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Comportamento do Consumidor

Consumo de moradores das favelas cai por causa do Coronavírus

População mais pobre possui dificuldades para pagar as contas por causa do avanço do Covid-19 e sente diretamente o impacto da quarentena. Redução da renda chega a 84% dos lares

Por Priscilla Oliveira - 27/03/2020

A população das favelas já possui dificuldades para pagar as contas por causa do avanço do vírus Covid-19 e sente diretamente o impacto da quarentena. A projeção de redução de renda por conta da pandemia chega a 84% dos moradores, segundo dados da pesquisa Coronavirus nas Favelas, feita pelo Instituto Locomotiva/Data Favela.

Se em toda população brasileira as mudanças já são percebidas, nos moradores de favela a situação é mais delicada por questões de saneamento básico e ser o grupo em que os trabalhadores possuem a necessidade de furar a reclusão em casa para continuar colocando alimento na mesa. Antes do surto, os moradores da comunidade movimentaram R$ 119,8 bilhões em renda própria por ano; quase R$ 10 bilhões por mês - o Brasil tem hoje aproximadamente 13,6 milhões de pessoas morando em comunidades.

A pesquisa mostrou entre outros dados que 97% dos moradores de favelas já mudaram sua rotina por causa do Coronavírus. Isso porque eles estão angustiados com o Covid-19, com a própria saúde e com a saúde dos familiares - dois em cada três moradores de favelas estão muito preocupados com a própria saúde.

A grande maioria já sentiu a renda diminuir e, com as crianças em casa, aumentam os gastos. Na favela, 53% da população possui filhos, com média de 2,7 por domicílio. Além do comprometimento de renda, há a carência pela falta de suporte para cuidarem dos menores.  Sem um cuidador, os pais devem ficar em casa impedidos de trabalhar e, consequentemente, sem receber pagamento. Por causa disso, mais da metade dos entrevistados estão preocupados em perder o emprego.

Mesmo grande parte desse público sendo autônomo (47%), a maioria diz estar cortando gastos - sete em cada 10 famílias da favela já tiveram a renda familiar diminuída por causa do surto de Coronavírus. A pandemia também diminuiu o movimento e vendas das empresas onde trabalham. A atividade laboral é a principal fonte de renda dos moradores de áreas carentes (71%), por isso grande parte dos moradores de favela afirma que teria dificuldade de comprar itens básico, como comida, se tiverem que ficar dentro de casa por uma semana. Se perderem a renda, 72% não conseguem manter o padrão de vida por algum tempo.

Para Renato Meirelles, fundador do Data Favela (uma parceria do Instituto Locomotiva e da Central Única das Favelas), por mais que isso soe alarmista, esse quadro pode indicar uma situação de convulsão social em um futuro próximo. Para o especialista, o efetivo seria transferir renda diretamente para que os moradores pudessem comprar o que precisam. Caso contrário, se não houver ações efetivas, públicas e privadas para garantir uma renda mínima, o adiamento de contas - garantindo provimento de produtos básicos, como alimentos, internet e produtos de limpeza - pode haver revolta das favelas.