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Novo índice mede as taxas de consumo consciente do brasileiro

Levantamento do Mundo do Marketing, em parceria com a Opinion Box e a Dia Comunicação, mostram que gênero, idade e renda influenciam nos hábitos de consumo sustentáveis

Por | 02/03/2015

roberta.moraes@mundodomarketing.com.br

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Os produtos e serviços sustentáveis que resultam em economia para o consumidor ou que respondem a pressões da sociedade são os que conquistam maior adesão da população. Essa é uma das conclusões da pesquisa "Consumo Consciente", realizada pelo Mundo do Marketing, em parceria com a Opinion Box e a Dia Comunicação. O levantamento gerou o Índice de Consumo Consciente (ICC), que mostra o perfil das pessoas que apresentam maior cuidado em suas escolhas e o hábito de compra delas.

A preocupação com ações sustentáveis são mais percebidas entre as mulheres e as famílias com filhos. Quanto mais renda e idade dos entrevistados, maior é a taxa de consumo consciente. O índice foi montado com base em quatro categorias: Modo de Vida, Bens de Consumo, Alimentação e Saúde e Bem-Estar. As duas primeiras obtiveram pontuação mais alta. A pesquisa será repetida periodicamente para que seja feita uma análise comparativa capaz de avaliar a trajetória de compra do brasileiro.

Considerando todos os entrevistados, 57% mostraram que têm maior preocupação com o tipo de consumo relacionado ao Modo de Vida. Entre as questões levantadas estavam a preferência no uso de transporte coletivo, a separação do lixo para a reciclagem, a utilização de artigos reciclados e a adoção de medidas para a economia de água e luz. "Percebemos a preocupação quando existe uma maior divulgação e massificação de informações sobre a importância de atitudes como essas, que foram bastante debatidas nos últimos anos", comenta Felipe Schepers, COO da Opinion Box, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Pressões sociais influenciam o comportamento de consumo
Questões que tocam diretamente o bolso do brasileiro, como a economia de energia elétrica e água que incidem diretamente no valor da conta, e aquelas em que há uma pressão social, por conta da repercussão das atitudes, como a separação do lixo ou uso de produtos reciclados, são as que mais influenciam para as pessoas a terem maior ICC. "Nos temas relacionados aos Bens de Consumo e ao Modo de Vida, percebemos maior pressão externa e maior divulgação. As próprias empresas oferecem locais adequados para descarte de pilhas e baterias, por exemplo. Elas também reforçam em seus produtos que as embalagens são recicladas ou reutilizáveis. Isso foi criando uma cultura, que já está massificada", esclarece Simone Terra, Diretora de Estratégia da Dia Comunicação, em entrevista ao Mundo do Marketing.

A pesquisa mostra que quanto mais o consumidor brasileiro é atingido diretamente pelos impactos provocados pelo próprio modelo de consumo, maior é a tendência de que ele comece a alterar suas escolhas para melhorar a qualidade no seu dia a dia. A crise hídrica atual é um exemplo de situação capaz de alterar os hábitos de consumo dos brasileiros. Ainda na categoria Modo de Vida, 72% dos entrevistados afirmaram que dão preferência ao transporte coletivo, uso de bicicletas ou caminhadas em distâncias de até dois quilômetros. A mudança é percebida em um momento em que que a população sofre com alta nos combustíveis, grandes congestionamentos e escassez de vagas de estacionamento.

As aplicações de políticas públicas para a melhoria da mobilidade urbana - ainda que não sejam suficientes para a população - contribuem para a mudança de comportamento. A implantação de corredores expressos como o BRS e o BRT, subsídios para a troca de transportes como trens, barcas e metrôs e a maior oferta de ônibus com ar-condicionado colaboram para que o brasileiro deixe o carro em casa para não sofrer a pressão do trânsito. "Mas para isso é fundamental que os meios de transportes entreguem economia e qualidade, do contrário, eles não serão interessantes para o consumidor", acrescenta Simone Terra.

Outras iniciativas estão no mesmo caminho, como a oferta de bicicletas coletivas, que já é realidade em diversas capitais brasileiras e que podem ser facilmente alugadas. Ainda recente no Brasil, começa a ser implantado em Recife (PE) o primeiro modelo de sistema de carros elétricos compartilhados, que poderão ser alugados por meio de um aplicativo. O modelo já é usado com sucesso em países da Europa, como França e Suécia. Além de facilitar a locomoção da população, os veículos elétricos não emitem gases poluentes.

