Especial Carreira: de Gerente a Diretor de Marketing | Mundo do Marketing

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Especial Carreira: de Gerente a Diretor de Marketing

Profissionais de grandes companhias contam suas experiências e trajetórias que os fizeram alcançar o cargo. Conhecimento profundo e visão macro do mercado são diferenciais

Por | 07/10/2015

priscilla@mundodomarketing.com.br

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Priscila Schapke, Gerente da Divisão de Recrutamento de Marketing da Michael PageIndependente do momento da vida profissional, a ascensão na carreira é um dos pensamentos que as pessoas terão algum dia. Mesmo aqueles que já estão em cargos considerados altos também buscam algo que os motive e traga novos patamares. E para colocar luz nesses desafios e estimular outros profissionais, o Mundo do Marketing iniciou nesta semana o Especial Carreira no Marketing, que traz a experiência de quem já se destaca no mercado. Depois de abordar a transição dos Coordenadores que chegaram à Gerente, chegou a vez dos relatos de ex-Gerentes de Marketing que passaram a ser Diretores da área. A visão macro e o conhecimento total do trabalho da empresa são alguns fatos que contribuíram para a promoção.

Com salários iniciais entre R$20 mil e R$25 mil, os Diretores de Marketing já não possuem um perfil moldado, segundo a consultoria de recursos humanos Michael Page. Em geral, são pessoas entre 35 e 50 anos que possuem conhecimento não apenas técnico, mas também uma experiência de mercado, sabendo lidar com fornecedores, análise de concorrentes, economia e projeções.

Principalmente na indústria de consumo, em que os níveis gerenciais são escalonados, - júnior, pleno e sênior - a ansiedade de galgar novos degraus no currículo é grande, mas para chegar ao nível de direção é necessário mais do que tempo de carreira. "Hoje em dia o que é avaliado são os resultados e a estabilidade em uma empresa. Se dentro de uma companhia a pessoa conseguiu ir de um cargo para outro, significa que está absorvendo conhecimento e está colhendo frutos. Mais à frente ela estará preparada para uma posição de gestão", conta Priscila Schapke, Gerente da Divisão de Recrutamento de Marketing da Michael Page, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Thais Hagge, Diretora de Marketing de Alimentos da UnileverDiferenciais
Mesmo com boas entregas e dedicação, há companhias que se prendem ao tempo de carreira para dar uma promoção. Isso é visto ainda em marcas mais conservadoras que consideram a vivência um fator determinante. Outras, no entanto, avaliam a estrutura curricular, cursos ou mesmo o conhecimento técnico da corporação. Para quem atua em uma multinacional, por exemplo, ter um MBA internacional traz grandes diferenciais no momento da escolha de um candidato para um posto mais alto.

No caso de um gerente que quer chegar a ser diretor, saber analisar o mercado em benefício da própria empresa é fundamental. "Hoje é necessário que os executivos sejam abertos para criar uma rede de relacionamento e ouvir todas as áreas. E isso está difícil de encontrar. Para ocupar o cargo é preciso principalmente de um olhar aguçado para entender tudo de maneira ampla. Vejo muitos jovens ansiosos por crescer e ocupar novos cargos, mas para isso ele precisa entregar projetos e saber lidar de verdade com toda a companhia", conta Priscila.

