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Crescimento de viagens corporativas exige mudanças no trade de turismo

Cidades pequenas buscam capacitação para adequarem suas ofertas a um perfil que busca roteiros e experiências diferenciadas àquelas direcionadas para os demais turistas

Por | 04/09/2015

renata.leite@mundodomarketing.com.br

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Elza Tsumori, Consultora Associada da MiceUm dos poucos setores que estão passando bem pelo período de recessão é o de turismo, que mesmo com o dólar alto continua aquecido, ao menos internamente. A proximidade das Olimpíadas e a visibilidade do país com a realização de eventos anteriores, como Copa do Mundo e Jornada Mundial da Juventude, vêm atraindo também estrangeiros para o Brasil. Toda essa movimentação acaba, muitas vezes, ofuscando a relevância do turismo de negócios, que tem demandas específicas nem sempre atendidas pelas empresas locais.

Em 2014, a cadeia que reúne agências de viagem, hotelaria e empresas aéreas movimentou R$ 200 bilhões. As viagens corporativas responderam por R$ 14,9 bilhões deste montante, segundo a Abracorp. O crescimento foi de 14,5% em relação a 2013. Para este ano, a expectativa é de que a alta no nicho seja de 10% em relação a 2014. Embora a finalidade principal desses turistas seja o de realizar negócios e reuniões, ou mesmo participar de eventos corporativos, suas estadas nos destinos não costumam se resumir a trabalho, o que gera oportunidades por vezes desperdiçadas.

Percebendo a lacuna no atendimento, a Mice Brasil Consulting se uniu à Embratur e ao Convention & Visitors Bureau de vários municípios para realizar workshops de capacitação com os players. "O objetivo é mostrar como o trade precisa se preparar para recepcionar esse público, desde hotelaria, a comércio, guias, transporte. Direcionamos o olhar para a criação de novos serviços e produtos para atender aos turistas corporativos, que costumam buscar um atendimento mais diferenciado e ter um alto poder aquisitivo", analisa Elza Tsumori, Consultora Associada da Mice, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Escape do eixo Rio-São Paulo
O trabalho já passou pelas cidades de Recife, Maceió, Foz de Iguaçu, Ilha Bela, Fortaleza e Natal. A capacitação tende a favorecer a realização de eventos e encontros corporativos fora do tradicional eixo Rio-São Paulo, já que as empresas cada vez mais valorizam oferecer uma experiência diferenciada aos funcionários. O trade do município também tende a ganhar com o redirecionamento dos eventos.

Alguns locais já estão colhendo os resultados da capacitação. "Logo ao término das aulas e workshops, já realizamos a captação de eventos com visitas técnicas de executivos. Um dos desafios era conseguir levar eventos que ocorriam em São Paulo para Ilha Bela, por exemplo. O ponto turístico de lazer já recebeu, no fim do ano passado, um congresso médico", comemora Elza.

É importante, entretanto, que a experiência seja satisfatória para que haja credibilidade para a realização de outras iniciativas posteriormente. Há peculiaridades em relação ao público com perfil corporativo que não podem ser deixadas de lado. Mesmo estando em uma viagem de incentivo, por exemplo, esses profissionais tendem a ser mais exigentes do que aqueles que estão visitando a região por conta própria, a lazer. Essas pessoas estão ali porque foram premiadas e reconhecidas, o que as faz desejarem um tratamento diferenciado.

Edmundo Monteiro de Almeida, Consultor Associado da MicePerfil do turista
O desafio para a cadeia é conseguir adequar seus produtos a esse novo perfil. "O turista corporativo exige mais customização, mas o trade, muitas vezes, tem receio de mudar sua forma de agir, já que vem dando certo. Nosso trabalho é o de mostrar que as alterações podem trazer um resultado financeiro muito positivo. Também é importante considerar que o grupo é formado por pessoas cultas, elitizadas. Trata-se de uma mudança conceitual", diz Edmundo Monteiro de Almeida, Consultor Associado da Mice, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Esse público se mostra mais interessado em vivenciar a cultura e a história locais por meio das experiências oferecidas pelos hotéis, pelas agências e pelos guias. É possível que os roteiros mais tradicionais não o conquiste tão facilmente, como a outros turistas. "As empresas que premiam colaboradores ou outros stakeholders, como fornecedores, muitas vezes, apostam em um tema social, educativo, ligado a algum negócio da companhia, para agregar conhecimentos à viagem. Isso faz com que haja demanda por visitas a determinadas áreas que não seriam buscadas em uma situação comum. E o trade precisa estar pronto para se adequar a isso", comenta Elza.

As cidades capacitadas pela Mice são marcadas pela presença não só dos grandes conglomerados hoteleiros, mas, ao mesmo tempo, por microempresas. A consultoria, além dos workshops, realizou diagnósticos das localidades nas quais atuou, de forma a encontrar as vocações próprias de cada região e, assim, prospectar possíveis empresas e eventos que se interessariam em enviar funcionários ou outros parceiros para o destino. Assim, as aulas já são direcionadas para esses perfis, de modo a gerar insights de produtos e serviços customizados. 

Leia também: Panorama do mercado de turismo. Estudo do Mundo do Marketing Inteligência. Conteúdo exclusivo para assinante.

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