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Healthtechs contra o coronavírus

Como as startups de saúde estão fazendo a diferença no esforço para conter a pandemia

Por Redação - 13/05/2020

Rodrigo Robledo, CEO da FarmazonAs healthtechs, startups que já vinham transformando o setor de saúde no país, provaram ser indispensáveis na guerra contra o novo coronavírus e se preparam para uma escalada continuada da demanda mesmo depois do momento mais crítico da pandemia.

Essas empresas, que antes da crise já apostavam na tecnologia para encontrar soluções relevantes para o setor, viram a procura por seus produtos e serviços aumentar de forma exponencial nas últimas seis semanas, em uma situação muito diferente da que vivem empresas de tecnologia de outros setores.

A Associação Brasileira de Startups de Saúde estima que existem hoje cerca de mil empresas desse tipo atuando no Brasil. Seja atuando na linha de frente do combate ao vírus, com oferta de diagnóstico ou serviços de triagem em hospitais; seja na retaguarda, ajudando o isolamento social por meio da telemedicina e dos serviços de delivery, muitas delas tiveram fazer um esforço para acompanhar o aumento da demanda.

Rodrigo Robledo, CEO da Farmazon, startup carioca de delivery de produtos de farmácia, conta que viu o volume de pedidos diários crescer exponencialmente desde o início da crise. Por isso, precisou reforçar a operação e aumentar a equipe.

O aplicativo reúne em um único ambiente todos os produtos disponíveis em drogarias próximas à residência do cliente e se compromete a entregar a lista de pedidos em menos de uma hora. Segundo ele, a demanda aumentou 1000%, e os downloads do aplicativo cresceram mais de dez vezes no início da pandemia.

A crise também o levou a acelerar o lançamento do serviço de entrega de medicamentos controlados, ajudando especialmente pacientes que estão em grupos de risco a manterem o isolamento social. “A logística é um pouco mais complexa que a de outros pedidos, uma vez que nosso entregador precisa pegar a receita com o paciente, levá-la à farmácia parceira e retirar o medicamento para então levá-lo ao consumidor. Mas estamos absorvendo o custo extra, por meio de um desconto na taxa de entrega desse serviço no período de crise. A ideia é somar no esforço de manter as pessoas em casa”, diz Rodrigo Robledo, CEO da Farmazon.

Ihvi Maria Aidukaitis, presidente da ABSSAtuações variadas

Empresários do setor garantem que o crescimento é sustentável e deve se manter mesmo depois da crise. Isso porque o isolamento imposto pelo combate à pandemia se mostrou uma grande oportunidade de as empresas construírem bons relacionamentos com os clientes e fortalecerem suas marcas. Já é um consenso entre empresários do setor que quem fizer um bom trabalho sairá da crise fortalecido.

Ihvi Maria Aidukaitis, presidente da ABSS, reforça que a atuação das empresas de tecnologia em saúde tem se intensificado. Ela diz que a demanda aumentou bastante e há uma infinidade de soluções sendo oferecidas.

Algumas estão diretamente envolvidas no combate ao vírus como as que ajudam na triagem e na orientação dos pacientes, outras oferecem um apoio paralelo, desafogando os hospitais e ajudando no isolamento social, como as de telemedicina, com consultas online, e as que auxiliam médicos e pacientes crônicos, como a Farmazon, que oferece delivery de medicamentos.

A ABSS tem promovido debates sobre o papel das healthtechs nesta crise e acompanhado de perto o trabalho feito por estas empresas, até para identificar quem está trabalhando com seriedade.

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Novas regras em meio à pandemia

Um exemplo é a série de mudança de regras anunciadas pelas autoridades e agencias reguladoras para dar conta da emergência sanitária relacionada ao novo coronavírus. Muitas beneficiam as novas helthtechs. No 16 de abril, por exemplo, foi sancionada uma lei federal que favorece a telemedicina, setor cuja atividade, benefícios e problemas têm sido discutidos desde muito antes do início da pandemia. Segundo o texto, os médicos que optarem pelas consultas à distância devem informar os pacientes sobre todas as limitações da prática.

