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Revolução digital decreta o fim da gestão em prol da curadoria

Novo livro mostra como o aumento populacional e o advento da internet estão mudando a lógica por trás das organizações - sejam elas empresariais, políticas ou sociais

Por | 11/04/2016

renata.leite@mundodomarketing.com.br

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Carlos Nepomuceno, autor do livroTodas as empresas já perceberam que, cedo ou tarde, pode - e deve - aparecer uma startup capaz de causar uma disruptura no mercado delas. Assim aconteceu com os setores de mídia (YouTube, Netflix), de táxis (Uber), hoteleiro (AirBnB) e de shoppings (MercadoLivre). O modelo tradicional de fazer negócios está sob ameaça de uma nova geração de plataformas digitais, que obrigam as organizações a reverem suas estruturas. A direção para a qual caminham as soluções é apresentada no livro "Curadoria Digital: um novo modelo de administração para o Sapiens 3.0", a ser lançado nesta quinta-feira, no Rio.

A obra decreta o fim da gestão em prol da curadoria, ao prever uma nova era de empresas sem gerentes e lideradas por consumidores. A explicação para essa nova fase do mercado estaria na evolução da própria espécie humana, impulsionada pelo aumento demográfico da população. Assim como, no fim da Idade Média, a sociedade monarquista e feudal migrou para a República, neste momento, as pessoas buscam uma forma de organização mais participativa e eficiente.

Essa é uma resposta ao crescimento da complexidade de uma população planetária que atingiu a marca de 7,3 bilhões de indivíduos em 2015. "A gestão é filha da escrita e dos meios de comunicação de massa, nos quais há um emissor que controla tudo e organiza a vida das pessoas. Existe um centro que produz um livro ou uma carta e que os emite para alguém, que os receberá fechados, sem poder alterá-los. Isso define a tipologia de poder que existe nas cidades", analisa Carlos Nepomuceno, autor do livro, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Organização dos insetos
Esse modelo funcionou bem durante um tempo, mas acabou se tornando ultrapassado diante da explosão demográfica, que exige formas de organização mais sofisticadas. Aliado a isso, surge uma nova mídia que oferece o ferramental necessário para acelerar as transformações: a internet. Assim como, no passado, o rei foi "partido" nas figuras do presidente, do primeiro ministro e dos parlamentares, pulverizando o poder na República, chega o momento de descentralizá-lo ainda mais. Nas empresas, o poder migra dos gestores para os consumidores.

Na Uber, por exemplo, não é um gerente ou um diretor que diz se o serviço está sendo bem executado, mas os passageiros, que sinalizam sempre que um carro está sujo ou o motorista não lhe oferece água. A plataforma digital e o algoritmo permitem essa transferência de responsabilidades, comum a todos os novos negócios disruptivos. Em vez de um comando centralizado, as organizações (empresariais, políticas e sociais) passam a contar com lideranças contextuais.

As pessoas começam a adotar uma lógica de coletividade mais próxima a dos insetos - que também formam populações muito densas. "Em cada momento, um é o líder, conforme a sua relevância no contexto. As lideranças em um formigueiro são contextuais. Cada formiga manda de acordo com a relevância que o formigueiro atribui a ela. Quando uma formiga descobre um caminho para a comida, ela traça um rastro químico e passa a ser seguida por todas as demais. Acabou a comida, aquela formiga perde a importância. Você não pode ter uma formiga escolhida por todas como aquela responsável pela busca de comida", compara Nepomuceno.

Começando do zero
Essa nova lógica significa uma ruptura drástica nos padrões, movimento que é incompatível com o modelo das empresas tradicionais. Não raras tentativas de introduzir mudanças nessas companhias são frustradas por resistências internas. Isso se deve à cultura dominante nelas. É impossível implantar a lógica da Uber em uma cooperativa de táxi, porque a última está erguida sobre os alicerces próprios do Século XX.

Não basta apenas criar uma página nas redes sociais - dando alguma voz aos consumidores -, realizar hackatons ou abrir ambientes colaborativos. Isso funciona como tomar um xarope quando a doença pede uma cirurgia. "A saída para as companhias tradicionais é criar um laboratório separado, como se fosse uma startup, para ali montar uma cultura nova de administração. Essa empresa tenderá a crescer e, um dia, matar a organização que hoje é a principal, no tempo adequado", avisa Nepomuceno.

Para ele, somente essas plataformas participativas trarão as respostas que as pessoas pedem hoje. "Os seres humanos não têm um teto demográfico. Vamos crescendo e sempre dependeremos de uma guinada da tecnocultura para dar vazão à complexidade. As pessoas estão insatisfeitas com as organizações na área da educação, da política, da justiça, de tudo, porque o modelo não resolve mais o problema da complexidade. Tudo passará para o formato de curadoria, que permite às pessoas participarem e decidirem", conclui o estudioso, que também realizará palestra na Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, nesta quinta-feira, às 18h.

* Com reportagem de Bruno Mello.

Curadoria Digital

 





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