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Mercado

Domenico de Masi avalia fator humano nas relações comerciais

Escritor abre o congresso da Apas Show para contrastar o cenário atual, de avanço tecnológico e impactos da pandemia

Por Priscilla Oliveira - 18/05/2022

“O futuro ou é humano ou não é futuro”, afirmou Domenico de Mais, pensador italiano, no primeiro congresso desta terça-feira (17), da Apas Show 2022. O escritor abriu a palestra, diretamente de uma transmissão online da Itália, falando sobre as grandes transformações sofridas entre desde 1930 e já analisando as que o mundo deverá passar até 2030. Isso porque, até lá, a população ainda sofrerá pelas mudanças acarretadas pela pandemia. 

Para ele, a maior lição é de que o consumo e as formas de trabalho não podem ser mais as mesmas. “A pandemia fez com que os mercados passassem a olhar mais para o fator humano, já que muitas pessoas sofreram com a fome. Empresas passaram a doar milhões, criando uma nova relação de consumo”, afirmou.

Os últimos anos foram cruciais para que o mercado passasse a olhar não apenas para seus clientes, como seus colaboradores de maneira mais empática. De Mais aponta o constante medo que ronda a todos e priva a felicidade. “Atualmente temos medo da bomba atômica, demográfica, da pandemia, da tecnologia, da ditadura, da violência, da solidão. Eu acho que o progresso humano depende mais da doçura com que trabalhamos as relações pessoais”, avaliou.

Tecnologia x Qualidade de Vida

O pensador italiano abordou como a tecnologia tem a possibilidade de transformar a realidade das pessoas para melhor, se assim as empresas quiserem.  Um exemplo é o de permitir que as pessoas tenham mais tempo para viver.  “O trabalho é de onde tiramos o sustento, mas quando o trabalho se torna a única função, se torna um fardo. O tempo livre não deveria ser um privilégio. Não precisamos de escravos, precisamos de pessoas capazes de criar. Estamos em um tempo de procurar a felicidade dos outros”, concluiu.

Domenico afirmou ainda que a felicidade é desigual e que, hoje, está vinculada as possibilidades econômicas. No entanto, foi enfático ao dizer que é a felicidade que vai ajudar as pessoas a construírem um futuro melhor. “Precisamos encarar o futuro de forma mais humana. Senão ele não será futuro”, pontuou.

Lojas de vizinhança

Ao final da palestra, Luiz Artur Ledur Brito, Reitor da FGV, perguntou sobre as questões que envolvem as lojas de vizinhança. Para Domenico, elas têm um aspecto social importante, para ter experiências, relações e abastecimento. Porém, é preciso ter os três tipos de mercado presentes no contexto atual para atender a demanda mundial: a loja perto de casa que vende bens ou serviços e ao mesmo tempo, a comodidade dos centros comerciais e também o e-commerce, porque ele traz a possibilidade de levar qualquer coisa a qualquer lugar. 

“O e-commerce vai crescer ainda mais, porque nós rapidamente nos acostumamos a ele. Por outro lado, ele reduz as relações humanas, mas é o equilíbrio que o mercado precisa encontrar. Temos que dar preferência as coisas necessárias e não o supérfluo”, concluiu.


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