Sem tom e expressão, a ?descomunicação? cresce 20 de abril de 2011

Sem tom e expressão, a ?descomunicação? cresce

         

O problema gerado virtualmente atinge amizades e negócios no mundo real

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<p>Por Rodrigo Batalha*<br /> <br /> Não há uma só revista voltada para os segmentos de marketing e publicidade que não cite o poder e a evolução das redes sociais, ferramentas e aplicativos virtuais de comunicação, e do volume de negócios e informações que cada vez mais eles são capazes de gerar. Estima-se que o Facebook cresça mais 40% até o final de 2011. Enquanto isso, o arsenal de variadas criações tecnológicas se lançando no mercado com foco no exemplo bilionário de Mark Zuckerberg não para de crescer.<br /> <br /> Tudo muito natural, tendo vista que a produção de gadgets eletrônicos dispara na mesma velocidade, fomentando ainda mais o poder da comunicação por caracteres, sem a possibilidade do uso de tom de voz e expressão corporal. O embuste é justamente esse. A ausência de tom e expressão na comunicação virtual permite que os textos redigidos de maneira muitas vezes corrida neste cotidiano atolado de engarrafamentos num trânsito cada vez mais insano, sejam mal interpretados pelo destinatário, que usará seus parâmetros pessoais, referências e experiências próprias para julgar como quiser – inclusive de forma autônoma – a conjunção de letras que lhe foram enviadas (pouco importa se via iPhone, Blackberry, do orelhão ou liquidificador…rsss).<br /> <br /> Um alerta… se já é complicado o entendimento entre as pessoas quando se comunicam pessoalmente usando tom e expressão, imagine considerar todas as diferenças de religião, sexo, gostos, formação, preconceitos, educação, referências, identidades, experiências, crenças, culturas, línguas, manias e hábitos, numa comunicação onde as únicas a desfilarem pelas máquinas são letras e mais letras baseadas na interpretação de outras letras sem rosto e entonação.<br /> <br /> Levanto essa questão devido a um fato: a maioria das pessoas que se comunica diariamente por meios eletrônicos não apenas ignora boa parte do que a boa educação manda – me refiro a educação comum, não a etiqueta virtual – mas é totalmente indiferente aos famosos “emoticons” (carinhas virtuais), que a indústria de softwares criou justamente com a finalidade de tentar suprir uma pequena parte dessa carência de expressões na comunicação virtual, objetivando que interpretações equivocadas de frases e textos aconteçam em menor número. Ou vai dizer que com você nunca aconteceu algum erro de interpreção por email, MSN, Facebook ou até SMS? A notícia ruim é que o problema gerado virtualmente atinge amizades e negócios no mundo real.<br /> <br /> Diariamente uma avalanche de situações desconfortáveis ocorrem pela falta de tom e expressão nos diálogos virtuais. Isso porque é cada vez mais comum ver pessoas trocando um agradável telefonema por torpedos, tweets e emails. Não seria mais gostoso ao invés de ler “eu te amo” numa linha eletrônica fria, ouvir “eu te amo” com entonação esfuziante e acompanhado de uma tremenda risada de alegria e desejo? Temos que parar de virtualizar tudo que se vê… até em novela já criaram um dispositivo em forma de mulher… tô fora!!<br /> <br /> O mundo tecnológico está aumentando, e com isso, o tom e as expressões vão sendo ignorados. Não bastasse os muitos caras de paus que ignoram emails o ano inteiro e sequer tem a educação de responde-los – mas que quando pessoalmente abraçam cinicamente ou em menos de cinco minutos após receberem aquele convite eletrônico pra festa são os primeiros a confirmarem presença no evento – ainda nos deparamos com inúmeros escólios surreais de algo que foi escrito sorrindo, mas que infelizmente foi lido por alguém fora de seu estado emocional ideal, e que deu um significado mordaz ao elogio que foi escrito de forma verdadeira.<br /> <br /> Se você estiver reclamando de ter que gastar sua franquia ligando de um pequeno aparelho celular ou de usar emoticons ou “rss…” pra esclarecer seu estado emocional num texto, saiba que tom e expressão são mais de 90% na comunicação… E lembre-se que há alguns anos vivíamos torcendo para que nossos amigos não tivessem números de telefone com zeros, pra não ter que “discar” daquele velho trambolho preto ligado na parede por um fio que mais parecia uma corda.  Foque nas soluções e esqueça os problemas, o corpo fala bem melhor que o teclado!<br /> <br /> * Rodrigo Batalha é Coach, palestrante e escritor graduado pela Robbins Research International de Los Angeles – <a href="http://www.rodrigobatalha.com" target="_blank">www.rodrigobatalha.com</a></p>


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