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O que está por trás do sucesso dos livros de colorir?

Modismo ou não, as publicações escancaram uma tendência que veio para ficar e representa oportunidades para empreendedores: a busca das pessoas por atividades relaxantes

Por | 24/06/2015

roberta.moraes@mundodomarketing.com.br

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Febre entre os adultos que buscam atividades para aliviar o estresse, os livros de colorir se transformaram na salvação do mercado editorial neste ano e abriram oportunidades para muitos outros negócios. Disponibilizado há cerca de sete meses no Brasil, esse tipo de publicação vem registrando números volumosos de venda. O segmento deve movimentar cerca de R$ 50 milhões em livrarias e bancas de todo o país, de acordo com projeções da Dinap, responsável pela distribuição de 60 títulos de 10 grandes editoras. Nos últimos dois meses, a livraria Saraiva, por exemplo, registrou aumento de 57% nas vendas de livros na área de Artes, seção que integra as publicações interativas. A categoria, que em 2014 representava 3% nas vendas de varejo, hoje registra 5%.

Se a moda veio para ficar, só o tempo dirá, mas o sucesso dessas publicações reforça a chegada de um movimento muito maior criado pela necessidade das pessoas colocarem o pé no freio e se dedicarem mais a atividades off-line. Essa tendência foi o que motivou a Sextante a colocar no mercado nacional o livro Jardim Secreto no fim de novembro de 2014, o primeiro a chegar por aqui. A editora resolveu apostar na publicação após registrar o sucesso do livro Atenção Plena, que trata sobre uma linha da meditação desvinculada de qualquer religião e que consiste em estar aberto à experiência presente. Atenta ao movimento que reforça esse propósito do relaxamento, a empresa apresentou aos clientes o livro de desenhos com tiragem inicial de 15 mil exemplares, considerando que seria um número alto para a realidade brasileira. Mas o resultado foi surpreendente.

Com projeção de vender 100 mil unidades em um ano, a companhia já registrou a comercialização de 750 mil exemplares desde o lançamento. A editora conta ainda com outros títulos que estão tendo desempenhos semelhantes. A expectativa é de que o sucesso continue. "É uma moda que tende a ficar, talvez com menos força daqui a algum tempo, mas sempre mantendo este tipo de proposta. As pessoas estão sempre buscando coisas novas, por isso, é possível que apareçam outros tipos de passatempo. As empresas, agora, devem buscar outras iniciativas que possam oferecer para as pessoas esse relaxamento que todos estão em busca", comenta Eliana Formiga, Coordenadora do Curso de Design da ESPM-Rio, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Oportunidade de novos negócios
Não são apenas editoras, bancas e livrarias que estão lucrando com essas publicações. Alguns empreendedores conseguiram enxergar uma oportunidade para seus negócios e se aproveitam da nova febre editorial. A Papel & Estilo, por exemplo, se inspirou nos desenhos para colocar no mercado convites ilustrados. O modelo pode ser aproveitado para qualquer tipo de evento, mas a novidade agradou principalmente as noivas que estão sempre em busca de inovações para os casamentos.

Os convites ilustrados foram lançados em maio, época em que acontecem inúmeros eventos destinados a eventos matrimoniais, e em menos de um mês a empresa registrou cerca de 30 pedidos feitos por casais dos quatro cantos do país. O item custa R$ 39,90 a unidade e acompanha uma caixa personalizável e lápis de cor, permitindo que a brincadeira comece no momento da entrega. Além de estimular a criatividade, esses modelos criam uma interação entre os convidados e o evento antes mesmo dele acontecer. Além de proporcionar momentos de relaxamento com pintura, os desenhos podem ser compartilhados nas redes sociais com a hashtag criada exclusivamente para a festa, possibilitando que cada convidado veja o desenho do outro.

