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Crises hídrica e energética desafiam empresas a serem mais eficientes

Organizações terão que encontrar a equação perfeita para ajustar linha de produção com menos água e eletricidade, mas mantendo o mesmo resultado de antes

Por | 24/02/2015

roberta.moraes@mundodomarketing.com.br

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A superação dos limites impostos pelas crises hídrica e energética que atormentam o país será um dos grandes desafios para os empresários ao longo deste ano. Apesar de não serem tão recentes, os problemas só estão começando, já que o registro de chuva está abaixo do esperado. Com um risco iminente de racionamento de água - embora o governo diga o contrário - e os já anunciados reajustes na conta de luz, o custo para empreender no país ficará cada vez mais alto.

Para 2015, a previsão de aumento do custo da energia para a indústria foi atualizada pela Firjan, passando de 27,3% para 34,3%, já considerando o fim do subsídio do Tesouro e estimativas conservadoras sobre as condições do novo empréstimo ao setor. Entre os 27 países analisados, o Brasil ocupa a sexta posição com a cobrança mais cara, atrás da Índia e da China, que também figuram entre os Brics (grupo de países em desenvolvimento). Ainda segundo o levantamento, o custo da energia para a indústria no Brasil é 214,9% superior à média do custo dos Estados Unidos. Por aqui são cobrados 46% a mais da média internacional, o que representa um custo adicional de R$ 128,00 por MWh.

Para tentar minimizar os impactos com tantos reajustes, é preciso encontrar o caminho mais eficiente para a produção. "As empresas devem estudar a melhor forma de organizar sua linha de produção para tentar chegar ao mesmo nível de produção com menos energia. Isso pode ser feito trocando as lâmpadas por outras mais eficientes e substituindo máquinas antigas por versões mais modernas, que garantem melhor e maior produção com menos consumo de energia. São várias as possibilidades de se produzir a mesma quantidade ou até mais mudando hábitos. Para isso é fundamental que as empresas estejam alinhadas com o departamento de Recursos Humanos", explica o consultor Mikio Kawai, da Safira Engenharia, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Escassez de água prejudica produção industrial
Diretamente ligada à limitação de energia está a escassez de água. Não por acaso, mais de 30% das empresas sediadas no Rio de Janeiro já estão enfrentando problemas por conta do baixo nível nos reservatórios. O dado é da Firjan, que ouviu representantes de 487 empresas fluminenses, a maioria de pequeno porte (76,8%). Entre as mais afetadas, 50,3% afirmam que o principal efeito sentido foi o aumento do custo de produção. A solução mais citada por elas para reduzir os efeitos da escassez de água foi o controle do consumo, apontada por 57% dos entrevistados. Campanhas internas conscientização (48,3%) e uso de poço artesiano (33,1) também foram mencionados.

Nos últimos dois anos, 56,7% das empresas já adotaram medidas para reduzir os gastos com água. Após a implantação dessas ações, o resultado foi uma redução de 25,6%, em média. A maior parte das companhias consultadas atua no segmento de vestuário e acessórios (19,3%), seguido de produtos de metal (14,6%). A falta de chuva e de políticas de gestão inteligente do insumo estão impactando todos os setores da economia. Fundamental para a produção no campo, o uso da água na lavoura ainda carece de maior atenção governamental.

O Brasil possui 12% da água potável do mundo, mas ainda é campeão em desperdício. "A escassez de água é um problema global, apesar de sermos o planeta azul. O consumo das pessoas representa menos de 10% da água potável. A maior parte do recurso é usado pela agricultura, que, por exemplo, consome quase dois mil litros de água para produzir um quilo de arroz. Há muito desperdício, como a irrigação excessiva ou em horários de calor intenso. Existem tecnologias disponíveis, mas falta incentivo do governo, como linha de crédito, para estimular a racionalização no uso da água", comenta Cezar Taurion, CEO da Litteris Consulting e autor do livro "Tecnologias Emergentes - Mudança de atitude e diferenciais competitivos nas empresas", em entrevista ao Mundo do Marketing.

