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Consumidoras passam da economia para a privação

Com o poder de compra cada vez mais reduzido, aquisições estão mais racionadas e racionais, segundo a nova fase da pesquisa Consumo feminino em tempos de crise, da Ferraz Pesquisa

Por | 26/09/2016

roberta.moraes@mundodomarketing.com.br

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Luciana Masagão, Gerente de Pesquisa de Mercado da Ferraz PesquisaA crise econômica que impacta todas as classes sociais no Brasil está modificando os hábitos de consumo da população, que tem se equilibrar para não estourar o orçamento doméstico. Se no ano passado a palavra de ordem para as consumidoras era economizar, agora ela é restringir. Sem ter como acessar certas categorias, as mulheres estão abrindo mão de muitos produtos em sua cesta de compra, como iogurtes e chocolates. Os dados são da segunda fase da pesquisa "O consumo feminino em tempos de crise", realizado pela Ferraz Pesquisa, que em 2015 já tinha apontado que as mulheres da classe AB estavam adquirindo comportamento da classe C

O levantamento aponta que o poder de compra caiu espantosamente. Antes, apesar do salário apertado, ainda era suficiente para pagar as contas, o supérfluo foi diminuído e comprava-se o necessário. Em 2016 a realidade é outra. De acordo com as respondentes da pesquisa não dá mais para viver e sim sobreviver. O salário não é mais suficiente para as contas básicas, os extras foram cortados e dá apenas para comprar o essencial. As compras passaram a ser cada vez mais racionadas e racionais, ou seja, menores e mais planejadas.

As dificuldades financeiras estão transformando completamente os hábitos das brasileiras. "Percebemos que agora a classe AB está aceitando a situação. Se antes a nova fase trazia muito sofrimento, agora ela já incorporou a nova realidade. Os novos hábitos de consumo já foram incorporados e estão cada vez mais conscientes. A classe C está sentindo ainda mais e passou a se privar e a ter um consumo mais racional", explica Luciana Masagão, Gerente de Pesquisa de Mercado da Ferraz Pesquisa, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Privação dos filhos
Um dos pontos mais sensíveis para este público são os filhos. Na classe AB elas se privam para realizar os desejos deles. Para a classe C só restou sofrer por não poder atender os desejos de consumo deles. "As que ainda têm uma condição melhor deixam de comprar algo para elas para não reduzir o padrão de vida das crianças. As com menos recursos, além de não conseguirem mais comprar o que eles querem, têm dificuldade em lidar com isso e sofrem", comenta Luciana.

Sem poder realizar os desejos dos filhos, reduzindo supérfluos, deixando de gastar com cuidados com a beleza, a brasileira está bastante pessimista, segundo o estudo. O momento muito ruim, no entanto, faz com que elas acreditem que não dá para ser piorado e que em breve a situação deva melhorar. "O que ficará de bom será o planejamento e maior consciência na hora da compra. Elas aprenderam a pesquisar, a comprar com a razão. A crise deixará um importante aprendizado em todas as classes", pondera a Gerente de Pesquisa de Mercado.

A nova fase da pesquisa aponta que as mulheres da Classe A/B percebem que a vida dela está estagnada e um de seus grandes desafios é tentar manter o mesmo padrão de vida com menos dinheiro. Já a Classe C acredita que está retrocedendo e teve que diminuir o consumo para não adquirir dívidas, seu maior temor. Para evitar cair em tentação, mulheres de todas as camadas sociais estão abrindo mão do uso de cartão de crédito. Para as classes A/B o uso é moderado e ponderado. Já as mulheres da classe C só usam em último caso e para situações urgentes.  

Desafios
Diante do cenário tão desafiador, os sentimentos apontados por elas neste momento são: culpa, depressão, tristeza, frustração, impotência e insegurança. Nem mesmo hábitos que ajudavam a melhorar a autoestima puderam ser mantidos. A aquisição de produtos de beleza foi reduzida, marcas foram substituídas e a ida ao salão de beleza só acontece em ocasiões especiais. Durante o levantamento, uma entrevistada afirmou que "não é fácil ser mulher em tempos de crise, a vaidade precisa ser deixada de lado. Mulher gosta de consumir e não tem como...".

Sem ter como manter seus hábitos, a fidelidade às marcas também ficou comprometida. Ela ainda acontece de acordo com a categoria e gosto pessoal. Entre as consumidoras da Classe C, há quem mude a marca do cosmético, mas não abre mão do café. Quando a preferência pela marca é maior do que a preocupação com o preço, elas intensificam as pesquisas para encontrar o menor valor. Entre as consumidoras da classe AB o jeito é reduzir o consumo para comprar o fabricante preferido. Se não dá para comprar a marca líder de leite condensado, por exemplo, o jeito é reduzir a quantidade de sobremesa.

Como a pesquisa de preço se tornou ainda mais importante nos lares brasileiros, a percepção das consumidoras é que a vida além de difícil, ficou trabalhosa. Antes, as consumidoras de todas as classes iam a apenas um supermercado, hoje elas vão em busca das promoções e passaram a comparar preços por meio dos encartes. "A mulher brasileira é uma guerreira. Apesar de todas as adversidades elas dão conta de casa, filho, trabalho e estão sempre animadas. Elas acreditam que a situação financeira irá melhorar e que nesta nova fase todos os aprendizados permanecerão. As empresas que conseguirem ser parcerias neste momento difícil, seja mostrando promoções ou oferecendo boas experiências com a marca são as que continuarão com elas depois que essa fase passar", finaliza Luciana Masagão.

Veja a segunda fase da pesquisa "O Consumo Feminino em Tempos de Crise", no Mundo do Marketing Inteligência, onde também está disponível a primeira fase.

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