Setor de papelaria acerta nas estratégias com a quebra de sazonalidade e aposta em novas linhas de produtos Bruno Mello 2 de agosto de 2022

Setor de papelaria acerta nas estratégias com a quebra de sazonalidade e aposta em novas linhas de produtos

         

Redes sociais impactaram resultados e aumento por clube de assinaturas indica nova tendência

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O segmento de papelaria foi um dos responsáveis por puxar o crescimento do comércio varejista nacional no mês de maio. De acordo com a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), do IBGE, a alta mais intensa foi a de Livros, jornais, revistas e papelaria, que registrou avanço de 5,5%, em comparação ao mês anterior. A notícia aquece ainda mais a expectativa dos empresários do segmento que, estão se reunindo na Escolar Office Brasil, a principal feira de negócios de produtos para Papelarias, Escritórios e Escolas das Américas, que acontece até o dia 3 em São Paulo, na Expo Center Norte.

Esse ano são esperados mais de mil lançamentos, considerando que cada uma das 138 empresas expositoras levarão muitas novidades exclusivas para o evento. Durante a feira, os visitantes poderão conhecer em primeira mão as novidades da volta às aulas e que movimentarão o varejo nos próximos meses. Entre as marcas expositoras estão fabricantes e fornecedores de materiais escolares e de escritório, itens de arte e artesanato, mochilas, brinquedos, livros, presentes, artigos para organização e soluções tecnológicas.

O evento traz ainda mais de 100 horas de conteúdo para atualização profissional com temas relacionados à gestão, licenciamento de marcas, papelaria digital, organização entre outros. A quebra de sazonalidade foi tema de uma das palestras e assunto muito importante para o setor, que precisou se reinvetar após a pandemia. “Na minha opinião, a conexão das marcas com as pessoas não pode ser apenas durante o período de volta às aulas. Assim como em outros setores do varejo, é necessário acompanhar a jornada do cliente“, afirma Luciana Ramos, head da Escolar Office Brasil, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Confira a entrevista completa abaixo:

Mundo do Marketing –  A feira é o pontapé para os lançamentos que serão apresentados aos consumidores no final do ano. Que inovações vocês estão observando nesse setor?

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Luciana Ramos – A mudança na rotina de muitas pessoas de estudar e trabalhar em casa impactou o setor de papelaria com novos formatos de produtos “afetivos” e lúdicos, e também de acessórios e materiais que facilitam a organização no dia a dia. São tendências que vieram para ficar. Além disso, houve uma revitalização de produtos tradicionais como, por exemplo, a onda dos cadernos argolados, planners, canetas com diversificação de cores e tipo de escrita.

Mundo do Marketing – Como você avalia o setor de papelaria no Brasil?

Luciana Ramos – O setor de papelaria tem demonstrado sinais de inovação para se manter competitivo. É o caso de redes de papelarias que passaram a oferecer também itens de decoração, festas, presentes e organização. Observamos que o consumo não está mais concentrado nos produtos escolares e suas sazonalidades. Um bom termômetro disso são os clubes de assinaturas que são uma febre hoje em dia, onde o cliente recebe mensalmente em casa novos produtos e lançamentos movimentando o varejo o ano todo. As redes sociais também exigiram dos lojistas uma mudança na comunicação com os consumidores.

Mundo do Marketing – Você falou da quebra de sazonalidade, o que afeta mais essa mudança?

Luciana Ramos – O tema é tão importante para o varejo de papelaria que está na programação de conteúdo da Escolar. Na minha opinião, a conexão das marcas com as pessoas não pode ser apenas durante o período de volta às aulas. Assim como em outros setores do varejo, é necessário acompanhar a jornada do cliente, seus hábitos de consumo, criar campanhas temáticas e direcionadas para diferentes perfis de consumidores.

Acredito que o conceito de organização veio para ficar. Teremos na feira, inclusive, o espaço Anpop Brasil Lab, em parceria com a Associação Nacional de Profissionais de Organização e Produtividade, para que os profissionais de organização usem os produtos que tradicionalmente encontram na papelaria com outros fins. Serão workshops que vão ressignificar o uso desses itens com o objetivo de mostrar o quão versáteis e úteis eles são. Por exemplo, novos usos de potes e pastas. O objetivo desse cantinho na Escolar é que o varejo perceba melhor esse público de profissionais de organização como bons consumidores.

Mundo do Marketing – O ambiente online vem sendo essencial para criar estímulos ao consumidor, como vocês observam essa nova onda? As marcas estão mais seguras em trabalhar no digital, além do e-commerce?

Luciana Ramos – Nos dois últimos anos, o processo de digitalização das papelarias vem crescendo e mostrou que as lojas não precisam acabar com o ponto físico, mas precisam ter presença digital. Até mesmo os lojistas mais tradicionais precisaram investir em plataformas online. A papelaria digital criou novas oportunidades de negócios e de relacionamento com o consumidor, como as vendas no Tik Tok e Instagram. Acredito que já houve um avanço das empresas em explorarem melhor o meio digital, mas essa “virada de chave” não é tão imediata.

Por isso, teremos uma programação de mais de 100 horas de conteúdo gratuito com palestras e mentorias que serão realizadas por especialistas do setor para lojistas, profissionais de educação e outros que queiram empreender no setor, seja no ambiente online ou offline. Um dos desafios é melhorar a gestão dos negócios e adaptar a comunicação para o universo digital.

Mundo do Marketing – Depois de dois anos, esse é o retorno da feira. Como está a expectativa e as projeções?

Luciana Ramos – Estamos muito animados para esse retorno, as expectativas são as melhores possíveis. Após dois anos, nós realmente estamos com saudade de encontrar os visitantes e expositores. O credenciamento antecipado também ficou acima do esperado: 65% dos visitantes estarão na Escolar pela primeira vez! Temos 138 expositores nesta edição do evento e a expectativa é superar os 12 mil visitantes nos quatro dias. A recepção da feira já está bem positiva, não só em relação a expositores como também a visitantes. O setor se reinventou na pandemia, mas acredito que a feira se reafirmou como propulsora de negócios.

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