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Pesquisa

Crise tem impacto direto no equilíbrio emocional das mulheres

Dificuldade para realizar os desejos dos filhos contribuem para deixar as consumidoras frustradas, culpadas e depressivas. Dado é da pesquisa “Consumo Feminino em Tempos de Crise”

Por Roberta Moraes - 14/10/2016

Que a crise mudou o comportamento de consumo dos brasileiros, não é novidade, mas os impactos que a recessão econômica está provocando vão além. A inadimplência, inclusive, tem deixado 66% dos devedores deprimidos, como mostra levantamento da SPC Brasil.

Nas mulheres, a dificuldade em realizar os desejos dos filhos ou a culpa por ter gasto um pouco além de devido têm despertado sentimentos como culpa, frustração, impotência, insegurança, tristeza e depressão. Depois de ter alcançado muitas categorias nos últimos anos, ficou mais difícil abrir mão delas neste momento. O dado faz parte da segunda fase do estudo “Consumo Feminino em Tempos de Crise”, realizado pela Ferraz Pesquisa de Mercado, com o objetivo de entender como as mulheres estão passando por este período de recessão econômica.  

Desde a primeira versão em 2015, o levantamento qualitativo aponta que as consumidoras das classes AB passaram a ter comportamento de classe C, enquanto estas estão abrindo mão de produtos e serviços, buscam estratégias para economizar ainda mais e renda extra. Neste ano, inclusive, com a piora da situação – aumento da inflação e desemprego, por exemplo – a ordem é “se virar”. Para as mulheres, a crise deixou a vida mais difícil e trabalhosa e elas passaram da economia para a privação.

Visita a vários supermercados
Para tentar não estourar o orçamento, as consumidoras da Classe A/B agora visitam vários supermercados em busca de promoção. Para as mulheres da Classe C os encartes com a ofertas se transformaram em um grande aliado e elas também estão andando mais para conseguir fazer as compras. Em busca da melhor relação custo benefício, promoção, desconto e parcelamento podem ser determinantes na decisão de compra.

Por conta dessas novas necessidades e por ter que mudar os hábitos de consumo, as brasileiras da Classe AB estão com a sensação de que estão paradas no tempo, estagnadas. As da Classe C, a percepção é ainda pior: elas acreditam que estão retrocedendo. Independente da classe social, o objetivo é o mesmo para todas: manter o padrão de vida e para isso estão reduzindo o consumo e os cortes estão sendo feitos em diversas áreas. Outro sentimento compartilhado é o medo de contrair dívidas e não poder honrar os compromissos.

Para não cair em tentação, elas abriram mão do cartão de crédito. O dinheiro de plástico agora é utilizando apenas em casos mais urgentes, como a compra de um remédio ou quando não há outra opção. As compras por impulso, que aconteciam devida à facilidade do modelo de pagamento, praticamente não existem mais. As mudanças, no entanto, não foram apenas para pior. As entrevistadas afirmaram que o lado bom da crise é despertar o consumo consciente e que elas têm o desejo de continuarem mais criteriosas quando a situação melhorar. Depois da recessão, as marcas terão um desafio ainda maior para conquistar essas consumidoras que descobriram que podem se adaptar diante de qualquer adversidade.

Veja mais sobre o novo comportamento das brasileiras, como o adiamento de compra de artigos mais caros, como geladeira e troca de carro, na pesquisa “Consumo Feminino em Tempos de Crise”, disponível no Mundo do Marketing Inteligência. Conteúdo exclusivo para assinantes.