Publicidade

Patrocínio

Publicidade
Publicidade Publicidade Publicidade
Mundo do Marketing Inteligência

Reportagens

Atrasada, indústria de tintas busca se aliar à sustentabilidade

Setor enfrenta desafio de mudar hábitos dos consumidores para avançar em ações ambientais e ir além das melhorias na formulação dos produtos, hoje em grande parte à base de água

Por | 23/06/2015

priscilla@mundodomarketing.com.br

Compartilhe

Após mais de duas décadas da ECO 92, realizada no Rio de Janeiro, ainda há mercados bem atrasados quando o assunto é sustentabilidade. O setor de tintas é um dos que, agora, corre contra o tempo para se atualizar em relação às melhores práticas, inclusive para aproveitar benefícios passados pelo governo para instituições que investem em gestão de resíduos e projetos com selo verde. Em um primeiro passo, as marcas repensaram a formulação do verniz. Outras iniciativas mais visíveis, como a reciclagem e o uso de embalagem retornável, começam a ser executadas somente agora.

Essa decisão de olhar primeiramente para o fator químico foi fundamentada por dois motivos: a influência dos concorrentes internacionais e o novo comportamento do consumidor brasileiro. Em outros setores, como o de beleza, a retirada de compostos alérgicos foi massivamente exigida, mudando linhas inteiras de produtos, como os esmaltes. Para quem trabalha com construção civil, esse apelo cresceu diante de um maior conhecimento da população sobre o que poderia ou não afetar o solo, o ar e mesmo a saúde das pessoas.

As pesquisas para mudar as composições das latas de tinta continuam em andamento, mesmo após a criação de um produto à base de água. "Ao alterar a formulação, abriu-se inúmeros caminhos para que as marcas pudessem inovar. Observamos, no entanto, que algumas companhias esperam um caso de sucesso para se motivar. Isso vale em lançamentos ou iniciativas ambientais. Estudamos projetos dentro da associação para fomentar ideias e muitas parcerias com projetos partem de nós", afirma Dilson Ferreira, Presidente-Executivo da Associação Brasileira de Fabricantes de Tintas, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Bloqueios externos
Entre os projetos tocados pela Abrafati estão a estação de descarte seletivo de latas e o projeto Pintor Profissional. As fabricantes aderiram a essas causas, participando ativamente. Atualmente, muitas marcas possuem seus próprios programas de auxílio ao profissional, uma vez que ajudam na capacitação, ao mesmo tempo em que divulgam e ensinam as técnicas de uso dos produtos. Já em relação à reciclagem, algo simples que já poderia ter sido implantado há mais tempo, os empecilhos não se restringem apenas à boa vontade das companhias.

Os hábitos dos consumidores ainda é um entrave para o setor, que tenta mudar pouco a pouco suas campanhas. "O cliente sai da loja com o galão e usa apenas a metade dele. Mesmo se sobra só um pouco da tinta, o comprador a guarda para uma possível necessidade e, com isso, a lata enferruja e o produto estraga, porque tem prazo de validade após aberto. O consumidor nem usa e nem repassa para quem precisa ou mesmo pra cooperativas de reciclagem. O que as empresas podem fazer são ações de conscientização, aproveitando a força que o nome delas possui. Hoje, estamos em fase de testes com uma iniciativa em uma grande rede varejista. Queremos saber se os clientes vão aderir ao chamado", afirma Dilson Ferreira.

Essa preocupação em estarem envolvidos com a temática da sustentabilidade ainda é novidade para muitos gestores da área, mas mesmo o Marketing de cada empresa pode criar campanhas para os lançamentos ou no ponto de venda. "Há uma curiosidade das marcas em como investir nesse campo com assertividade. O mercado de tintas é competitivo e todas querem se sobressair, mas ninguém deseja se arriscar a falhar. Por isso é mais fácil para elas apostar em produtos com fórmulas inovadoras, já que estão preparadas para lidar com a tecnologia", afirma o Presidente-Executivo da Abrafati.

