Para onde o movimento maker deve levar o mundo - e o Marketing | Mundo do Marketing

Publicidade

Patrocínio

Publicidade
Publicidade Publicidade
Mundo do Marketing Inteligência

Reportagens

Para onde o movimento maker deve levar o mundo - e o Marketing

Também chamado de Quarta Revolução Industrial, onda promete eliminar empregos, aumentar concorrência e empoderar ainda mais consumidores, graças à acessibilidade da tecnologia

Por | 02/02/2016

renata.leite@mundodomarketing.com.br

Compartilhe

Ricardo Cavallini, Fundador da plataforma de educação e prototipagem Makers BrasilNão há limites para a imaginação. Já tirar as ideias do papel costuma ser bem mais complicado do que colocá-las ali. Os avanços tecnológicos, no entanto, estão encurtando cada vez mais as distâncias entre esses dois mundos: o da ideação e o da execução. Com o barateamento de equipamentos e o surgimento de softwares abertos, pequenas e médias empresas, startups e até pessoas físicas passam a poder competir com as grandes indústrias e - o mais importante - ganhar delas quando o assunto é inovação. O movimento maker dá os primeiros passos prometendo uma revolução com a mesma proporção ou ainda maior do que a promovida pelo advento da internet.

Assim como a web empoderou consumidores e vem transformando a lógica por trás de muitos setores, a nova onda originada da cultura norte-americana do "do it yourself" agora alcança o mundo e tende a mexer com a hierarquia vista hoje no mercado. Um exemplo prático é o de George Hotz, o jovem de 26 anos que foi o primeiro a desbloquear o sistema de segurança do iPhone, ainda na primeira versão do aparelho, permitindo que as pessoas usassem o smartphone em outras redes que não a da AT&T´s. Atualmente, ele está trabalhando na criação de um carro autônomo na garagem de sua casa - podendo conseguir o feito antes da Tesla, da BMW, do Google e da própria Apple, que correm para lançarem suas versões.

O hacker mostrou o Acura ILX, da Honda, adaptado com radar laser, uma tela de computador, hardware e câmeras ao redor do carro, para a Boomblerg em dezembro do ano passado. "As maiores potências estão olhando para essa onda com uma atenção muito grande, principalmente aquelas que têm o status quo da indústria, como Estados Unidos, China, Coreia, Alemanha, Inglaterra. Agora em Davos, no Fórum Econômico Mundial, o movimento maker tem sido um tema central, com o nome de Revolução Industrial 4.0", ressalta Ricardo Cavallini, Fundador da plataforma de educação e prototipagem Makers Brasil, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Tema central em Davos
O encontro anual que aconteceu na Suíça neste início de 2016 trouxe como tema "Gerenciando a Quarta Revolução Industrial". A primeira, no Século XVIII, fez com que o vapor fosse capaz de mover máquinas, inicialmente na Inglaterra. A segunda chegou junto da energia elétrica, que possibilitou a produção em massa. E a terceira acompanhou o surgimento da informática. No novo cenário que se descortina, hiperconectado, consumidores atuam como produtores, quebrando mais uma vez cadeias produtivas e formas de gerar valor.

Torna-se ainda mais prioritário às empresas alinhar a força de trabalho e os demais recursos na direção da inovação - sob risco de perder espaço no mercado. Afinal, a concorrência está maior, haja vista a real chance de sucesso dos menores. "Os ciclos de inovação estão mais curtos, e, para inovar nessa velocidade, as empresas terão que adotar processos abertos tanto para o público interno quanto externo. Se antes inovar era um processo caro e difícil, hoje já não é mais. Um consumidor pode pegar um produto em relação ao qual tenha críticas, melhorá-lo e, depois, apresentar a "nova versão" ao fabricante", destaca Cavallini.

O horizonte é especialmente assustador para grandes companhias engessadas, nada transparentes e tampouco abertas a colaborações. A pesquisa "O Futuro do Trabalho", publicada pelo Fórum Econômico Mundial, desenha um futuro um tanto pessimista. Nele, a automação e outros avanços tecnológicos levarão ao corte de 7,1 milhões de postos de trabalho em cinco anos e à criação de outros dois milhões, o que resulta em uma perda real de 5,1 milhões de empregos. As entrevistas foram realizadas em 15 países, incluindo o Brasil.

