Meu primeiro SXSW, ou popularmente chamado South By, o maior festival do planeta de inovação, criatividade, tecnologia, tendências, música, filmes e alguma coisas a mais, reuniu mais de 3,5 mil palestrantes divididos por 25 grandes temas em aproximadamente 1,5 mil sessões. Foram 40 mil participantes, desses, 30% da comunidade internacional, sendo que a Brasileira foi a com maior representativa, com cerca de 2 mil pessoas. Go Brasil!

A sensação é de ter ido para a Disney dos adultos. A expectativa do dia anterior, o cansaço físico e mental a noite, uma alegria de ter experimentado tantas coisas diferentes, os olhos brilhando como os das crianças, o planejamento da manhã seguinte e claro, FOMO, sim, o pensamento que sempre tinha algo muito bacana acontecendo e que você não estava lá. Depois de toda essa alquimia de sentimentos, compartilho com vocês os meus 5 “ahahas” dessa maratona de repertorio e inspiração.  

1. A pergunta chave e o pensamento crítico para o ChatGPT. Não tem como não começar escrevendo sobre inteligência artificial. Foi incontestável que esse tema dominou muitas das palestras do South By e também reuniu os nomes mais desejados, como o do Greg Brockman, um dos fundadores da OpenAI, criadora do ChatGPT. Segundo ele, o ChatGPT, e as inteligências artificiais, são, por princípio, machine learning, vão se desenvolvendo mais e mais com o tempo e, devem ser usados para “conectar informações e gerar conhecimento”, e, assim, amplificar as nossas habilidades. Mas qual é o impacto dessas tecnologias na nossa sociedade, na nossa cultura, na nossa criatividade? E as bias? E a propriedade intelectual? Como usamos as informações do passado para dar caminhos para o futuro? Mais perguntas do que respostas, mas, muito curiosa pelo o que vem por ai e o quão importante se torna, ainda mais, o poder de uma boa pergunta e o nosso pensamento crítico, acima de tudo.

Vale mencionar que parte desse artigo foi feito com a ajuda do ChatGPT.

2. Patagonia, como ser responsável e agir. “Não temos plano B para o nosso planeta. Empresas, governo e consumidores precisam ser responsáveis, se você fez a bagunça, tem que limpá-la. Isso vale para os meus filhos e para todos os problemas causados pelas empresas com o meio ambiente, por exemplo”. Esse foi um dos pensamentos de Ryan Gellert, CEO da Patagonia, empresa que anunciou recentemente a decisão de abrir mão de 100% dos lucros para organizações voltadas ao combate a mudança climática.

3. Se apaixone pelo problema e não pela solução. Um dos meus momentos preferidos e já escrevi sobre isso no LinkedIn, foi a palestra do Uri Levine, fundador do Waze, de outras 10 startups e autor do livro “Fall in love with problem, not with the solution”, que deu nome à palestra do SXSW. Uri exemplificou, de maneira super clara, como ter o problema bem diagnosticado e colocado no centro, faz toda a diferente. Além disso, mostrou que a jornada para a solução é um caminho repleto de curvas e de fracassos. Mas calma, os fracassos são seus principais professores, onde você captura seus maiores aprendizados e o importante é testar, errar e aprender rápido. Ainda frisou que você não precisa ser perfeito e sim, ser muito bom, no tempo correto, é suficiente e muitas vezes, muito melhor. Simples e direto. Amei! 

4. Ah, as experiências. além das centenas de palestras e painéis, o SXSW trouxe muitas experiências, especialmente através do Creative Industries Expo e do VR Experience. São inovações de marcas, serviços e produtos que vêm por aí de diversas partes do mundo e os participantes puderam ver em primeira mão. Algumas das minhas preferidas foram @doritos, @loungefly @porsh e @paramont. As ativações ancoradas em realidade virtual, que trouxeram novos hardwares que vão ajudar a tornar as experiências em metaverso cada vez mais imersivas e sensoriais, como o anúncio da Apple para novos óculos mais agradáveis e portáteis, tiveram um espaço exclusivo. O meu “ahah” foi na ativação chamada “Ukrania – The Look”, que proporcionava uma experiência imersiva e te colocava, de maneira muito verdadeira, no meio dos escombros da guerra da Ucrânia, olho no olho com alguns dos sobreviventes. Muito forte e impactante.

5. No final, final, são as conexões. Falamos de Inteligência artificial generativa, machine learning, algoritmos, imersão digital, virtual reality, mas nada como o impacto e a forca das relações. Um dos discursos que mais me impactou foi o do chef espanhol e empreendedor social, Jose Andres, fundador da ONG World Central Kitchen. O nome da sua palestra dele foi intitulada “The Stories We Tell Can Change the World” e seu trabalho, de maneira muito resumida, é levar alimentos a regiões devastadas por conflitos, guerras e desastres naturais.

Ele fala que cada um de nós somos um asset, a gente apenas ainda não sabe. E quando nos conectamos aos outros, conseguimos criar coisas que nem imaginamos e ai surge, a potência das relações.

Se você quiser ir rápido, vá sozinho, mas se você quiser ir longe, vá junto.  

*Ana Paula Krainer – Executiva de Marketing e Parceira do Mundo do Marketing