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Por onde vazam os lucros do varejo?

Crise obriga empresas do setor a analisarem perdas e reverem processos para preservar o faturamento. Período de prosperidade levou comércio a afrouxar a vigilância administrativa

Por | 19/11/2015

renata.leite@mundodomarketing.com.br

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Cláudio Felisoni de Angelo, Presidente do Conselho do Ibevar/ProvarA prosperidade econômica dos últimos anos elevou os rendimentos do comércio, mas teve um efeito negativo. A bonança levou muitos varejistas, especialmente os pequenos, a terem sucesso mesmo deixando de lado cuidados importantes na gestão. O resultado é que as perdas no setor subiram de 1,68% sobre o faturamento líquido, em 2004, para 2,89%, em 2014, segundo mostram os resultados preliminares da 15ª Avaliação de Perdas no Varejo Brasileiro do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo (Ibevar).

A alta também pode ser explicada por uma mensuração mais minuciosa por parte das empresas, que agora voltam-se para enxugar custos e otimizar resultados, para sobreviver ao período de recessão econômica e à inflação que deve chegar a 10% este ano. Comparativamente a outros países, o índice brasileiro é bem alto. Na América do Norte, a média fica em 1,49%; na Europa, 1,27%; na América Latina é de 1,60%; e na Ásia Pacífico, 1,16%. O país está acima inclusive da média global, de 1,36%.

O custo disso é alto e não pode mais ser menosprezado diante da conjuntura do mercado. "Esse desempenho é influenciado por dois elementos importantes. De um lado, estão as características estruturais do próprio varejo, com a intensificação da questão da segurança; e, de outro, uma preocupação maior em medir e saber o que está acontecendo", afirma Cláudio Felisoni de Angelo, Presidente do Conselho do Ibevar/Provar, em coletiva de imprensa realizada nesta quarta-feira.

Maiores perdas entre micro e pequenos
Entre supermercados, lojas de materiais de construção e farmácias, as principais causas de perdas são erros operacionais, como os de inventário; quebras operacionais; furtos cometidos por funcionários, por consumidores; e fraudes de terceiros. Já as micro e pequenas empresas de diversos ramos de atividade consultadas sofrem com a inadimplência, os produtos danificados, assaltos, problemas com cheques, itens vencidos, furto externo e erros administrativos, nesta ordem de relevância.

Os índices de perdas são maiores neste grupo, chegando a 4,44%. Depois aparecem os supermercados, com 2,98%. Destas redes de alimentos e outros produtos, apenas 36,28% afirmaram possuírem área de prevenção a perdas. São diversas as medidas adotadas pelas varejistas dos variados setores. "Com o dinheiro entrando pela janela, a administração ficou um pouco de lado. Já quando o vento para de soprar dessa forma, a gestão muda. O olhar do balcão para dentro passa a ser mais relevante. A tecnologia tem papel essencial em todo esse processo de controle", aponta Felisoni.

Entre os recursos adquiridos para reduzir as perdas estão circuitos internos de televisão, cofres e alarmes, assim como cabos e correntes de fixação de produtos; coletor de dados para realização do inventário; e softwares de monitoramento e acompanhamento das perdas. Outras atividades também são implementadas, como a introdução de processos mais cuidadosos de recrutamento e seleção, participação nos lucros atrelada aos resultados de perdas, adoção de um telefone de denúncia, treinamentos para colaboradores e concursos de redução de perdas com premiações.

Mudanças em processos
As empresas também vêm ajustando processos internos para minimizar os custos com essas perdas. Eles se referem a controles de trocas de produtos por clientes, de recebimentos e de transferências entre lojas. Há ainda aquelas que vêm investindo em auditorias do inventário e dos procedimentos operacionais. A adoção do cliente oculto é mais uma ferramenta que tem garantido um maior controle e até a redução de perdas. Até a utilização de saco de luxo transparente foi apontado por alguns dos entrevistados como parte da solução.

A amostra da 15ª Avaliação de Perdas no Varejo Brasileiro contou com mais de três mil lojas, que reúnem juntas mais de seis milhões de metros quadrados em área de vendas e um faturamento bruto de R$ 131 milhões. A quantia representa pouco menos de 10% do total de venda de bens no país. O levantamento foi realizado com a parceria do Sebrae, da Associação Brasileira de Supermercados (Abras) e da Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco).

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