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Quando a comunicação encontra o propósito: o papel do Marketing farmacêutico para a saúde pública

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Tempo de Leitura 4 min

DATA

8 de jan. de 2026

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Artigos

Quando a comunicação encontra o propósito: o papel do Marketing farmacêutico para a saúde pública
Quando a comunicação encontra o propósito: o papel do Marketing farmacêutico para a saúde pública
Quando a comunicação encontra o propósito: o papel do Marketing farmacêutico para a saúde pública

O potencial da indústria farmacêutica vai além de produtos ou moléculas; passa também por conectar ciência à vida, conectar informação à ação, conectar público e paciente. A comunicação estratégica das companhias farmacêuticas, especialmente quando alinhada a campanhas de saúde pública, cumpre um papel essencial: ajudar a tornar possíveis mudanças de comportamento, ampliar o alcance de mensagens de prevenção e, em última instância, reduzir o impacto de doenças evitáveis.

Imagine uma iniciativa que leve, por exemplo, o relevante tema da infecção por HPV à mesa de debate público. A indústria farmacêutica, ao trabalhar em parceria com sistemas de saúde, agências regulatórias, entidades médicas e a sociedade civil, pode dar voz a esse tema: explicando o que é o vírus, por que ele impacta tanto mulheres como homens, qual a relação com cânceres que podem ser evitados, e como a prevenção, via imunização ou rastreamento, faz a diferença.

Para que essa narrativa se torne eficaz, o marketing da indústria assume funções múltiplas e integradas. Ele ajuda a educar e sensibilizar o público, fortalece o porquê da prevenção e amplia o impacto de ações importantes. Pense no ciclo: sem conscientização, há subutilização da vacina ou do rastreamento; sem acesso, a mensagem perde força; sem parceiros, a comunicação se fragmenta.

Como estamos utilizando o HPV como exemplo, vamos pensar na estratégia 90-70-90, força-tarefa da OMS para eliminação do câncer do colo do útero¹. Para se colocar no caminho da eliminação desse câncer como problema de saúde pública, é necessário que até 2030 os países tracem estratégias que alcancem 90% das meninas totalmente vacinadas até os 15 anos de idade, 70% das mulheres rastreadas com teste de alta performance aos 35 e aos 45 anos, e 90% das mulheres com lesões tratadas ou com câncer invasivo gerenciado¹. Como é possível fazer isso sem uma comunicação bem-feita com as pessoas?

Resposta: não é.

Comunicação eficaz, em saúde, significa planejar e difundir mensagens baseadas em evidência, pensadas de forma estratégica para cada público, com mensuração de impacto — e isso é o marketing atuando em prol da sociedade. Cases de comunicação social voltadas para vacinação, minha área, mostram que campanhas integradas — que combinam educação para profissionais de saúde, materiais informativos e conteúdo digital — ampliam a aceitação e a cobertura vacinal. Nós estamos no Brasil, o país do Zé Gotinha; que outro case melhor de marketing voltado para a saúde pública poderia existir?

No nosso contexto brasileiro, inclusive, país de dimensões continentais com desigualdades regionais profundas, o papel amplificador da indústria tem potencial ainda mais prático: apoiar treinamentos, gerar materiais adaptados a realidades locais, colaborar em pesquisas de percepção e ajudar a construir jornadas que facilitem a chegada ao serviço de saúde. O objetivo é ampliar mensagens importantes para que mais pessoas possam exercer escolhas informadas sobre sua saúde.

O Sistema Único de Saúde (SUS) do Brasil, com seu Programa Nacional de Imunizações (PNI) reconhecido mundialmente, é uma das maiores conquistas da saúde pública. Para manter e expandir o alcance de programas tão vitais, a colaboração entre o setor público e a indústria farmacêutica é fundamental, transformando-se em uma aliança estratégica na promoção da saúde, na disseminação de conhecimento e no combate a doenças como o câncer de colo de útero.

Investimento em Conscientização: Suplementando o Esforço do Governo

A indústria atua como um parceiro-chave do Ministério da Saúde, não se limitando ao fornecimento de imunobiológicos de ponta, mas estendendo seu papel à transferência de tecnologia, para desenvolver a produção nacional de tratamentos e vacinas, e ao investimento em campanhas de conscientização que se somam aos esforços governamentais.

Ao falar sobre campanhas de saúde pública, recorro à ideia de legado: cada ação de comunicação bem-feita é um investimento em confiança. Se a indústria contribui com clareza, empatia e responsabilidade, todos ganhamos. 

Tenho orgulho em atuar em uma campanha com propósito, que trata da prevenção contra o HPV, tema que vem ganhando cada vez maior relevância. E isso é porque a falta de informação, ou desinformação, sobre a importância da vacinação, os riscos da infecção pelo vírus e os mitos em torno do imunizante são os principais obstáculos à ampliação da adesão.

Para atuar neste combate, o setor privado tem intensificado os investimentos em campanhas de marketing e conscientização que visam levar informações científicas confiáveis diretamente à população. Tais ações incluem parcerias com veículos, influenciadores e eventos, complementando as campanhas governamentais de multivacinação e reforçando a mensagem de proteção para todos os públicos elegíveis.

Convido todos os atores — gestores, profissionais de saúde, comunicadores e sociedade civil — a ver essa colaboração como ponte e compromisso. Quando ciência, marketing responsável e políticas públicas caminham juntos, transformamos metas de saúde pública em histórias reais de prevenção e cuidado. É assim que construiremos, com propósito e respeito, um futuro em que doenças evitáveis percam espaço diante de informação de qualidade e acesso.

  1. World Health Organization – Cervical Cancer. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/cervical-cancer. Acessado em 30/10/2025

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Fernando Cerino

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Diretor de Vacinas da MSD

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