Reportagens

Publicidade
Publicidade
Mercado

Food Service cresce quase 75%, mas estabelecimentos devem oferecer jornada acessível em todos os canais para manter alta

Segundo IFB, quatro fatores que impactaram o resultado: transações, tíquete médio, número de lojas e inflação

Por Redação - 23/06/2022

O foodservice, setor que abrange diversos estabelecimentos prestadores de serviços alimentícios, como restaurantes, lanchonetes, bares, bistrôs e food trucks, segue em alta. A categoria apresentou aumento de quase 75% no comparativo anual, segundo dados do Instituto Foodservice Brasil. Na questão das vendas, considerando abril de 2021 e o mesmo mês de 2022, o aumento foi de 74,6% e 48,6% de expansão no acumulado do ano. O levantamento também ressalta quatro fatores que impactaram o resultado: transações, tíquete médio, número de lojas e inflação. 
 
Em se tratando das transações, o crescimento é de 72,8% em relação ao mesmo período do ano anterior, sendo que 34,2% é o acumulado entre janeiro e abril. O tíquete médio teve um aumento menos significativo de 2021 para 2022, de 0,7%, ficando em torno de R$ 37,10. O número de lojas aumentou quase 3%, indo de 7.883 estabelecimentos no ano passado para 8.110 até o momento; esse crescimento mostra que, além da expansão do setor, houve impacto na geração de empregos, que injetou dinheiro na economia.  
 
Por sua vez, a inflação este ano (11,8%) está 5,4 pontos percentuais acima em comparação a março do ano passado (6,4%). É importante frisar que o Índice de Preços de Alimentos da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) atingiu a média de 159,3 pontos em março deste ano, representando uma alta de 17,9 pontos, ou seja, 12,6% em relação a fevereiro, sendo o maior nível já alcançado desde 1990, quando a mensuração começou a ser feita. Isso representa um salto de 34% em um ano, resultado que também evidencia impacto no setor de alimentação.  

O que diz o IFB

A confiança do consumidor em sair às ruas novamente impactou diretamente no crescimento, mas a praticidade de não cozinhar em casa também deve ser levada em conta. "O consumidor gostou do delivery, da conveniência de fazer pedidos em casa e no trabalho e não ter que cozinhar. E tem como característica o consumo em grupos (+ de 3 pessoas), o que eleva o ticket médio e ajuda no crescimento desse canal", aponta Ingrid Devisate, Diretora Executiva do IFB, em entrevista ao Mundo do Marketing. 

Ingrid também afirma que no começo deste ano, o crescimento veio com muita força no consumo On Premise (dentro dos estabelecimentos), a ausência de restrições, pessoas de volta às ruas e mais de 70% da população vacinada, levou ao crescimento das ocasiões de consumo e das indulgências. "Hoje as refeições realizadas dentro dos estabelecimentos representam mais de 30% do tráfego do setor. O Delivery opera com 17%, e atingiu uma estabilidade, e possivelmente, seguirá crescendo, não voltando mais ao que era antes da pandemia (11%)", avalia. 

A executiva aponta ainda que para continuarem a crescer os operadores de estabelecimentos devem oferecer uma jornada de compra conveniente e acessível, em todos os canais. Seja trazendo o consumo de Grupos (em queda desde o terceiro quadrimestre de 2021), aumentando as refeições individuais, que tem foco no almoço, para o consumo também no café da manhã ou jantar, alem de promocionar com foco na classe C, com menor poder de compra.

Por fim, ao mesmo tempo em que os consumidores querem voltar aos estabelecimentos, às opções que lhe foram tiradas durante a pandemia, ele também se acostumou com a praticidade do delivery, assim, caberá aos operadores saberem atrair os consumidores de todos os lados, direcionando para os canais que lhe sejam mais competitivos e eficientes (do ponto de vista economico).
 

Leia também: 94% dos varejistas investem em vendas no digital , mas lojas físicas ainda concentram maior faturamento