Brasileiros mais jovens são os mais pessimistas em relação à crise | Mundo do Marketing

Publicidade

Patrocínio

Publicidade
Publicidade Publicidade
Mundo do Marketing Inteligência

Reportagens

Brasileiros mais jovens são os mais pessimistas em relação à crise

Enquanto as gerações Z, Y e X não enxergam muitas perspectivas para o futuro, Baby Boomers e Silenciosos, os idosos, veem o horizonte com mais positividade, aponta Ferraz Pesquisa

Por | 07/12/2016

roberta.moraes@mundodomarketing.com.br

Compartilhe

Felipe Ricardo, Analista de Pesquisa e Mídia da Ferraz Pesquisa de MercadoA recessão econômica que se arrasta no Brasil e a falta de perspectivas de uma solução em curto prazo estão minando o otimismo da população mais jovem, que pela primeira vez vive um período tão conturbado na vida. As gerações Z, Y e X são as mais impactadas pelo desemprego, que soma 10 milhões de pessoas, de acordo com dados divulgados pelo IBGE. Na divisão por idade, os jovens de 18 a 24 anos têm a maior parcela de desocupados (33,4% do total). Não por acaso, boa parte deste grupo tem a sensação de que a vida está completamente estagnada e alguns acreditam que estão retrocedendo.

Para tentar passar por este período desafiador, o brasileiro criou estratégias para não sentir tanto e se adequar à nova realidade financeira. Redução de consumo, troca de marcas e adaptações passaram a fazer parte da rotina das famílias. Apesar do momento ruim, em todas as gerações a maioria acredita que a situação pode melhorar daqui a um ano. Essas informações fazem parte da pesquisa "Gerações em Tempos de Crise", conduzida pela Ferraz Pesquisa de Mercado, que ouviu pessoas acima de 15 anos, de ambos os sexos e de todas as classes sociais.

Enquanto os mais jovens traçaram uma estratégia para passar pelo período e tem uma visão um pouco mais pessimista, os mais velhos, chamados neste levantamento de Geração Silenciosa, parecem mais blindados. "Os mais idosos se destacam completamente das outras faixas, seja em consumo de mídia ou de hábitos de compra. Eles têm maior controle sob os gastos e não sentem tanto a crise. Embora tenham reduzido o consumo, eles têm mais tranquilidade se comparados a pessoas de outras faixas. No entanto, concluímos que não teve uma geração mais afetada, o que percebemos foi que a Y teve alguns pontos que chamam mais atenção, como cuidado com o uso do cartão de crédito e maior índice de desemprego", comenta Felipe Ricardo, Analista de Pesquisa e Mídia da Ferraz Pesquisa de Mercado, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Poder de compra
Apesar de não haver uma conclusão incisiva sobre qual a faixa etária mais impactada, percebe-se que a geração menos afetada com a crise econômica foi a Silenciosa, formada por pessoas acima de 65 anos. Dentre este grupo, 34% mantiveram o poder de compra. Apesar de ter mantido o maior índice entre os que conseguiram permanecer no mesmo patamar, o percentual dos que tiveram queda no padrão também foi grande, 62% tiveram o poder de compra reduzido. Apenas 4% registraram crescimento neste período.

A Geração Z, formada por pessoas entre 15 e 20 anos, foi a que teve maior percepção de crescimento (20%) neste momento. O início da vida profissional, e com ela a remuneração, pode ser visto como o principal fator. Um terço conseguiu manter o poder de compra e 46% sofreram redução. A Geração Y, com jovens entre 21 a 34 anos, também sentiu bastante a influência da recessão econômica, 62% tiveram o poder de compra reduzido, 24% conseguiram manter o mesmo patamar e 24% registraram crescimento.

A Geração X foi a que mais sentiu o impacto: 74% dos brasileiros entre 35 e 49 anos tiveram seu poder de compra reduzido. Apenas 8% percebeu algum tipo de crescimento e 18% mantiveram a mesma situação anterior.  Os Baby Boomers também sentiram bastante a crise econômica, 72% tiveram o poder de compra reduzido, 26% permaneceram na mesma situação e apenas 2% perceberam uma melhora. De acordo com o levantamento, os brasileiros entre 21 a 64 anos foram os mais impactados pela crise e a maioria desses não conseguiu manter o padrão de consumo.