O investimento na novidade gerou muito mais do que lucro para a Papel & Estilo. "As vendas superaram as nossas expectativas, mas a exposição da nossa marca foi o que mais surpreendeu durante este mês. Desde que lançamos esse convite já fomos procurados por diversos veículos que querem saber um pouco mais da nossa iniciativa. A mídia que gerou é ainda mais surpreendente do que a própria venda", reconhece Fernando Toríbio, Diretor de Marketing da Papel & Estilo, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Organizadores personalizados
Os livros de colorir reúnem um público apaixonado e, em geral, quem compra uma publicação acaba adquirindo muitas outras. Para facilitar o acondicionamento, a artesã Juliana Claudino desenvolveu um organizador exclusivo para que o kit, livro e lápis, fique junto. A criação foi pensada, inicialmente, como opção de presente para o Dia das Mães, já que, após se aventurar nas ilustrações, ela resolveu dar uma edição de "O Jardim Secreto" para a própria mãe. O presente ganhou um vídeo, que foi parar no Facebook. A partir daí, o sucesso foi imediato, afinal, a rede social conta com um grupo fechado com quase 40 mil integrantes e outro aberto com mais de 11 mil participantes destinados apenas para quem quer trocar experiências com os desenhos e lápis de cor.

Atuando com artesanato há seis anos, Juliana é professora de customização de chinelos, mas no último mês os organizadores de livros de colorir se tornaram sua principal fonte de renda. Após desenvolver a concepção da bolsa, que levou quase um dia, a profissional, agora, leva cerca de três horas para produzir cada unidade, que custa R$ 85,00. A maleta tem o formato similar a uma pasta, aberta por um zíper, e no interior conta com diversos bolsos que permitem o armazenamento de caixas de canetinhas e lápis para colorir, além de compartimentos adequados para a inclusão de lápis avulsos e bolso interno com capacidade para até três livros.

As redes sociais se tornaram o principal canal de divulgação dos produtos, que são produzidos em Limeira, interior de São Paulo. "Antes de desenvolver as bolsas, comecei a participar dos grupos para pegar modelos, dicas de pintura e interagir com as outras pessoas que também têm esse hobby. Logo depois que criei os organizadores, passei a divulgá-los nesses mesmos grupos e também no Instagram, sempre utilizando a hashtag com o nome dessas publicações. A estratégia tem dado muito certo e consigo chamar a atenção de clientes que querem guardar seus livros e transportá-los com facilidade. Tenho atendido pessoas de todo o país", comemora a artesã Juliana Claudino, Proprietária da Jully Arts, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Momento para relaxar
O trabalho da artesã gera o interesse imediato daqueles que encontraram nos desenhos uma maneira de se esquivar dos estímulos sensoriais a que a sociedade cada vez mais conectada está exposta. A escolha pela atividade manual mostra um retorno que essa geração, que teve que se reinventar no ambiente online, faz ao optar por hobbies que os deixem desconectados. Relaxamento, aumento na concentração, da coordenação motora e diminuição da ansiedade são alguns dos benefícios elencados pelos adeptos.

Utilizada como terapia ocupacional, a dedicação à pintura está transformando a realidade de muitos usuários. "Minha vida mudou depois que passei a colorir os livros, até o sono melhorou. Fico mais concentrada e relaxada. Inclusive a minha pressão arterial está mais controlada. E o melhor de tudo é que, enquanto estou pintado, fico livre das telas do telefone e do computador, o que é um alívio já que passo o dia inteiro conectada", comemora a jornalista Célia Serafim, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Na família Serafim, a paixão pelos livros de colorir está sendo repassado entre os parentes. Tudo começou com a cunhada da jornalista, que além de ter que dividir suas publicações com a filha, resolveu presentear a sogra com uma publicação. E foi pegando os desenhos da mãe que Célia passou a ter contato com os desenhos impressos. Desde então, ela já investiu cerca de R$ 200,00 comprando os livros e lápis de cor. "Minha mãe brigava porque eu pegava os desenhos dela para colorir. Ela é cadeirante e a experiência com os desenhos foi excelente para melhorar a coordenação motora. Atualmente, estou pintando três livros com temas diferentes e já comprei outros dois para a minha coleção", finaliza Célia Serafim.

Leia também: Como as marcas devem emocionar os consumidores em seus pontos de contato. Pesquisa no Mundo do Marketing Inteligência.

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