Essa trajetória escalonada e de valorização por resultados é vivida por muitas companhias, que possuem relatos de jovens acadêmicos que hoje ocupam cargos de direção, ainda que não na área de estudo. "Sou engenheira de formação e comecei como trainee na Unilever. A companhia me deu experiência internacional, que me permitiu ter uma visão ampla de passar por varias áreas e olhando varias regiões. O bom é que você vai conhecendo tudo e percebendo uma amplitude dentro da carreira de Marketing. As coisas aconteceram aos poucos. Estava como gerente há quatro anos quando fui convidada a ficar responsável pela parte de Diretoria de Alimentos", conta Thais Hagge, Diretora de Marketing de Alimentos da Unilever, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Desafios
Ao chegar à nova função, Thais encontrou alguns obstáculos em uma rotina que não estava acostumada. Uma das principais mudanças foi passar a ter um time de gerentes executando por ela e, com isso, passar a fazer gestão de pessoas também. A novidade não foi vista com susto, e sim como oportunidade. "Como agora eu sou a ponte entre a mão na massa e o olhar estratégico, passamos a ser capazes de levar mais coisas para o dia a dia da equipe. Como Diretor você pensa a parte analítica. Temos diversas reuniões, levamos opiniões, visões e há uma politica de valorização", conta Thais.

Essa ruptura do que se fazia e do que passará a fazer causa alguns incômodos iniciais, principalmente dos que ainda possuem perfil controlador. Assim como uma pirâmide, a quantidade de pessoas ocupando cargos vai diminuindo conforme mais alto for. Isso significa que esse profissional terá abaixo dele mais pessoas a conduzir e deixar que façam o que ele fazia anteriormente para que ele possa se reportar de maneira inteira aos superiores - neste caso podem ser vice-presidentes ou CEOs.

Justamente por passarem um bom tempo em níveis gerenciais ou estando na prática das ações, mudar a forma de trabalho pode causar um atrito inicial, mas que deve ser contornado rapidamente. "O nível de diretoria tem uma quantidade de colaboradores que permitem que ele não participe tanto, o desafio é tentar não dotar um perfil centralizador de querer se envolver em tudo. É preciso confiar em quem está abaixo dele. Muitos chegam onde queriam e não sabem o que fazer. Às vezes é só desapegar do passado que resolve", conta Priscila Schapke.

Pethra Ferraz, Diretora de Marketing da Whirlpol na América LatinaExperiência que conta
Em alguns casos essa ruptura acontece instintivamente, justamente por quem tem uma mente aberta às novas experiências. Engenheira química por formação, Pethra Ferraz passou pelo programa de trainee na Ambev que a ajudou a ter uma visão diferencial de Marketing, atuando com pesquisa com consumidor e passando por diversas áreas. Quando o processo acabou ela foi alocada como Gerente de Trade onde se tornou especialista em execução de ponto de venda. Em um ano ela assumiria a categoria de inovação e oito anos depois já tinha passado por todas as cadeiras de Marketing.

Quando o convite para ir para a Whirlpool surgiu, ela entrou como Gerente de marca Consul, voltada tanto ao ponto de venda como evento. "Sofri guinadas ao longo da carreira, saindo de uma área e indo para outras, arriscando mesmo. Fiz ainda o movimento de categoria, voltado a negócios e foi com isso que fui promovida, assumindo a Kitchen Aid. Nesse meio tempo passei por duas licenças maternidades e quando voltei já fui promovida novamente a Diretora de Marketing. É preciso estar ciente de suas escolhas e não ter medo do que pode surgir", conta Pethra Ferraz, Diretora de Marketing da Whirlpol na América Latina, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Outro engenheiro que entrou no Marketing foi Maurício Salles, que iniciou a carreira trabalhando na construção civil até ser chamado para atuar nas áreas estratégicas. Dentro do mundo dos negócios ele passou por várias frentes associadas ao lançamento de um empreendimento, o que o deu uma vasta experiência para crescer e se tornar Gerente. Hoje como Diretor de Incorporações - nome dado ao cargo que cuida da amplitude do Marketing - ele é responsável por administrar toda e qualquer ação desde as vendas até a entrega do apartamento.

