A média de moradores por domicílio no Brasil caiu de 3,31, em 2010, para 2,79, em 2022, de acordo com o último censo divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Essa diminuição nos lares impactou, consequentemente, o consumo de bens massivos. É o que aponta um novo estudo da Kantar.

Hoje, a maior renda per capita pertence aos lares de jovens independentes (9% da população), enquanto o bolso mais comprometido pertence aos casais com filhos adultos (6%). Isso significa que os lares menores (de uma a duas pessoas) apresentam relação mais positiva entre renda e gasto.

Entre 2014 e 2023, por exemplo, os lares menores aumentaram a média de categorias, pulando aumentaram quatro categorias, enquanto os demais lares aumentaram apenas duas. Também intensificaram o gasto com marcas Mainstream (+5,5 p.p. em valor contra +4,8 p.p. na média da população) e ainda seguem sendo os maiores compradores de Premium (representaram 18,7% do gasto em 2023).

Por outro lado, esses consumidores abastecem menos. No último ano, eles colocaram menos itens no carrinho (15% a menos em média do que os demais lares). Ainda assim, a quantidade representa um tamanho estável na comparação entre 2022 e 2023.

Em relação aos canais, os lares menores alavancam as compras em estabelecimentos maiores, como Atacarejos (indo de 14,7% de importância em unidades em 2022 para 17,5% em 2023) e Super Convencionais (de 20,5% para 21,3%). No período, ainda aumentaram a penetração três vezes em Atacarejos e seis vezes na Internet.

Vale destacar também que a transformação dos domicílios impacta o tamanho médio das embalagens. Ao olhar um produto específico, como o leite em pó, é possível notar que os lares de uma ou duas pessoas preferem embalagens menores (+5 p.p na representatividade, chegando a 40% de todo o volume comprado). Além disso, buscam formatos com menor custo benefício como sacos plásticos, em detrimento às latas.