Indústria de bem-estar ainda tem um enorme campo a ser trabalhado
Os temas que impactam diretamente na qualidade e expectativa de vida do indivíduo começam a ganhar maior destaque entre os brasileiros. As categorias Saúde e Bem-Estar e Alimentação aparecem com o mesmo índice: 32% (sendo 100% o maior o nível de consciência sustentável). O que pode parecer baixo, em um primeiro momento, demonstra, na verdade, que consumidor já começou a se preocupar com esses itens, que, há até pouco tempo, não eram tão falados. O uso de produtos orgânicos, a troca de alimentos industriais por naturais, as práticas veganas e naturalistas e os tratamentos alternativos começam são temas em ascensão.

A preocupação de quase um terço dos respondentes mostra que a indústria do bem-estar e da alimentação saudável ainda tem um enorme caminho a ser percorrido, estando longe da saturação. "Nessas categorias, estamos falando de uma consciência com a escolha que o consumidor faz dos produtos e a qualidade dos alimentos ingeridos ou usados na beleza. Isto ainda é muito sofisticado e está ligado, de maneira geral, a pessoas mais velhas e com maior poder aquisitivo. Com o aumento do acesso à alimentação de maior qualidade e o crescimento deste mercado, que cresce a dois dígitos por ano, cada vez mais as questões ligadas à saúde e alimentação estarão mais fortes", comenta Simone Terra. 

A saudabilidade, preocupação que já movimenta as empresas por todo o mundo, também começa a fazer parte da agenda por aqui. No Brasil, o mercado de produtos industrializados orgânicos cresce 25% ao ano desde 2009, enquanto a média mundial é de 6%, segundo a consultoria Euromonitor. Nos últimos cinco anos, a venda de produtos saudáveis aumentou 98%, movimentando US$ 35 bilhões ao ano. Neste mercado, o país saiu da sexta para a quarta posição no mundo, deixando o Reino Unido e a Alemanha para trás. Os sólidos números apontam que os 32% de consciência nesses quesitos são apenas uma amostra do que ainda pode ser conquistado.

Atributos dos produtos devem estar nos rótulos
Para alcançar esse público, as empresas devem investir em informação. Deixar os atributos dos produtos mais acessíveis é o primeiro caminho para incentivar o consumidor a fazer escolhas sustentáveis e benéficas para a própria saúde. Poucas marcas aproveitam suas embalagens para valorizarem suas características, mesmo que elas sejam a ausência de algum ingrediente. É o caso do sal nos xampus, do álcool em produtos para a pele e do glúten e da lactose em alguns alimentos. Após a consolidação da informação sobre benefício ou malefício de alguma substância, é natural que o consumidor fique mais atento aos rótulos.

O impacto midiático também é responsável por incentivar o consumo mais sustentável, embora, na maioria das vezes, questões ligadas à alimentação e ao bem-estar sejam trabalhadas em nichos, por veículos direcionados. Para aumentar esse engajamento, as empresas têm papel fundamental. "A pesquisa mostra que quando há maior preocupação sustentável, o consumidor é o próprio responsável pela ação, pela busca da informação, pois ele já está mais antenado. Nos momentos em que é preciso a participação das empresas para levar esse conhecimento, disponibilizar as informações dos atributos competitivos, o resultado não costuma ser tão efetivo", explica Simone Terra.

A busca pelo estilo de vida mais saudável é uma tendência global que deve crescer nos próximos anos. "Vemos agora o impacto do consumo de alimentos pré-prontos, que começaram a ser usados a partir da década de 1950 com a ida da mulher para o mercado de trabalho. Nos dias atuais, percebe-se uma inquietação e maior consciência da relação entre o que é ingerido e a qualidade de vida. Percebemos isso com o consumo maior de alimentos funcionais, como chia e linhaça, que antes não apareciam na lista de compra dos brasileiros", exemplifica Simone Terra.

O valor dos produtos também é determinante na hora de escolher esses itens. "Os artigos diferenciados acabam tendo um valor maior. Muitas empresas trabalham questões de consumo consciente vinculando os benefícios a um acréscimo no preço, limitando os comportamentos, como a compra de orgânicos. Por isso, nessas categorias, ainda é menor a participação das camadas menos abastadas", finaliza Schepers.

Leia também: Índice de Consumo Consciente do brasileiro. Pesquisa completa no Mundo do Marketing Inteligência. Conteúdo exclusivo para assinantes.

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