Entre elas, a Lei Carolina Dieckmann, homologada após o caso de vazamento de arquivos íntimos da atriz.

“Os casos de má-fé são em menor número do que os casos de ataques. Temos notícia de órgãos públicos sendo atacados por hackers já há muito tempo. Os mega vazamentos que o Brasil sofreu foram fruto de hackers”, observou o advogado. Camargo também explicou as diferenças entre os tipos de hackers, como crackers, white hat, black hat, gray hat, script kiddies e spy hacker, entre outros. De acordo com ele, o Brasil levou tempo para conseguir se adequar de forma jurídica em temas relacionados a crimes digitais.

Segundo Camargo “a pandemia digitalizou o mundo todo, fez com que todos ficássemos cada vez mais dependentes da internet e, por isso, tivemos uma pandemia de ataques cibernéticos tão intensa quanto a pandemia da Covid”. Ainda de acordo com o especialista, conforme estabelecido pela LGPD, caso os dados sejam vazados por conta de uma falha de uma empresa ou órgão, as pessoas podem procurar seus direitos até mesmo junto ao Procon.

Para o presidente da comissão da OAB/SP, a conta em ataques hackers no Brasil ainda é majoritariamente paga pelo setor privado, que fica à mercê de se adequar às regulamentações e proteger seus sistemas. “Quem paga essa conta mesmo são as empresas e principalmente as startups, que aliás vão pagar uma conta ainda maior quando entrar o marco civil da Inteligência Artificial.”

Ransomware: vale a pena negociar com hackers?

Um dos crimes virtuais mais comuns da atualidade são os ransomwares, ou sequestro de dados e contas em redes sociais que são supostamente liberados após o pagamento de um resgate. Apesar de constatar que a vítima deve seguir todos os procedimentos legais, Camargo crê que, em alguns casos, negociar acaba sendo a opção mais em conta, já que muitas vezes um contra-ataque poderá gerar ainda mais despesas, além de não garantir o retorno das informações sequestradas.

“Será que é ético eu chegar ao meu cliente e falar, ao mesmo tempo, levar ao conhecimento das autoridades e negociar com os hackers? Eu como advogado, presidente da comissão da OAB, em alguns casos eu posso aconselhar a negociar, mesmo sabendo que existe 10% de chance de o hacker não devolver”, pondera.

Ao final sua palestra, Camargo comentou que, em sua visão, os órgãos públicos ainda não estão preparados para lidar com as regulamentações existentes, mas que o cenário pode mudar com novas medidas que estão atualmente em discussão, como a PL da Inteligência Artificial e a LGPD Penal. “Não é que eu não acredite no órgão público, mas é que estou sendo realista, de que muitas vezes tais regulamentações não são cumpridas.”

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