Redução de consumo
Com percepções diferentes sobre a crise, as gerações também investem a sua renda em segmentos distintos. Desta maneira, na hora de reduzir os gastos cada uma abre mão de uma categoria assim como foca seus recursos em produtos diferentes. Os mais jovens (Geração Z) reduziram drasticamente a despesa com viagens e vestuário. As categorias menos afetadas para esse grupo foram alimentos/supermercado, cosméticos e perfumes e cuidados pessoais.

A Geração Y cortou o lazer, que, inclusive, tem sido a principal área impactada no orçamento do brasileiro de maneira geral. A ida a bares, restaurantes e baladas foram as mais reduzidas, seguidas dos gastos com viagens, vestuário, cinema e teatro. Do outro lado, entre as categorias menos afetadas estão cuidados pessoais, alimentos/supermercado e cosméticos e perfumes.

A Geração X cortou os gastos com vestuários, cinema e teatro e viagens. Assim como a Y, os adultos entre 35 a 49 anos não estão abrindo mão dos cuidados pessoais, que foi a categoria menos afetadas para eles. Em seguida aparecem eletrônicos, cosméticos e perfumes. Entre os Baby Boomers o maior corte foi em viagens, seguido de vestuários e cinema e teatro. As categorias menos impactadas foram cuidados pessoais, cosméticos e perfume e eletrônicos.

A geração que menos fez corte no orçamento, a Silenciosa, está abrindo mão de cinema e teatro, viagens e vestuário. As categorias menos afetadas foram cuidados pessoais, cosméticos e perfumes e eletrônicos. "Independentemente da faixa etária, os cuidados com o corpo se mantêm em todas as gerações, o que mostra que o mercado de cosméticos sofre, mas não tanto quanto os outros. Tendo como base outras pesquisas de análise de consumo, percebemos que há uma redução de frequência, quantidade ou até troca de marca, mas não para de alcançar a categoria", acrescenta o Analista de Pesquisa e Mídia da Ferraz Pesquisa de Mercado.

Adaptações e maior consciência
Depois de ver a renda encolher, o brasileiro está aprendendo a viver diante dessa nova realidade. Adaptação e consciência estão sendo as palavras de ordem neste período. Quem não pode mais consumir a marca líder, procura outras, se não dá para comprar determinados produtos, a substituição pode ser uma saída. Com tantas incertezas sobre o que ainda pode acontecer no futuro, o maior temor do consumidor é adquirir novas dívidas. Justamente por conta disso, o uso do cartão de crédito está cada vez mais moderado.

A Geração Y é a que tem o maior percentual de pessoas que não usam mais o plástico (32%). Apenas 14% disseram que estão usando da mesma maneira que antes. A Geração X também tem alto nível de consciência em relação a este modelo de pagamento: 30% disseram que usam ponderadamente, 28% aboliram de suas vidas e 24% ainda estão utilizando da mesma maneira que antes. Entre os Baby Boomers, 38% disseram que usam ponderadamente e 18% apenas em último caso.  Na Silenciosa, 28% usam como de costume e 22% ponderadamente. "Entre todos eles a sensação é de que não pode usar. Por mais que tenha o uso criterioso, em último caso, a percepção é de que o brasileiro tem muito medo de se perder financeiramente e atrair novas dívidas", conclui Felipe Ricardo.

A principal sensação presente em brasileiros de todas as idades é a preocupação. Com maior ou menor intensidade, todos os entrevistados afirmaram que estão apreensivos com a crise. Entre a Geração Z surgem ainda a insegurança (22%) e desapontamento (16%). A insegurança (17%) também está latente entre a Geração Y, a única que destacou o medo (15%). Entre os consumidores da Geração X, também aparecem insegurança (24%) e desapontamento. Mesmos sentimentos que aparecem em ordem inversa entre os Baby Boomers: desapontamento (17%) e insegurança (14%). A Geração Silenciosa também se sente insegura (15%) e somam-se ao desapontamento, raiva e vergonha (13%). 

Conheça o comportamento de consumo do brasileiro no período de instabilidade econômica de acordo com a faixa etária na pesquisa "Gerações em Tempos de Crise", conduzida pela Ferraz Pesquisa de Mercado e disponível no Mundo do Marketing Inteligência. 

Comentários


Publicidade

Voltar ao Topo

Copyright © 2006-2018.

Todos os direitos reservados.

Assine o Mundo do Marketing Inteligência

Copyright © 2006-2018. Todos os direitos reservados. Todo o conteúdo veiculado é de propriedade do portal www.mundodomarketing.com.br. É vetada a sua reprodução, total ou parcial sem a expressa autorização da administradora do portal.

Auditado por: Metricas Boss