A carreira multidisciplinar deu a ele bagagem o suficiente para conhecer o mercado e entender de forma completa cada ferramenta. "Nunca fui especialista, mas fui generalista. Hoje para ser Diretor é preciso ter pessoas boas tocando os projetos com você. Na minha equipe tenho um Gerente de Marketing bom, que eu confio. Como fazemos ações 360 graus, preciso ter um olhar aberto. Minha experiência me deu a oportunidade de estar no cargo. Foram 10 anos para chegar onde estou, isso porque conheço bem o setor imobiliário. Consigo enxergá-lo de ponta a ponta", comenta Mauricio Salles, Diretor de Incorporações da PDG, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Paulo Mündel, Diretor de Marketing da OlympikusConhecimento profundo
Assim como Mauricio seguiu pelo Marketing e chegou a atual posição por entender bem do seu nicho, o mesmo acontece em outras empresas. Para chegar ao cargo de Diretor de Marketing da Olympikus, Paulo Mündel percorreu marcas de calçados reconhecidas no mercado, como All Star, Penalty e Nike. Nesta última ele fez sua trajetória no campo esportivo, passando pela área de produto e por um período nos Estados Unidos buscando o aperfeiçoamento profissional.

Ao regressar ao Brasil, ele ocupou o posto de Gerente de Corridas e Diretor até ser convidado para ser Diretor Executivo de Marketing da Olympikus. "Todo o trabalho que fiz na Nike, inclusive na Copa do Mundo, colaborou. Tivemos um projeto de divisão de categoria que deu muito certo e isso influenciou em uma promoção. Foram 13 anos de atividade profissional até chegar a esse cargo. Os resultados ajudam sim, mas essa constância de estar em um mesmo segmento também ajuda. Hoje tenho desafios nas áreas estratégicas da marca que nunca tive e continuo envolvido", afirma Paulo Mündel.

Estar imerso no setor em que atua pode abrir portas, ainda mais se a empresa valoriza esse tipo de atitude. Alessandra Valença começou como estagiária na L´Oréal e aos poucos foi crescendo. De merchandising a gerente de produto ela passou por diversas áreas, incluindo um período como trainee que a fez conhecer amplamente a companhia. Quando chegou à divisão L´Oréal Professional outras portas foram abrindo, como um convite para experiência na sede na França.

De Gerente a Diretora foram quatro anos, o que é tido como uma rápida ascensão. "Vivíamos um momento único no Brasil em que o mercado de beleza era o que mais crescia. A marca precisava de alguém que conhecesse bem o mercado e por estar desde cedo vivenciando a rotina dessa categoria, meu nome foi o mais indicado", conta Alessandra Valença, Diretora de Marketing da L´Oréal Professional do Brasil, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Paciência e dedicação
Alessandra Valença, Diretora de Marketing da L’Oréal Professional do BrasilSer um entendedor de seu setor requer tempo e paciência, mas o retorno vem para aqueles que se comprometem com a missão da empresa e os desafios diários. "Quando fui chamada para ir à Paris eu tinha acabado de casar. Meu marido e eu precisamos fazer uma concessão e vimos que seria melhor ele abrir mão da carreira dele. Assim que retornamos ao Brasil fui promovida à Diretora. Por um lado foi difícil deixar a Europa, porque eu sabia que tinha muito a aprender lá, mas a companhia entendeu que eu já estava pronta", conta Alessandra.

Uma característica que se encontra bastante nos ambientes de trabalho é a ansiedade por chegar a novos cargos, principalmente da faixa etária que compreende 20 a 35 anos, ou a geração Y. A busca acelerada por uma promoção nem sempre é vista com bons olhos, ainda mais se a empresa não estiver em primeiro plano para esse jovem trabalhador e sim, uma titulação.

Aos gerentes que estão almejando um cargo de direção, a especialista em recrutamento pede um autoconhecimento de suas aspirações. "Mais do que buscar um cargo é preciso estar conectado à empresa e o que ela faz. Às vezes é mais questão de ego, do que por salário do cargo. Tem que saber o que ele quer: se título ou absorver conhecimento e entregar resultados", finaliza Priscila Schapke, da Michael Page.

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