Em março, uma resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária permitiu a entrega remota de medicamentos controlados. E, no Paraná, o governo do estado publicou uma resolução que regulamenta a operacionalização de prescrição médica por meio eletrônico.

Ihvi, que além de presidir a ABSS atua como CEO da Receita Digital, plataforma de prescrições médicas digitais que conecta médicos, pacientes e farmácias, acha que a crise vai acelerar o esforço para regulamentar o setor. “Há um meme que pergunta: Quem o responsável pela transformação da sua empresa? O CEO, o CTO ou o coronavírus?

Ele dá a dimensão do que estamos vivendo. Muitos temas sensíveis à nossa atividade que só seriam abordados em um ano ou dois foram rapidamente antecipados por causa do coronavirus ”, afirma.

Sua startup também viu crescer de forma exponencial sua demanda nas últimas semanas, saltando de poucos atendimentos semanais para mais de dez pedidos diários. "Estamos todos trabalhando em regime de Home Office, o que não é tão incomum em se tratando de empresa de tecnologia. Mas tivemos que aumentar bastante o time de desenvolvedores, para atender a demanda.”

Outros cases

Outras iniciativas ilustram o que diz a presidente da ABSS. Uma delas é a Hi Technologies, que prometeu oferecer exames para o coronavírus em seus minilaboratórios Hilab. Os equipamentos são capazes de fazer testes rápidos e já fazem outros tipos de diagnóstico em farmácias, clínicas e consultórios médicos e outros estabelecimentos de saúde.

Inicialmente, o valor previsto para ser cobrado pelo exame é de R$ 130,00, mas a empresa avalia condições para diminuir o custo e tornar o serviço mais acessível, diante da pandemia. O resultado do teste deve sair em cerca de 10 minutos. Com a decisão da Anvisa de liberar os testes rápidos de diagnóstico de COVID19 em fármácias, anunciada nesta terça-feira, dia 28, os serviços da empresa ficarão mais acessíveis ao público em geral.

Outra iniciativa em alta no início da pandemia é a da startup Triagil, que oferece em sua plataforma orientação para que as pessoas não busquem serviços de saúde desnecessariamente. A empresa orienta e acompanha os pacientes ao longo da jornada de tratamento, reduzindo a angústia e a incerteza.

No início da crise, a startup lançou o Projeto Teste-do-Corona, cuja meta é reduzir em 80% o número de pacientes suspeitos de Covid-19 que não são de risco nas emergências dos hospitais.

Ja a startup Mindify utiliza inteligência artificial para entregar diagnósticos assistidos a pessoas que procuram saber se estão ou não infectadas pelo novo coronavírus. Com a otimização do protocolo de identificação da doença, a startup procura auxiliar pessoas que estão em busca de um diagnóstico rápido e gratuito para a covid-19.

Desde março, a tecnologia está sendo utilizada em um aplicativo do plano de saúde Unimed, em uma área dedicada à telemedicina. Por meio de um sistema de inteligência artificial, o paciente responde uma sequência de perguntas no aplicativo, para fazer uma triagem. Em seguida, o médico recebe o relatório preparado pelo sistema e decide quais são os próximos passos que devem ser tomados.

“Esta crise despertou um interesse em tecnologia em saude, da mesma forma como despertou o interesse em educação à distância. As pessoas estão conhecendo ferramentas que facilitam o dia a dia. E muitas delas vão querer continuar usando e conhecendo outras ferramentas.

Então você usa um serviço em telemedicina, depois passa por um serviço de prescrição eletrônica, busca e compra na internet medicamentos, um teste rápido na farmácia. Uma coisa puxa a outra e, no fim das contas, há uma reação em cadeia, um aquecimento do mercado de tecnologia como um todo. Com mais confiança, maior interesse, e ate mais investimentos”, aposta Ihvi.

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