Oportunidade de Marketing ou consciência social? 27 de março de 2013

Oportunidade de Marketing ou consciência social?

         

Neste "boom" que ocorre no país relacionado à sustentabilidade social e ações conscientes do setor privado, resta a dúvida: oportunidade de marketing ou consciência social?

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Nos últimos anos, o Brasil passou de um país subdesenvolvido para uma das nações com o maior potencial de crescimento do mundo. Apesar disso, entraves como a desigualdade social e de gênero colocam em dúvida a confiança de investidores ao mesmo tempo em que nota-se o aumento do número de empresas que apoiam causas sociais ou  criam suas próprias iniciativas para atender às pessoas da dita “base da pirâmide” e promover o desenvolvimento socioeconômico. Neste "boom" que ocorre no país relacionado à sustentabilidade social e ações conscientes do setor privado, resta a dúvida: oportunidade de marketing ou consciência social?

Se considerarmos que não há desenvolvimento social sem a aplicação de recursos, as empresas que produzem e geram lucro mostram-se como um parceiro potencial não só para as ações do terceiro setor, mas também do governo. Na realidade, nenhum desses três sujeitos caminha sozinho e é necessário que haja a colaboração entre todos eles para que o desenvolvimento seja de fato efetivo e em larga escala.

Pode-se dizer que é uma tendência ligar grandes marcas a uma ação social não como recurso de Marketing, mas sim como uma forma de possibilitar que a comunidade cresça de forma uniforme, ainda que por consequência este crescimento possivelmente acabe também expandindo os mercados consumidores. Por mais que os funcionários de uma empresa tenham acesso a recursos suficientes para uma vida de qualidade, se o entorno do local onde trabalham e vivem não tiverem as mesmas oportunidades, tudo é colocado em risco. Uma companhia não foi criada para ser uma ilha, mas sim para assumir responsabilidades, agregando valor a toda sociedade onde está inserida, e não apenas para as pessoas que  estejam diretamente ligadas a ela.

Habitualmente, entidades sociais ligadas às companhias são focadas em resultados porque tem o conhecimento empresarial em seu DNA e podem agregar competências de gerenciamento de negócio que são repassadas às pessoas assistidas. No caso do Consulado da Mulher, ação social da marca Consul, por exemplo, a assessoria é oferecida principalmente às mulheres e tem como foco o desenvolvimento  do potencial empreendedor, a capacitação e gerenciamento de um negócio.

Por falar em mulher, cada vez mais elas conquistam espaço. Segundo o Data Popular, elas são responsáveis pela circulação de R$ 741 bilhões por ano na economia brasileira. Já o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) aponta que as mulheres fazem parte de pelo menos metade dos novos empreendimentos brasileiros, índice este que há 10 anos era inferior a 30% .

Os avanços na igualdade de gênero acontecem, mas o Brasil ainda está muito longe de ser referência, induzido principalmente por uma questão cultural que acompanha a nossa sociedade há anos. Os desafios da independência feminina são muitos e esbarram em conceitos e preceitos arcaicos que ainda temos que superar. No campo universitário, o sexo feminino já é maioria, o que colaborou com que nas últimas duas décadas o número de trabalhadoras com carteira assinada crescesse 162%, entretanto, as mulheres ainda recebem salários significativamente menores do que os homens que desempenham as mesmas funções, chegando a alarmante marca de 25% de diferença, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Nos cargos mais qualificados, com faixa salarial superior a R$ 8 mil, a grande maioria dos contratados ainda é do sexo masculino.

Há escassez de infraestrutura no que se refere a núcleos infantis e espaços educativos para que as mães cumpram a dupla jornada (mãe e profissional) com tranquilidade e pouquíssimas empresas permitem algum tipo de flexibilidade na carga horária para mães que trabalham. A possibilidade de home office, que poderia facilitar a conciliação de desafios profissionais e o cuidado dos filhos, também não é uma realidade em nosso país e nem mesmo nos centros mais desenvolvidos.

Enquanto não levarmos em consideração que a mulher representa 51,5% da população brasileira e que a falta de oportunidades para essa parcela expressiva da população gera consequências negativas para a sociedade como um todo, estaremos estagnados, ainda, no século passado.

Dentro do tripé governo, iniciativa privada e terceiro setor, cada qual nas suas funções deve colaborar um com o outro para o progresso social  do país. Uma sociedade só poderá ser considerada desenvolvida na medida em que homens e mulheres tenham condições e oportunidades iguais em todas as áreas.


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