Quero ser um CMO: especialista aponta competências buscadas em quem trabalha com Marketing Bruno Mello 30 de janeiro de 2024

Quero ser um CMO: especialista aponta competências buscadas em quem trabalha com Marketing

         

Jacqueline Resch traz dicas e análises sobre as necessidades e mudanças no cargo mais alto de Marketing

Quero ser um CMO: especialista aponta competências buscadas em quem trabalha com Marketing
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Quanto tempo dura um CMO no cargo? Dois anos? Seis meses? O tempo de um projeto? A rotatividade no cargo pode ser avaliada de diversas maneiras, mas sem dúvidas é uma liderança movida a resultados ainda mais imediatos. Afinal, o Marketing é uma das áreas mais cobradas quando o assunto é retorno, já que muitas se apoiam na área como responsável pelas vendas. A verdade é que todos os C-Levels estão na mesma esteira de avaliação.

São cargos programados para crescerem – seja de maneira horizontal ou vertical – e isso faz com que muitas pessoas busquem ficar de olho nas oportunidades de crescimento em uma empresa. O que acontece, no entanto, é que muitas empresas optam por contratar CMOs de outras empresas ao invés de criar oportunidades de carreira. Uma pesquisa da Page Outsourcing apontou que 48,1% dos profissionais dizem que as empresas não possuem informações claras sobre plano de carreira. E, para os brasileiros, tempo na empresa e mérito são os motivos mais justos para promoção.

Para Jacqueline Resch, Sócia-fundadora da Resch RH, o mercado atual não oferece mais a segurança vitalícia em uma empresa, mas se o profissional se atualizar e oferecer o que a empresa deseja naquele momento, as chances de crescer serão maiores. “Hoje pensamos em carreira de forma horizontal, com base em projetos e modelos multidisciplinares. A carreira hoje é um modelo mais de espiral, ela aprende sobre várias áreas, competências e isso vai abrindo portas de crescimento. Não é mais sobre saber bem sobre a sua área”, contou.

Jacqueline Resch, Sócia-fundadora da Resch RH

Confira a entrevista completa.

Mundo do Marketing – Para muitos profissionais de Marketing, ser um CMO está longe de acontecer. Isso porque muitos ainda sentem dificuldade de subir uma função que seja. Porque hoje em dia está mais difícil nessa área alcançar cargos mais altos?

Jacqueline Resch: Não penso que isso seja específico da área de Marketing. As estruturas organizacionais hoje são bem mais enxutas, com menos níveis hierárquicos e aquela carreira caracterizada por estabilidade (emprego vitalício), ascensão linear vertical (progressão por tempo de serviço) e longevidade (carreira em uma única empresa) não existe mais. Portanto, as posições de CMO (topo da estrutura no modelo piramidal) são poucas, se levarmos em conta o número de profissionais que desejam ocupar este cargo.

O conceito contemporâneo de carreira tem mais a ver com horizontalidade e mais movimento em contraposição a linearidade, ou seja, crescer através da ampliação do espaço ocupacional, se envolvendo em projetos de maior complexidade.

Fora isso, qualquer posição C Level, vai envolver uma atuação para muito além da expertise técnica. O profissional precisa desenvolver outras habilidades. E nem todos tem esse perfil ou se preparam para a posição.

Mundo do Marketing – Que competências as empresas buscam e esperam de quem trabalha com Marketing?

Jacqueline Resch: Hoje pensamos em carreira de forma horizontal, com base em projetos e modelos multidisciplinares. A carreira hoje é um modelo mais de espiral, ela aprende sobre várias áreas, competências e isso vai abrindo portas de crescimento. Não é mais sobre saber bem sobre a sua área. Mas vou listar algumas competências que fazem diferença hoje:

– Conhecimento profundo do cliente e do mercado, acompanhando suas tendências;

– Life long Learning – Aprendizagem e reciclagem constante, atenção às tendências, coleta de informações, tanto internamente, quanto fora da organização, por meio de redes formais e informais;

– Adaptabilidade (agilidade) – mudar de rumo de acordo com o cenário (produtos e serviços);

– Navegar no paradoxo – fora e dentro; presente e futuro; curto prazo e longo prazo;

– Visão e Atuação Sistêmica – não pensar só no Marketing. O Marketing existe para apoiar os objetivos gerais do negócio e atuação do CMO deve se dar em sinergia com outras áreas;

– Comunicação – se comunica com vários grupos, dentro e fora, horizontal e verticalmente, espalhados em vários lugares;

– Pensar nos impactos das decisões em um nível mais amplo – impactos na sociedade.

Mundo do Marketing – Há uma questão no Marketing de etarismo. É uma área onde os mais velhos chegam em um limite e são substituídos pelos mais novos, ainda que busquem se atualizar. Por que isso acontece?

Jacqueline Resch: Mais uma vez, na minha experiência, não posso dizer que isto é exclusivo do Marketing. No Brasil, ainda há muito preconceito com a questão da idade e algumas culturas organizacionais reforçam esta ideia de que o profissional mais maduro está fora do jogo. Um grande equívoco, mas, uma realidade. As pesquisas já mostram que empresas diversas são as que vem conquistando os melhores resultados e um bom mix de pessoas maduras e mais jovens é o ideal. Mas, não vamos nos enganar: Nossa sociedade ainda está carregada de preconceitos e isso se reflete no mercado de trabalho. O etarismo é uma delas. Mas, neste aspecto gosto de ver o quanto se caminha, ainda que haja muito ainda a fazer.

Mundo do Marketing – Outra questão é sobre os CMOs durarem pouco no cargo. Existe mesmo essa validade no cargo, como se precisassem alcançar algum resultado e depois o trabalho dele fosse concluído?

Jacqueline Resch – Os CMOs estão enfrentando forte pressão para responder às mudanças nas preferências dos clientes e para produzir resultados no curto prazo. O consumidor hoje tem voz, acesso através das mídias digitais onde expressa sua opinião e insatisfação.

O mundo está cada vez mais veloz, imediatista e há a expectativa de resultados rápidos, que nem sempre são possíveis. Acredito que há processos que levam um tempo maior para se consolidarem. Há críticas de profissionais de mercado sobre este imediatismo.

Mas, se olharmos pesquisas realizadas com as empresas da Fortune 500, (ainda que realizadas no exterior), o mandato médio dos CMOs da Fortune 500 é apenas dois meses mais curto do que a média do alto escalão.

Não conheço estas pesquisas com profundidade e não sei se há estudos no Brasil, mas, o que a Spencer Stuart ressalta (empresa que conduziu a pesquisa) é que parte deste pouco tempo no cargo diz respeito a promoção de CMOs para posições mais seniores.

Mundo do Marketing – Como você analisa o modelo de CMO as a Service, que está crescendo no mundo todo e faz com que os profissionais deixem as empresas no modelo mais tradicional e sigam empreendendo e atuando de maneira mais fluída e por necessidade?

Jacqueline Resch: Entendo que ele é mais voltado para empresas médias e start ups, uma forma das empresas terem acesso a um direcionamento de Marketing sênior, sem que seja através do modelo de contratação do profissional 100% interno da estrutura.

Creio que há vantagens, como contar com este direcionamento a um custo palatável, mas, entendo que o desafio é manter a equipe interna, que implementa alinhada com as diretrizes, visto que o CMO está naquele projeto em tempo parcial e não lidera a equipe no dia a dia. Mas, nada que não possa ser contornado.

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