Sustentabilidade vira estratégia no Walmart e na Philips 3 de março de 2010

Sustentabilidade vira estratégia no Walmart e na Philips

         

Tema deixará de ser diferencial e entra no planejamento estratégico das empresas

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<p>A sustentabilidade já não pode ser considerada um diferencial competitivo. Em um futuro próximo, empresas que não realizarem ações sustentáveis serão engolidas por um mercado cada vez mais exigente. Hoje, o assunto é realidade para companhias como Walmart, Philips e Unimed, que incluem o tema em sua estratégia de Marketing.<br /> <br /> Muito além do cuidado com o meio ambiente, a sustentabilidade visa o todo, desde o relacionamento com os funcionários, passando pelo consumidor e pela comunidade. A Unimed é um exemplo disso. Uma das ações da cooperativa de médicos é o Projeto Arredores. A iniciativa é fruto de uma parceria entre o Instituto Terrazul e a Unimed-Rio.<br /> <br /> A ideia surgiu quando a Unimed-Rio se instalou no bairro da Barra da Tijuca e resolveu cuidar da Ilha da Gigóia, que fica no entorno de sua sede, com três mil moradores, onde funciona o Instituto Terrazul. Desde então, o projeto de educação ambiental beneficiou mais de mil crianças, enquanto outras 300 passaram pelos núcleos de educação digital e comunicação audiovisual.<br /> <br /> <strong><img align="left" src="/images/materias/sustentabilidade_aba_arredores.jpg" alt="Sustentabilidade vira estratégia no Walmart e na Philips" />Contribuir para reparar</strong><br /> A ação também realiza mutirões de limpeza de rios, lagoas, praias e recupera áreas degradadas como manguezal e restinga. “Com o Mangue Saudável, a área, que antes era abandonada, recebeu um modelo de gestão e de limpeza”, explica Virgínio Sanches, Superintendente de Comunicação e Sustentabilidade da Unimed-Rio, durante o IV Fórum ABA Rio de Responsabilidade Socioambiental para a Sustentabilidade.<br /> <br /> A responsabilidade social é um dos pilares da sustentabilidade, mas o cuidado com o meio ambiente é indispensável. Boa parte do portfólio da Philips é composta por produtos que geram gasto de energia. Por isso, a empresa procura contribuir de duas formas para minimizar o impacto. A primeira é reduzir o consumo de eletricidade de seus produtos, enquanto a segunda é investir em tecnologia para melhorar a vida das pessoas.<br /> <br /> “A maioria dos produtos da Philips é colocada na tomada, consumimos muita energia. O que fazemos hoje é pensar no que vamos deixar para o futuro, satisfazendo as gerações atuais sem comprometer as futuras”, diz Renata Macedo, Gerente de Sustentabilidade da Philips do Brasil e Presidente do Comitê de Responsabilidade Socioambiental da ABA.<br /> <br /> <strong>Produto verde vende</strong><br /> Desde sua inauguração, em 1891, a empresa holandesa se preocupa com o desenvolvimento de produtos e com o seu público interno, composto por 116 mil funcionários em mais de 150 países. Nos últimos anos, essas questões ficaram mais fortes e, em 2010, a sustentabilidade entra definitivamente na estratégia da empresa.<br /> <br /> Em 2009, os produtos verdes da Philips representaram um total de 31% das vendas globais de US$ 33 bilhões, contra 23% em 2008. Durante o período, foram mais de 400 milhões de euros investidos e 800 produtos sustentáveis lançados. “Para ser um produto verde é preciso unir o design à eficiência, economizar energia, usar menos embalagem e substâncias tóxicas, pesar menos, ser reciclável e ter um tempo de vida maior. Se o produto tiver pelo menos três desses critérios já é considerado verde”, explica a Gerente de Sustentabilidade da Philips.<br /> <br /> Uma prova de que sustentabilidade é uma constante na empresa há bastante tempo é o Programa EcoVision. Lançado em 1994, o projeto está em sua quinta edição e é apoiado em aspectos como educação, preservação ambiental e responsabilidade com o meio ambiente para trazer novos produtos aos consumidores. Suas metas são monitoradas por um sistema on-line que acompanha o progresso das divisões de produto em todo mundo.<br /> <br /> <strong>Parcerias sustentáveis </strong><br /> Até 2015, a expectativa da empresa é facilitar o acesso à saúde a mais de 500 milhões de pessoas, melhorar a eficiência energética dos produtos e processos em 50% e dobrar a coleta de resíduos, a reciclagem e o uso de materiais reciclados. Em dezembro de 2008, a marca lançou em Manaus o piloto do Programa Ciclo Sustentável Philips, que recolhe lixo eletrônico.<br /> <br /> Agora, a empresa pretende ampliar os pontos de coleta para todo o país. Outro passo importante para promover o desenvolvimento sustentável é a presença de fábricas no Brasil. “As fábricas no país barateiam os custos da fabricação do produto, de sua distribuição e, consequentemente, da venda. O custo para produzir itens verdes não é mais alto”, aponta Renata.<br /> <br /> Parcerias com clientes e distribuidores também contribuem. “O Walmart chamou a Philips e outros fornecedores para criar um estande de produtos verdes. Tivemos duas horas de conversa sobre o tema com as promotoras, que distribuíram folhetos de preços com informações incentivando o consumo consciente”, conta a Gerente de Sustentabilidade.