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Bom momento no agronegócio é ameaçado por uso excessivo de agrotóxicos

Ano é promissor, mesmo com estiagem e oscilações econômicas, mas país é recordista na adoção dos químicos ? cada vez mais condenados pelo mercado e por consumidores

Por | 20/05/2015

priscilla@mundodomarketing.com.br

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O campo está fértil para o agronegócio em 2015. Mesmo com a instabilidade econômica e as oscilações ambientais - marcadas por estiagem em 2014 e pela crise da água este ano -, a produtividade do setor vem se mantendo estável, colocando-o entre os mais importantes, atualmente, para a economia brasileira. Os volumes de exportação seguem normais, garantindo boas perspectivas para esta fatia do mercado. Já em médio prazo, o uso excessivo de agrotóxicos e os custos com logística ameaçam a penetração nacional no mercado mundial.

Considerando-se apenas os próximos meses, a alta do dólar e a desvalorização da moeda só tendem a favorecer a exportação. Enquanto a previsão de expansão da economia nacional é de 0,4%, segundo dados do Boletim Focus do Banco Central, o agronegócio apresenta estimativa de alta de 2,8%, de acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Esalq/USP.

O bom momento vivido pelo Brasil até 2011 já havia favorecido os acordos internacionais. "Depois, com a crise mundial, entramos em uma estabilização. Apesar de hoje em dia os preços terem subido, os volumes de produção ainda acompanham o nível em que sempre estiveram, não houve uma queda brusca. Mas é importante salientar que o país não deve se sentir seguro na posição em que está, já que outros fatores podem prejudicar o bom rendimento", afirma Felippe Breda, Especialista nas Áreas Tributárias e Aduaneiras da Emerenciano Baggio Associados, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Exportações movimentam economia
No primeiro quadrimestre de 2015, determinados itens registraram aumento nas vendas, como o suco de laranja (18,45%), a madeira (13,35%), as frutas (9,40%) o óleo de soja (8,59%) e o café (3,13%). Os embarques de milho se mantiveram praticamente estáveis (0,12%) enquanto caíram os envios de etanol (26,22%), celulose (0,06%) e das carnes suína (13,92%), bovina (20,53%) e de aves (1,19%).

Além disso, a soja em grão apresentou forte queda, de 24,30%, muito relacionada à greve dos caminhões ocorrida no início do ano e ao incêndio no porto de Santos. Os envios, no entanto, normalizaram-se a partir de março por conta do estímulo adicional da desvalorização cambial e da disposição da China em continuar adquirindo boa parte do produto brasileiro. Cerca de 75% das vendas totais da soja, além de outras commodities, são resultado de exportações para o país. "O nosso agronegócio está muito desenvolvido e especializado, cada vez mais há investimento em novas tecnologias e plantio. O país sofre ainda com infraestrutura, que é precária. Há um custo muito grande para chegar do produtor a um porto. Esse é um ponto que precisa ser melhorado. Senão pelo governo, que seja por empreendedores da área de logística", analisa Felippe Breda.

Mesmo que o custo de transporte interno eleve o preço da produção nacional em relação a de outros países, o Brasil tem uma vantagem sociopolítica: as relações diplomáticas são boas o que mantém as fronteiras de outros territórios abertas. Assim, os produtores brasileiros veem seus itens nos cinco continentes, sendo líder em alguns segmentos. "O país tem uma força em determinados produtos, o que garante uma estabilidade, mas quem define os preços são outros players, não é o produtor. Isso pode surpreender o empresário do dia para a noite. Um exemplo são os boicotes por questões políticas, que já favoreceram o Brasil a conseguir novos mercados", afirma Felippe.

Recordista de agrotóxicos
Um fato a que o produtor brasileiro deve ter atenção é quanto à quantidade de países que eliminaram os agrotóxicos de suas plantações e importações. Em todo o mundo, as preocupações com saudabilidade vêm crescendo exponencialmente e já não é tão incomum encontrar varejos especializados em orgânicos, que fogem dos alimentos com esses aditivos ou de transgênicos. O Brasil é recordista em utilizar pesticidas em suas plantações. Em 2011, o país gastou cerca de US$ 8,5 bilhões na compra desses químicos, sendo o maior consumidor mundial do produto, com crescimento de 190%, contra os 90% do restante dos países. Os dados foram documentados pelo Instituto Nacional do Câncer.

Esses números podem influenciar a maneira como os importadores de commodities do Brasil enxergam a matéria-prima que chega até eles. "Se um governo diz que agrotóxico é ruim para a população, por que compraria de alguém que faz uso massivo desse composto? Países de primeiro mundo já rejeitam e fazem restrições. Vemos uma tendência por orgânicos e isso logo chegará com força às regiões em desenvolvimento. Hoje, a China aceita, por conta da alta demanda que possui, mas pode mudar isso a qualquer momento. Como o Brasil está se preparando para isso? É preciso pensar em inovações", afirma Ernane Silveira Rosas, Coordenador do Departamento de Alimentação da Confederação Nacional dos Trabalhadores Liberais Universitários Regulamentados (CNTU), em entrevista ao Mundo do Marketing.

Foi observando as tendências mundiais que Pedro Paulo Diniz optou por fazer uma produção livre de químicos. Na Fazenda da Toca, localizada em Itirapina, no interior de São Paulo, o empresário produz ovos, laticínios e sucos orgânicos - principalmente manga e tangerina. "As frutas ganharam técnicas de plantio livre de agrotóxicos e são as vendidas pela marca própria do Pão de Açúcar. Isso mostra como é possível cultivar sem uso de químicos e sem perder a lucratividade. A perspectiva é de que o negócio fature cerca de R$ 26 milhões esse ano. Outros pequenos produtores também já estão se mobilizando para trocar adubos químicos por orgânicos, como uma forma de mudar hábitos já tradicionais", conta Ernane.

Investimentos no mercado nacional
Assim como em outros países, o aumento de consumo de itens saudáveis também ganhou a adesão do brasileiro, assim como os produtos tidos como gourmet. O habitual cafezinho recebeu um estímulo após o grão arábica tornar-se acessível ao bolso de uma parte maior da população. Antes destinados exclusivamente para o mercado de exportação, a iguaria ganha ano a ano novos públicos, desde os jovens de classe C até executivos. Esse movimento mostra o quanto as ações de empresas podem melhorar a visão que a população tem sobre alimentos tradicionais.

Investir no Brasil, assim como é feito em exportação, pode fomentar novas oportunidades para o crescimento do agronegócio no país sem afetar o que já está comprometido. "O consumo de café pelo brasileiro tem crescido em ritmo alto, principalmente pelo incremento de máquinas expresso. Ainda somos líderes em produção mundial e exportação do grão, dificilmente perderemos esse espaço, ainda que haja investimentos no mercado interno. A expectativa é de que, em 2015, tenhamos colheita de 50 milhões de sacas. É possível utilizar a matéria-prima para outros fins", afirma Renato Garcia Ribeiro, Analista de Mercado do Cepea, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Unindo as oportunidades, o Brasil tem grandes chances de garantir a estabilização junto aos demais países que são importadores em potencial. "Estamos em uma boa posição, mas o agronegócio tem que ser visto de forma estratégica. A logística ainda não está boa e perde-se muito da produção por não haver armazenagem eficiente. Precisamos pensar no amanhã para que as mudanças climáticas sejam as únicas surpresas a poderem desestabilizar o setor", afirma Felippe Breda.

Leia também: Agronegócio no Brasil: visão e oportunidades. Estudo do Mundo do Marketing Inteligência. Conteúdo exclusivo para assinantes.

Exportação | Agronegocio | Produção rural

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