Associação cria cartilha da seca
Diante do cenário de incertezas, dificuldades e limitação de recursos, a Associação dos Bares e Restaurantes de São Paulo (Abrasel-SP) criou uma cartilha para orientar os empresários durante os dias de "seca". O documento sugere, inclusive, que o estabelecimento feche em caso da falta completa de água. Além de direcionar os proprietários, a iniciativa visa educar funcionários e clientes, com a afixação de cartazes em locais públicos, mostrando que toda a sociedade é responsável pelo uso racional da água.

Entre as ações, a Abrasel indica que sejam colocados bicos nas torneiras para reduzir o fluxo de água; que a louça e as panelas sejam limpas antes de irem para a pia, retirando o excesso de resíduos; que a máquina de lavar louças seja usada apenas com a capacidade máxima; e frutas e verduras sejam higienizadas em bacias, para reaproveitamento da água. O uso de materiais descartáveis e a aquisição de baldes e caixas d´água para armazenamento de água da chuva também estão na lista. Entre os itens mais drásticos - além do já citado fechamento - está a remoção do cardápio dos itens que mais utilizem água no preparo.

A iniciativa visa principalmente evitar que se chegue ao rodízio no abastecimento, como foi levantado pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), no fim de janeiro. "Nossa preocupação é com a conscientização. Esta não é uma questão eventual e a água é um recurso finito, que já falta em muitos lugares do planeta. O enfrentamento da crise passa por algumas ações e nós queremos que nosso setor cumpra com a sua responsabilidade", afirma Percival Maricato, Presidente da Associação dos Bares e Restaurantes de São Paulo, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Rede de restaurantes encontra soluções para economizar
Muito antes da formulação da cartilha, a rede de restaurantes Divino Fogão buscou soluções para driblar o alto custo de água e energia elétrica, reduzindo o desperdício e, principalmente, as contas. Ainda em dezembro de 2011, a empresa começou a trocar as tradicionais torneiras pelas acionadas exclusivamente por pedais. A economia deu certo e o que foi um projeto piloto em Caraguatatuba, litoral Norte de São Paulo, foi se estendendo para as demais lojas da rede e hoje faz parte do modelo de franquia. Além disso, nas unidades onde há forte pressão, a rede incentiva a instalação de dispositivos para diminuir a força da água. Com isso, registrou-se redução extra de 10% do gasto nas pias.

O investimento com as novas torneiras foi pago no terceiro mês, já que as contas tiveram queda de 30%. "O custo mais pesado da nossa operação é a água. Por isso, ainda em 2011, começamos a implantar um sistema que permite diminuir o consumo e, principalmente, o desperdício. Com a torneira de pedal, a água só sairá se o funcionário realmente a estiver utilizando, o que reduz o gasto desnecessário. Apesar das iniciativas, encontramos alguma resistência por parte dos funcionários, que ainda não entenderam a necessidade de economizar. Afinal, o que antes era uma preocupação com a conta, agora é uma questão de sustentabilidade", reforça o Diretor de Operações da Divino Fogão, Emiliano Silva, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Para reduzir os gastos com energia, a empresa passou a usar lâmpadas de LED em suas unidades. Com a troca, o consumo teve queda de cerca de 50% e o valor das contas sofreu redução de até 20%, dependendo do tamanho da unidade. A economia fica ainda mais representativa, dependendo do estado onde a franquia atua, já que o custo varia entre as unidades da federação. A iniciativa é compensada em até oito meses com a redução da conta.  "Esse investimento compensa. Ainda mais se pensarmos a longo prazo, já que a energia ficará cada vez mais cara", diz Emiliano Silva.

Nos últimos seis meses, todas as novas unidades foram inauguradas com lâmpadas de LED no atendimento, e a próxima loja, que será aberta em março, será totalmente com iluminação econômica: além do atendimento, as partes externas e internas, cozinha e escritório receberão a luz mais eficiente. O item passou a ser obrigatório e para as unidades antigas - franqueadas ou próprias -, a rede deu prazo até o fim do ano para que todas as lâmpadas sejam trocadas.  Com a economia consolidada, as torneiras com pedal e as lâmpadas de LED passaram a fazer parte do caderno de montagem das lojas e são itens obrigatórios.

Leia também: Índice de Consumo Consciente do brasileiro. Pesquisa no Mundo do Marketing Inteligência. Conteúdo exclusivo para assinantes.

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