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Samsung enfrenta o desafio de lançar 200 produtos por ano

Marca coreana vende de celular até geladeira no Brasil

Por | 13/10/2010

bruno@mundodomarketing.com.br

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Um banner com cerca de dois metros e meio de largura por um metro e meio de altura pregado na parede do departamento de Marketing da Samsung mostra a meta de vendas de aparelhos celulares no mês de outubro: 2.000.000. Este é só um exemplo do estilo agressivo de uma das marcas mais valiosas do mundo que está no Brasil há menos de 10 anos, mas que já conquistou a liderança do mercado de celulares por aqui e promete incomodar em outros setores.

Os dois milhões de aparelhos representam a face mais conhecida da marca coreana no Brasil, juntamente com os televisores e monitores para computador. Mas tem muito mais. Por aqui são vendidas também câmera digital, filmadora, impressora, DVD, notebook e até máquina de lavar e geladeira. A Samsung é a única empresa de eletrônicos no país a ter uma extensão de marca tão grande, todas atuando em mercados extremamente competitivos sob um mesmo nome.

Por isso, a empresa é obrigada a lançar nada menos do que 200 produtos por ano. A cada 12 meses a Samsung descontinua uma linha e faz o lançamento de outra. A justificativa, além da forte concorrência, é que a empresa atua em mercados capitaneados pela inovação e pelo design. Deixar o mesmo produto na prateleira por mais de um ano significa parecer velha e ultrapassada, mesmo que a maioria dos consumidores não tenha tempo suficiente para esgotar todas as possibilidades de um produto em tão pouco tempo.

Sumsung enfrenta o desafio de lançar 200 produtos por anoPuxado pela inovação
Todas as grandes multinacionais de eletrônicos têm altos investimentos em tecnologia e são marcas consolidadas. "É um mercado movido pela inovação. Temos que enxergar o produto em todo o seu ciclo e levamos em média de seis meses a um ano para lançar outro", explica Carlos Werner (foto), Diretor de Marketing da Samsung. "Não estamos mudando só por mudar. É para oferecer benefícios tangíveis. Se mantermos o mesmo celular por dois anos ele ficará desatualizado. A velocidade de inovação cresceu demais. Passamos décadas com TVs de tubo que não mudavam", aponta o executivo em entrevista ao Mundo do Marketing.

A Samsung estreou no mercado brasileiro vendendo videocassete e cresce o seu faturamento por aqui em 35% ao ano desde 2004. A marca está em mais de 100 países e o Brasil figura entre os 10 mais importantes, com expectativas de se tornar um dos cinco mais representativos para a companhia no mundo ao final deste ano. Atuando em três grandes divisões de negócios, eletrônicos (TV, DVD, Câmera, Filmadora e Linha Branca), Telecom (celulares) e TI (disco rígido, monitores e agora notebook), a empresa enfrenta um grande desafio de gestão de marca.

O primeiro foi fazer a marca ser conhecida. "Passamos por todas as fases de construção de marca no Brasil porque a Samsung é jovem no varejo, desde a construção de conhecimento de marca até a preferência", afirma Werner. Durante muito tempo a empresa foi reconhecida apenas no mercado de celulares e de televisores. "Nosso grande desafio é manter a coerência e fazer com que a Samsung seja vista como uma única personalidade com uma proposta de valor clara. Ela não pode significar coisas diferentes dependendo do produto. O grande desafio é unificar tudo", completa.

Touch screen para a massa
Agora, a missão é criar ainda mais valor e estabelecer a personalidade da marca corporativa para que ela seja transportada para as várias categorias de produtos que estão sendo lançados, como a de notebooks e netbooks, que chegaram ao mercado neste mês. A Samsung ainda está construindo os fundamentos deste negócio, investindo em assistência técnica, comunicação e distribuição depois de ter montando uma fábrica específica para os computadores portáteis. A meta, diz a empresa, é ser líder do segmento, assim como é em celulares.

A estratégia de gestão de produtos é a grande responsável por isso. Além de ter o modelo Galaxe S, um dos tops da categoria de smartphones touch screem, com sistema operacional Android, do Google, e receptor de TV Digital, a marca tem um portfólio bem segmentado. Os aparelhos da marca estão divididos em várias faixas de preço, com o diferencial de ter colocado no mercado modelos de entrada com tecnologia touch screen. "É aqui que estão os grandes volumes", ressalta Carlos Werner.

Para vender estes grandes volumes é preciso uma estratégia diferenciada de comunicação, relacionamento e promoção. Por isso, a marca criou no último mês a "Semana Tudo Azul Samsung". Inspirada na mega liquidação nos Estados Unidos chamada de Black Friday, a empresa ofereceu preços e condições de pagamento especiais para produtos eletrônicos, de linha branca, de telecom e de informática em parceria com o varejo. "Como o resultado foi muito bom há a tendência de repetir algumas vezes", adianta o Diretor de Marketing.

Promoção e relacionamento
A Samsung também usa o esporte como plataforma de Marketing ao patrocinador as Olimpíadas, mas é na internet que está o seu segundo maior investimento em mídia. "Hoje a internet é um grande meio de busca de informação. Temos que tirar dúvidas e estar ligados no que as pessoas estão falando nas redes sociais", conta Werner. Além do relacionamento digital, a marca também tem promovido uma aproximação real.

Desde o ano passado a empresa investe mais no nordeste, mercado em forte expansão. Para se fazer presente e se aproximar de consumidores, a marca patrocinou o carnaval de Salvador e a Festa de São João de Caruaru recentemente. O relacionamento com o cliente de outros mercados acontece por meio de um programa de CRM que oferece promoções exclusivas e uma revista de lifestyle que transporta os valores e estética da marca.

Quando o assunto é ponto de venda, a Samsung foi pioneira em criar o seu próprio no Brasil. A loja conceito que fica no Shopping Morumbi, em São Paulo, expõe todas as novidades da marca e coloca um personal tech treiner para dar treinamento gratuito e tirar dúvidas dos potenciais compradores. "É um espaço para tomar decisão de compra com paz de espírito porque ninguém pressiona para comprar", esclarece Carlos Werner. O espaço respira a marca e serve para testar modelos de exposição. Afinal, a Samsung tem que vender muitos dos seus 200 lançamentos por ano.





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