<br /> <br /> <strong>Menos comunicação</strong><br /> A divulgação de produtos sustentáveis de grandes empresas como a Philips é uma das muitas iniciativas realizadas pelo Walmart para promover a sustentabilidade. O gigante do varejo mundial – com um faturamento global de cerca de US$ 400 bilhões – conseguiu nos últimos anos substituir a imagem de vilão nos Estados Unidos, seu país de origem, e hoje caminha para ser uma empresa 100% sustentável.<br /> <br /> “O Walmart viu que a sustentabilidade é sim parte do negócio. Se não inserirmos ações sustentáveis estaremos comprometendo o nosso futuro. O assunto permeia todas as divisões da empresa. Só assim o Walmart continuará sendo líder no setor varejista”, acredita Carolina Costa, Gerente de Relações Institucionais do Walmart Brasil.<br /> <br /> Uma pesquisa realizada pela consultoria Blue Sky para o Walmart revelou que as atividades da empresa representam apenas 8% do impacto no meio ambiente. Por isso, o Walmart busca estimular toda a cadeia para a adoção de princípios de sustentabilidade.<br /> <br /> <strong><img height="178" align="right" width="235" alt="Sustentabilidade vira estratégia no Walmart e na Philips" src="/images/materias/sustentabilidade_aba_saco.jpg" />Ações estratégicas</strong><br /> Uma das iniciativas do varejista é o incentivo à redução do consumo de sacolas plásticas. O Walmart tem uma meta global de que, até 2013, o uso de sacolas caia pela metade. No ano passado, a empresa firmou o pacto pela sustentabilidade, que uniu mais de 200 fornecedores e ONGs como o Greenpeace.<br /> <br /> A companhia ainda apoia a campanha “Saco é um Saco”, do Ministério do Meio Ambiente. Para atingir seu objetivo, o Walmart dá um crédito de R$ 0,03 a cada cinco itens no caixa, quando o cliente não utiliza a sacola plástica. O valor representa o custo que a empresa tem hoje por cada sacola. O Walmart também comercializa bolsas retornáveis, desde maio de 2008, pelo preço de custo (R$ 2,50). Desde então, já foram vendidas mais de dois milhões de unidades.<br /> <br /> Entre os compromissos do varejista no Brasil estão o desenvolvimento sustentável da Amazônia, a erradicação do trabalho escravo e o Programa de Certificação de Produção Responsável na Cadeia Bovina, da Abras, que rastreia a origem da carne comercializada nos supermercados brasileiros. <br /> <br /> <strong>Mudança para convencer o consumidor</strong><br /> O envolvimento do público interno nas ações realizadas é tão importante que o Walmart, além de treinar mais de 55 mil funcionários com cursos e cartilhas sobre o assunto, incentiva a prática de ações que promovam a qualidade de vida. Dos 80 mil funcionários das lojas espalhadas pelos 18 estados brasileiros, mais o Distrito Federal, 81% se comprometeram a escolher um projeto e terem seu desempenho monitorado.<br /> <br /> <strong><img height="166" align="left" width="300" alt="Sustentabilidade vira estratégia no Walmart e na Philips" src="/images/materias/sustentabilidade_aba_walmart.jpg" /></strong>As atividades vão desde reciclagem em casa até a prática de exercícios físicos. Há ainda parcerias com 50 marcas fornecedoras como 3M, Kimberly-Clark, Pepsico, Bombril, Unilever, Johnson & Johnson e Nestlé, na ação global e anual Mês da Terra, que leva às gôndolas produtos que seguem conceitos sustentáveis para incrementar as vendas e incentivar o consumidor a fazer listas de compras mais conscientes. <br /> <br /> O resultado de todo o esforço do Walmart para promover a sustentabilidade é visto nas unidades ecoeficientes. O país tem hoje seis lojas sob esse formato e um centro de distribuição. Os hipermercados dentro desse conceito têm o consumo de água reduzido em 40%, gastos de energia 25% menores e geram 30% a menos de gases do efeito estufa. O formato é aplicado há um ano em todas as unidades inauguradas e também nas que passam por reformas.<br /> <br /> <strong>Caminho sem volta</strong><br /> Todas as ações incorporam o Programa Impacto Zero, que trabalha para reduzir os resíduos gerados pela produção. Atualmente, 10 lojas já têm 95% dos resíduos reciclados ou reaproveitados. Garrafas PET recolhidas nas estações de reciclagem, por exemplo, são separadas pelas cooperativas de catadores e dão origem a cobertores que voltam às lojas para serem comercializados.<br /> <br /> A adoção de práticas sustentáveis é um caminho sem volta para as companhias e devem fazer parte do planejamento estratégico e das ações de Marketing de todas as empresas, desde que sejam coerentes e tenham um sentido educacional, de inspiração, para que outras empresas também estejam alinhadas ao tema. <br /> <br /> “Não acredito que uma empresa que pratica sustentabilidade possa gastar mais comunicando uma ação do que com o próprio projeto, porque isso não é coerente, isso não é sustentável. Algumas empresas como a Natura e o Banco Real já entendem como fazer isso de forma ética”, aponta Flávia Moraes, Sócia da Consultoria Gestão Origami e Sócia-diretora da FMC Consultoria em Sustentabilidade, em entrevista ao Mundo do Marketing.</p>


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