Publicidade

Patrocínio

Publicidade
Publicidade Publicidade Publicidade
Mundo do Marketing Inteligência

Reportagens

Zika adia gestações e pode impactar o mercado de bebês

Indústria que movimenta R$ 50 bi ao ano pode sentir os efeitos provocados pelo vírus que aterroriza as mulheres que pretendem engravidar. Veja a pesquisa “Gravidez e o Zika Vírus”

Por | 30/08/2016

roberta.moraes@mundodomarketing.com.br

Compartilhe

O medo da microcefalia por zika vírus pode impactar o mercado de bebês e produtos infantis em curto prazo. O setor movimenta cerca de R$ 50 bilhões por ano, segundo estudo disponível no Mundo do Marketing Inteligência. A possibilidade de má formação está fazendo com que muitas mulheres adiem a gestação (38%) ou desenvolvam novos hábitos com medo do contato com o aedes aegypti. Isto é o que mostra a pesquisa "Gravidez e o Zika Vírus", realizada pelo Mundo do Marketing em parceria com a eCMetrics, que ouviu mulheres entre 25 a 45 anos de todas as classes sociais para medir o nível de preocupação das brasileiras e o impacto na tomada de decisão.

Entre o grupo de gestantes e mulheres dispostas a engravidar no próximo ano, o zika vírus impactou de alguma maneira 65% das respondentes. O percentual é ainda maior entre a Classe A (71%) e menor entre as mulheres da Classe C (59%). Analisando a interferência por idade, o impacto foi um pouco maior entre as mais jovens (entre 25 a 34 anos), 67%, o que representam seis pontos percentuais a mais em relação às mulheres entre 35 a 45 anos (61%).

O número de casos de microcefalia no Brasil chegou a 1.835, segundo dados do Ministério da Saúde. Outros 2.957 no país seguem em investigação. A má formação causa danos irreversíveis, principalmente em casos de contato no início da gestação. "O levantamento mostra que as brasileiras estão preocupadas com a doença e estão tomando medidas em casa para evitar o contato com o mosquito transmissor", reforça Ivan Casas, CEO da eCMetrics, em entrevista à TV Mundo do Marketing.

Aumento no uso de repelentes
Três em cada quatro mulheres que estão grávidas ou pretendem engravidar estão preocupadas com o vírus. O nível de apreensão é um pouco maior entre as respondentes da classe A e as mais jovens. Por conta deste medo, muitas mudaram completamente suas rotinas, aumentaram as visitas ao obstetra (60%), passaram a fazer uso contínuo do repelente (60%), passaram a ler mais sobre formas de evitar o contato com o mosquito transmissor (47%), deixaram de frequentar locais com possíveis focos do mosquito transmissor e ampliaram os cuidados domésticos (92%).

Como, segundo os médicos, os casos de contato no primeiro trimestre podem causar mais danos, os cuidados no início da gestação foram redobrados. "Nos primeiros meses de gravidez o repelente foi o meu melhor amigo, passava pelo menos três vezes ao dia. Tinha um frasco em casa, no trabalho, no meu carro e no do meu marido, que passou a lembrar e cobrar as aplicações. Além disso, só usava roupas compridas deixando o corpo bastante coberto. Diferente da minha primeira gestação, desta vez evitei lugares abertos e ficava com a casa toda fechada", conta a Administradora de Empresas, Caroline Ramos, que está no sétimo mês de gestação, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Por ser tratar ainda de algo novo - os primeiros casos confirmados foram registrados no segundo semestre de 2015 - algumas mulheres começaram a se cuidar antes de engravidar. "Como não tinha respostas concretas sobre a doença, antes de engravidar tomei todos os cuidados possíveis e imagináveis. Não sabíamos se quem pegasse a doença poderia engravidar logo em seguida ou se a doença atingia apenas os bebês cujo as mães pegassem a doença durante a gestação. Passei a usar repelente o dia todo, até para dormir, tinha em casa, na bolsa e no trabalho. Evitei viajar e deixei de passar as festas de final de ano com família e amigos, pois no verão os casos tinham aumentado consideravelmente. Além do repelente, utilizava "remedinhos caseiros" para tentar afastar de toda forma o mosquito de mim, como suco de limão e inhame. Já grávida continuei os cuidados e agora com sete meses e meio de gestação continuo aplicando o repelente, mas em menor quantidade, pois com o inverno a proliferação do mosquito diminuiu", comenta a Advogada Maria Fernanda Fontes Macedo Leitão, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Zica e Dengue
A possibilidade de pegar dengue também assusta as mulheres. Por terem o mesmo mosquito transmissor, as doenças são relacionadas. Oito em cada 10 entrevistadas disseram que conhecem alguém que já teve uma das duas doenças. "Isso mostra que elas sabem que o vírus está próximo delas ou no círculo de amizades, o que faz com que aumentem os cuidados para evitar o contato com o aedes aegypti", reforça Carlos Diógenes, Gerente da eCMetrics, em entrevista à TV Mundo do Marketing.  

A proximidade com pessoas que tiveram as duas doenças influência nos cuidados e também com a decisão de engravidar. Entre as mulheres que resolveram esperar, o anticoncepcional é o método mais utilizado (66%). A camisinha masculina também aparece em destaque (41%), principalmente entre as mulheres da Classe A e mais jovens. As respondentes da Classe C e as mais velhas são as que menos usam algum método (49%).

Entre os motivos pelos quais as mulheres adiam ou abrem mão da maternidade o fator tempo é o mais forte. Em geral, as mais jovens acham que ainda não chegou o momento de ter filhos (31%) e as mais velhas acham que não tem mais idade (12%). A análise por classes sociais mostra que nas classes B e C já há um entendimento que tem o número de filhos que gostaria e entre as mulheres da A, as entrevistadas disseram que ainda não é momento adequado.

Os dados foram colhidos em julho de 2016 e mostram que mesmo com a recente descoberta dos problemas acarretados pelo vírus em gestantes - menos de um ano - muitas decidiram adiar a maternidade para não correr riscos.

A queda da temperatura por conta do inverno contribuiu para a redução de novos casos, mas a volta do calor nos próximos meses deve fazer com que o índice volte a subir, o que pode contribuir para o adiamento em casos de gestações planejadas. O menor número de gestantes pode representar impacto direto no número de novos bebês. Esta nova realidade exigirá mudanças na indústria global, uma vez que já há casos de microcefalia por zika vírus em diversos países. 

Leia a pesquisa exclusiva produzida pela eCMetrics e pelo Mundo do Marketing. Conteúdo exclusivo para assinantes.

zika

 

 





Comentários


Acervo

Publicidade

Publicidade

Voltar ao Topo

Copyright © 2006-2018.

Todos os direitos reservados.

Assine o Mundo do Marketing Inteligência

Copyright © 2006-2018. Todos os direitos reservados. Todo o conteúdo veiculado é de propriedade do portal www.mundodomarketing.com.br. É vetada a sua reprodução, total ou parcial sem a expressa autorização da administradora do portal.

Auditado por: Metricas Boss