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Estudo detalha comportamento do consumidor carioca

Pesquisa mostra contradições culturais, solidariedade, pechincha e boca-a-boca

Por | 24/09/2008

pauta@mundodomarketing.com.br

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Estudo detalha comportamento do consumidor carioca

Por Thiago Terra
thiago@mundodomarketing.com.br

O Brasil é o país das culturas diferentes, da mistura de povos e de características diversas. A cultura da população de cada estado brasileiro pode até ser parecida umas das outras, porém o consumo e o estilo de vida dos consumidores sofrem divergências explícitas que podem ser vistas a partir de um olhar mais atento.

Sabendo disso, é cada vez mais comum as empresas buscarem mercados específicos para o lançamento de bens e serviços, ou realizarem eventos em cidades específicas devido ao público-alvo que pretendem atingir. O Rio de Janeiro foi alvo de um estudo de Simone Terra, consultora associada do Senac Rio e Diretora da Simone Terra Soluções de Mercado, que apresentou o resultado de forma compacta durante o Seminário Estilo de Vida e Consumo, evento realizado pelo Senac Rio, na capital carioca.

A cultura do carioca apresenta características peculiares de uma população que convive com um sentimento de revolta por parte das desigualdades sociais, mas aproveita qualquer oportunidade para "se dar bem". O estudo mostra que quem vive no Rio é solidário e que até as classes menos favorecidas se ajudam diante de dificuldades financeiras.

Cultura como fonte de informação
Para entender o comportamento de consumo do público carioca é necessário abordar temas como família, religião, classe social, educação e até os meios de comunicação que eles consomem. De acordo com Simone Terra, o comportamento do consumidor é o resultado da identidade da pessoa junto às tendências globais que os cercam.

A cultura da população é uma das melhores fontes de informações sobre um público porque está inserida no dia-a-dia do consumidor. Portanto, a cultura - não só do carioca como de todo o mundo - está em constante mutação. "É só perceber que a moda vai e vem e quanto mais ouvimos falar em globalização, mais regionalizadas as pessoas ficam", aponta Simone.

A crescente oferta de produtos de diferentes origens gera uma fluidez cultural entre os povos, mas ao invés de unir culturas e diminuir diferenças, alimenta separações por conta de regiões distintas, o que reflete indiretamente no comportamento de compra do consumidor.

Revolta e bom-humor caminham juntos
O estudo aponta para o carioca como um indivíduo que vive lutando pelos seus direitos através de seus valores, porém convive com inúmeras contradições socioculturais. "Eles têm um perfil revoltado com as diferenças sociais e com a política. Basta lembrar do Macaco Tião", - candidato fictício criado pelo público carioca durante eleição na década de 1990 - diz.

Marca registrada dos moradores do Rio de Janeiro, a malandragem é outro ponto forte do comportamento destes consumidores. Esta característica agrega também outros atributos ao perfil do carioca, como a desconfiança. "Estes consumidores acreditam que podem ser enganados por pessoas que querem se dar bem, assim como eles. Isto gera insegurança no consumo", afirma Simone.

A pesquisa também ressalta que a desconfiança dos cariocas reflete tanto no dia-a-dia que este público se tornou o que mais lê o rótulo das embalagens em todo o país. Por conta disso é que antes de pisar em um ponto-de-venda os cariocas aproveitam a sua maior arma contra a enganação ou a própria desconfiança: a informação através do boca-a-boca.

Vantagens e solidariedade
No quesito boca-a-boca, os oriundos da cidade maravilhosa têm o maior poder entre os estados brasileiros. "É comum os cariocas pedirem e darem conselhos sobre bens e serviços antes que um amigo faça uma compra. Eles visitam as lojas antes de comprar qualquer coisa", conta a consultora associada do Senac Rio.

As contradições deste povo somam-se ao longo do estudo. Para compreender os atributos de valor é necessário entender que os cariocas buscam uma boa compra sem deixar de pensar em pagar menos. "Para eles, fazer economia é levar vantagem ou pechinchar nas negociações", explica.

Apesar da grande desigualdade social e da defeituosa distribuição de renda do país, no Rio de Janeiro os pobres se ajudam, segundo Simone. "Vizinhos da favela se unem para pagar a faculdade de um parente ou amigo. Eles se ajudam o tempo todo, em qualquer situação", diz.

Ambientes comuns à todas as classes
As praias da cidade resumem de forma clara o ambiente em comum dos cariocas. "A classe baixa se projeta para o ambiente comum, a classe média pertence a ele e os mais ricos se esforçam para aceitar a presença destes públicos neste ambiente comum", salienta.

O comportamento do consumidor carioca revela diversas formas de ser simples e viver sem preconceitos, porém "ser gente boa" é a melhor maneira de entrar em um ambiente. "O convívio social é importante e feito através de diversos espaços públicos na cidade. É comum tocar uns nos outros e o atributo maior observado pelos cariocas em uma pessoa não é o cargo que ele ocupa", conta Simone.

Para lançar um supermercado na cidade, por exemplo, é preciso que a empresa perceba que todas as classes sociais buscam a promoção e abdicam de uma melhor estrutura para comprar produtos "mais em conta". "O carioca é fiel à economia e não à marca. Alguns varejistas mudam seu comportamento e passam a oferecer novos serviços. Um bom exemplo é que o Zona Sul passou a ter mais cara de Pão de Açúcar e vice-versa", completa Simone Terra.

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