Nagib Nassif Filho, Fundador e Diretor Executivo da BolhaFalta qualificação
Por aqui, os principais desafios a serem superados estão relacionados à educação. Para 59% dos entrevistados brasileiros, é preciso haver a requalificação dos trabalhadores, e o principal obstáculo para 55% dos ouvidos é o insuficiente entendimento das mudanças pelos profissionais daqui. E hoje as revoluções não demoram mais seis décadas para acontecerem como no passado. A internet comercial existe há cerca de 20 anos e alterou completamente as formas de fazer negócios em todo o mundo neste curto tempo.

Embora ainda esteja no princípio, o movimento maker já é encarado como uma fonte de oportunidades por muitos. Ele é marcado pelo barateamento e pela maior disponibilidade de recursos como a impressora 3D, que facilita a materialização de protótipos - antes caros e demorados de serem feitos, portanto, arriscados - e que já foi usada até para a construção de casas; e o arduíno, placa com hardware livre que permite a leigos em eletrônica e programação desenvolverem soluções interativas, tornando a robótica mais acessível. Ao mesmo tempo, a internet provém, muitas vezes, o conhecimento necessário, por meio de tutoriais e experiências anteriores com os materiais.

Assim como ocorreu com a internet, as companhias não podem resistir a entrar neste novo mundo, porque não haverá opção. "Os consumidores estão mudando, e as empresas não estão evoluindo na mesma velocidade. Todo mundo quer tudo smart, diferente, que tenha sensores, que faça muito mais do que o convencional. E a indústria grande tem dificuldade de acompanhar essas demandas. Então, começa a haver resposta para isso em pequenos produtores e pequenos produtos que resolvem o problema", afirma Nagib Nassif Filho, Fundador e Diretor Executivo da Bolha, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Iniciativas já executadas
Entre as ações da agência que se destacam está a criação, para a Budweiser, em 2013, de uma caneca que adicionava como amigos no Facebook as pessoas que brindassem com ela. A interatividade era propiciada por um microchip embutido no fundo do copo. Aqueles que ganhassem o Buddy Cup registravam seu perfil na rede social no utensílio ao tirarem uma foto dele com um aplicativo que lia QR Codes. Outra iniciativa da agência, que conta com 12 funcionários, permitiu que consumidores movessem, com o poder da mente, carrinhos dispostos em um autorama inovador. A ação foi feita para a Toyota.

Para aprender como usar essas novas tecnologias à favor da inovação, a agência Newstyle levou 16 funcionários, de variadas funções, para a sala de aula. No curso de 16 horas, distribuídas em dois dias, a equipe conheceu as opções de tecnologias e softwares abertos e baratos, os fornecedores delas e as formas de prototipar. O primeiro desafio do movimento maker é convencer as pessoas de que os recursos disponíveis hoje estão acessíveis e são capazes de realizar feitos incríveis. Basta buscar conhecimento e colocar a mão na massa.

As aulas foram ministradas no fim de novembro. "O curso serviu para que possamos entender a viabilidade e a forma de execução antes de propormos uma solução inovadora ao cliente. Muitas vezes, não tínhamos a noção exata de como as ideias iriam ganhar vida, da parte técnica. Isso fazia com que muitas soluções morressem prematuramente", conta Thiago Nascimento, Diretor de Planejamento da Newstyle, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Leia também: O que leva consumidores a abraçarem - ou não - novas tecnologias. Estudo do Mundo do Marketing Inteligência. Conteúdo exclusivo para assinantes.

tecnologia

Comentários


Publicidade

Voltar ao Topo

Copyright © 2006-2018.

Todos os direitos reservados.

Assine o Mundo do Marketing Inteligência

Copyright © 2006-2018. Todos os direitos reservados. Todo o conteúdo veiculado é de propriedade do portal www.mundodomarketing.com.br. É vetada a sua reprodução, total ou parcial sem a expressa autorização da administradora do portal.

Auditado por: Metricas Boss