Primeiramente, feliz 2023 para todos vocês, habitantes do Mundo do Marketing.

Na semana passada, em Las Vegas, aconteceu o mais importante evento na área de tecnologia: a CES (Consumer Electronics Show), onde muitos produtos e tendências são lançados, o que deixa, sempre, o mercado de comunicação e marketing em êxtase.

Muitos produtos foram apresentados por diversas marcas que lá estiveram, encerrado no último dia 08 de Janeiro, entretanto, para esse artigo não ficar muito extenso, vou concentrar no que mais se falou do tema que estou estudando, profundamente, desde o final de 2021, quando assisti a uma palestra e me encantei pelo tema: Metaverso.

Aproveitando o espaço, que o sempre importante Mundo do Marketing me cedeu, falo sobre o livro que escrevi ao lado da Maya Mattiazzo, sobre o tema, em que reúne diversos estudos, cases, metodologias e mais importante, o como fazer, para que uma marca entre no Metaverso. O livro se chama Metaverso. O que é, como entrar e por que explorar um universo que já fatura milhões, da Benvirá Editora.

Voltando a CES, a primeira coisa que me chamou muito a atenção foi o headset de realidade virtual de última geração que podem ajudar os usuários a sentir e cheirar dentro do Metaverso, lançado pela taiwanesa HTC; na mesma onda a OVR Technology deverá lançar, ainda em 2023, um fone de ouvido contendo um cartucho com oito aromas primários que podem ser combinados para criar aromas diferentes, ou seja, sentir cheiro – e outras sensações – pelo universo virtual, está deixando de ser um sonho, para se tornar uma realidade. E em breve.

Com essas inovações, não será nenhum absurdo acreditar que daqui a pouco, aquela loja de chocolates que você ama possa lançar um novo produto no Metaverso – a qual ela está presente – e você vai poder sentir tantas sensações, de forma virtual, que vai ser como se você tivesse comido o produto, e não apenas seu avatar possa curtir esse momento.

Essas tecnologias darão uma sensação ao nosso cérebro de termos comido o chocolate, mesmo sem ter tocado nele, mas pensando bem, por que você não vai comer o chocolate? Afinal, em breve você poderá ter uma impressora 3D na sua casa, comprar o produto pelo Metaverso, pagando em criptomoedas, imprimir e comer o produto. E não ache que eu estou falando de algo para daqui 20 ou 30 anos, isso já é possível, hoje.

Sempre que falo sobre o Metaverso, eu digo, que para mim, os segmentos de moda, construção e educação estão entre os maiores potenciais de crescimento. O case da bolsa Gucci vendida por mais de 4 mil dólares pelo Metaverso, para um avatar usar, para mim, é emblemático mostrando o potencial do universo da moda, o que mais aposto no crescimento, o qual, brilhantemente, a Maya escreveu o capítulo em nosso livro, na CES vimos pouco dessa área, mas já há muitas iniciativas, até uma cidade sendo totalmente modelada no Metaverso, com leis próprias.

Construção civil é outro tema importante, afinal, as marcas estão buscando formas de construir sua presença nesse universo de uma forma marcante, e ter um prédio seu é importante em pelo menos uma plataforma do Metaverso, mas porque não criar interações por lá?

Por exemplo, uma universidade pode criar um curso de moda, dentro do seu prédio no Metaverso e aqui unimos os 3 segmentos, que na minha visão, são os com mais potenciais de crescimento em uma única iniciativa. E isso já é mais do que possível, e com um custo muito menor do que se pensa.

A Fiat, em dezembro do ano passado, lançou uma tecnologia junto a Microsoft para simular uma concessionária dentro do Metaverso, a Fiat Metaverse Store, que foi oficialmente lançada na CES 2023. O case é uma inovação da marca, onde as pessoas como avatares interagem com avatares e podem não apenas customizar como comprar um carro; a compra online de um carro, que há anos já sonhamos, agora, com criptomoedas, está quase se tornando uma realidade.

E espero que essa ideia seja trazida, e rápido, para o Brasil, ou alguém duvida que o nosso país estará, em breve, entre os que mais acessam e usam o Metaverso? Já somos assim em plataformas como WhatsApp, Facebook, Instagram, Youtube…

Segundo um estudo da Accenture, também apresentado no CES 2023, o Metaverso tem um potencial de faturamento de US$ 1 trilhão de dólares, isso em 24 meses!

Cerca de 55%, dos 9 mil entrevistados pela consultoria, apontam que o Metaverso é uma oportunidade de negócio para criação e monetização de conteúdo; na mesma pesquisa 89% do C-Leves entrevistados acreditam que o Metaverso terá um papel importante no crescimento futuro de suas empresas.

Não tem mais como ficar de fora do Metaverso

No ano de 2021 o conhecemos. No de 2022 o entendemos. No ano de 2023 o executamos. Já tem muitas marcas, a qual destaco O Boticário, com diversas iniciativas nesse novo universo, com grande êxito. E não apenas ela, outras marcas, no Brasil e no mundo, estão olhando o Metaverso como um canal de relacionamento, comunicação, pesquisa, interatividade e consequentemente mídia e vendas.

O Metaverso está longe de ser um canal apenas de mídia, assim como as Redes Sociais não são apenas para isso. O Metaverso, é o local onde as pessoas podem ser quem elas sonham em ser, é o local onde cada um vai expressar seus desejos e necessidades, e as marcas mais atentas estarão próximas a essas expressões.

Encerro esse artigo com uma frase do grande Julio Ribeiro, fundador da Talent, que sempre lembro: “mais empresas fecharam por não inovar, dos que as que ousaram em fazer algo diferente…” durma com essa!

* Felipe Morais é Diretor da FM Consultoria em Planejamento e autor de diversos livros.