Na prática
As empresas que estão atentas a essas tendências e adotaram novas posturas já colhem os frutos de seu pioneirismo na área. De acordo com a Abrafati, cerca de 120 milhões de garrafas PET são utilizadas anualmente na produção de tintas, representando, ao mesmo tempo, uma solução tecnicamente adequada e uma importante contribuição para a sustentabilidade. Uma das empresas que adotou essa prática foi a Suvinil, que trocou a resina utilizada na fabricação por componentes das embalagens plásticas.

A estratégia evita o gasto de recursos naturais e de energia, ao mesmo tempo em que encontra uma solução ambientalmente adequada para cerca de 10% do total de garrafas do tipo utilizado no Brasil. "Fomos pioneiros em tirar essas PETs do lixo e utilizá-las na nossa produção. Desde 2002, trabalhamos com cooperativas. Em cada lata de três litros, existem cinco garrafas. Já foram retiradas cerca de 60 milhões do meio ambiente nesse tempo", conta Eduardo Castro, Gerente de Marketing da Suvinil, em entrevista ao Mundo do Marketing.

A marca, reconhecida em 2014 como Top of Mind da categoria, sente-se responsável pelas ações a que adere, uma vez que refletem nas demais atividades da empresa. "Todos os nossos novos produtos têm como foco a sustentabilidade, os lançamentos de 2015 serão especificamente voltados a melhorar essa questão ambiental. Temos um laboratório de biotecnologia justamente para estarmos sempre à frente em inovação. Essa questão verde é importante para nós e será cada vez mais", afirma Castro.

Diferencial competitivo
Pôr a responsabilidade ambiental à frente de outras ações estratégicas não é condição apenas de líderes do setor. A Eucatex, que atualmente ocupa o quarto lugar das tintas mais vendidas, também vem levando práticas ecológicas para dentro de seu laboratório de tintas. Isso porque a empresa é mais conhecida por fabricar produtos de madeira, como os pisos, e atua fortemente na questão de reflorestamento, sendo autenticada por diversos selos ISO. Com uma boa imagem entre fornecedores, lojistas e clientes nessa área, a marca ganha uma certa vantagem por ser respeitada no teor sustentável.

Esse reconhecimento, no entanto, não faz a empresa se acomodar. Ela busca atuar de modo cada vez mais firme para que suas linhas causem menos impacto à natureza. "Nosso maior desafio é sermos reconhecidos como uma fabricante de tintas, já que estamos associados à madeira. Queremos mostrar que todos os nossos produtos são de qualidade e ecologicamente corretos. Para isso, fazemos ações em ponto de venda junto aos lojistas e pintores para que essa imagem seja construída", conta Claudio Oliveira, Diretor Comercial da Eucatex, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Apesar dos esforços do governo e das leis voltadas para a redução de resíduos e para a criação de produtos com menos solvente, as medidas serão postas em prática de forma intensiva quando os consumidores passarem a exigir isso das fabricantes. "As marcas produzem tintas livre de solventes e à base de água, mas todas ainda colocam à venda aquelas à base de solventes - inclusive nós. Ser sustentável virou diferencial competitivo, mas deve se tornar algo mais rotineiro. Quando os itens livres de químicos forem os mais vendidos, veremos uma grande mudança no setor", pontua Oliveira.

Leia também: Análise, desafios e oportunidades do mercado de tintas imobiliárias. Estudo do Mundo do Marketing Inteligência. Conteúdo exclusivo para assinantes.


 

Comentários


Publicidade

Publicidade

Voltar ao Topo

Copyright © 2006-2018.

Todos os direitos reservados.

Assine o Mundo do Marketing Inteligência

Copyright © 2006-2018. Todos os direitos reservados. Todo o conteúdo veiculado é de propriedade do portal www.mundodomarketing.com.br. É vetada a sua reprodução, total ou parcial sem a expressa autorização da administradora do portal.

Auditado por: Metricas Boss