A inovação é um dos principais desafios do mundo atual, tanto no âmbito pessoal quanto profissional. Vivemos em uma sociedade que demanda soluções criativas, originais e eficientes para problemas cada vez mais complexos e dinâmicos. E o objetivo é sempre o mesmo: gerar valor!

Mas como podemos desenvolver a nossa capacidade de inovar? Uma possível resposta é resgatar o nosso imagético de criança, ou seja, a forma como as crianças se relacionam com o mundo através da imaginação, da curiosidade e do faz de conta.

As crianças são naturalmente inovadoras, pois elas não têm medo de experimentar, de errar, de aprender e de se divertir. Elas estão constantemente se perguntando “e se…” e explorando as possibilidades do seu entorno. Elas criam histórias, personagens, objetos e cenários a partir de elementos simples, como um pedaço de papel, uma caixa de sapato ou um galho de árvore. Elas não se limitam pelas convenções, pelas regras ou pelos preconceitos da realidade adulta. Elas são livres para sonhar e para transformar o seu sonho em realidade.

O imagético de criança é uma fonte inesgotável de inovação, pois ele nos permite ver o mundo com outros olhos, com mais encantamento, surpresa e admiração. Ele nos estimula a questionar o que já existe, a buscar o que ainda não existe e a criar o que nunca existiu. Ele nos faz sair da zona de conforto, da rotina e do conformismo. Ele nos inspira a sermos mais ousados, flexíveis e colaborativos.

Porém, ao mesmo tempo, as crianças são ensinadas a deixar a imaginação de lado. Como o Murilo Gun bem apresenta em seu curso sobre Reaprendizagem Criativa, nós empurramos as crianças, durante 20 anos, para seguirem o protocolo: simplesmente memorizar e gabaritar, chegando no mesmo lugar comum que os demais. E é justamente aí que perdemos todo o superpoder da imaginação capaz de fazer de nós criativos e inovadores.

Já ouvi de muita gente frases como “não sou criativo” e “não tenho criatividade”, ou até mesmo “nossa, esse povo de humanas são supercriativos. Já eu, que sou de exatas, impossível”. Mas essa não é uma verdade absoluta e sim só mais uma suposição. Afinal, mesmo um analista de BI (Business Analytics) que passasse 24 horas por dia na frente de uma planilha do Excel ainda usaria sua criatividade para analisar os dados da melhor forma possível, ou para encontrar novas possibilidades com base nos dados apresentados.

Abraham Maslow nos diz que “o homem criativo não é um homem comum ao qual se acrescentou algo; criativo é o homem comum do qual nada se tirou”. Sim, a criatividade, a fantasia, a imaginação, tudo está dentro de nós, só que muitas vezes bloqueamos esse recurso pelos mais diversos e nobres motivos, que vão desde a timidez até mesmo ao raciocínio lógico de “não tenho tempo pra isso”.

Mas como podemos resgatar esse imagético? Não se trata de voltar a ser criança, mas de recuperar a essência da criança que fomos e que ainda somos para explorar novos caminhos, criar novas jornadas capazes de inovar e gerar valor. É preciso desbloquear o botão do “e se” do nosso cérebro e resgatar o mindset inventivo infantil para poder inovar.

Como? A resposta é simples e nada complexa.

Vamos cultivar a imaginação e exercitar a nossa capacidade de criar imagens mentais, de visualizar cenários, de inventar histórias, de fantasiar soluções. Precisamos despertar mais a curiosidade, alimentar o nosso interesse pelo desconhecido, pelo diferente, pelo novo.

Para isso, podemos ler livros, assistir filmes, ouvir músicas, visitar lugares, conhecer pessoas, aprender idiomas, experimentar culturas, entre outras atividades que ampliem o nosso repertório e o nosso horizonte. Praticar o “faz de conta”, brincando com a realidade, com as possibilidades, com as alternativas. E por fim e mais importante: não ter medo de errar! O “falar besteira”, o “você tá louco” são os maiores sinais de que estamos no caminho certo da imaginação. Muitas vezes, é preciso errar para encontrar o caminho certo.

Resgatar o nosso imagético de criança é uma forma de nos reconectarmos com a nossa essência, com a nossa paixão e propósito. É uma forma de nos libertarmos das amarras, bloqueios e medos que nos impedem de inovar, de nos abrirmos para o infinito, para o imprevisível, para o extraordinário. É uma forma de nos tornarmos mais humanos, mais felizes, realizados, criativos e inovadores. Então eu te pergunto: e se?

*Rodolfo Brizoti é Sócio e Head de Criação, Planejamento e Content da EAÍ?! Content Experience, agência de live marketing focada em content experience e em inovações na realização de eventos, campanhas de incentivo, promoções, premiações e as mais diversas ativações de brand experience. Já trabalhou com  grandes players do mercado, como Whirlpool, Heineken, iFood e Havaianas.