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Mulheres ganham cada vez mais destaque à frente de negócios

Perfil multifacetado e equilibrado tornou-as capacitadas para assumir riscos e, assim, deixarem empregos estáveis para assumirem suas próprias empresas

Por | 05/03/2015

priscilla@mundodomarketing.com.br

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Já não é mais incomum encontrar mulheres em cargos importantes e que exigem espírito de liderança. Seja qual for o porte da empresa, elas estão cada vez mais atuantes e exigentes em relação à igualdade de salários. O perfil multifacetado e equilibrado, ao mesmo tempo racional e emocional, tornou-as capacitadas para assumir riscos e, assim, deixarem empregos estáveis para assumir suas próprias empresas.

Atualmente, existem mais de cinco milhões de mulheres empreendedoras no Brasil, o que representa 8% da população feminina do país. Segundo um estudo da Serasa Experian, 43% dos donos de negócios em território nacional são do sexo feminino, e 57% são homens, um número mais equilibrado do que no passado, que mostra uma mudança no perfil dos novos empresários brasileiros.

A presença em firmas de grande porte, no entanto, ainda é pequena. Apenas 0,2% das empreendedoras estão à frente de empresas de grande porte. "Atualmente, 73% das empreendedoras são donas de micro ou pequenas empresas. O percentual sobe para 98,5% quando contabilizamos, também, os Micro Empreendedor Individual (MEI), que possuem mais de 1,3 milhão de brasileiras inscritas. Isso mostra que elas estão colocando suas ideias em prática e buscando mudanças no mercado", afirma a Juliana Azuma, Superintendente de Marketing Services da Serasa Experian, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Expectativas de crescimento
Ainda que a participação feminina seja pouca em grandes companhias, a expectativa é de que elas mudem esse cenário em um curto prazo. Isso porque há um contexto histórico para que elas ainda não estejam em maioria entre os executivos. "Atualmente elas são maioria em PME´s porque começaram recentemente. Muitas dessas podem se tornar grandes nos próximos anos e teremos uma virada nesses dados estatísticos", diz Juliana Azuma.

A pesquisa também mostrou que a principal motivação delas para abrirem seus próprios negócios é a possibilidade de criarem sua própria rotina e não por necessidade, como poderia se pensar. Ao mesmo tempo, o empreendedorismo para elas não é uma válvula de escape e sim, uma opção. São pessoas que buscam seguir seu próprio caminho, não porque perderam o emprego e sim por terem decidido seguir seu próprio caminho.

A Idade Média delas é de 44 anos, o que mostra um momento mais maduro da vida, em que já há um acúmulo de experiências em outras empresas, muitas vezes distante da realidade da administração. A falta de vivência, no entanto, não é uma barreira para esse perfil que tende a aceitar desafios mais facilmente. "A prova de que a ida delas para a liderança está dando certo é que, hoje, esse grupo tem mais participação na renda familiar, sem que essa verba chegue atrelada à carteira de trabalho", afirma Juliana Azuma.

Mudança de rotina
Quando Alzira Gonçalves decidiu voltar ao mercado de trabalho em 1987, após criar seus filhos, ela não tinha noção de como o seu produto faria sucesso nos anos seguintes. Após preparar um prato que agradou à família, ela recebeu o conselho de uma filha de levar a iguaria para mais pessoas. Com uma loja de rua no bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro, ela inaugurou a primeira unidade da Casa da Empada. A receita diferenciada tornou o alimento um ícone no bairro e, com o boca a boca, pessoas de outros áreas da cidade passaram a pedir filiais.

Sair da condição de mãe e se tornar empresária exigiu dela uma mentalidade dinâmica, que logo foi abraçada por sua filha, hoje a responsável por tocar o negócio em conjunto com o irmão. "Antigamente, havia menos concorrentes e não existia ninguém da família que entendesse de gestão. Foi algo que exigiu muito da presença dela no início, assim como exigiu de mim quando fui administrar a empresa em 2007. Mas não dá para desanimar, é preciso pensar todos os dias como o primeiro. Não pode haver espaço para acomodação, a concorrência está grande", conta Cláudia Gonçalves, Diretora-Executiva da Casa da Empada, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Cláudia também buscava um nova carreira quando assumiu o comando da rede. Sua missão, na época, era levar mais modernidade e um olhar diferenciado para a marca. "Quando cheguei, a empresa já era grande e tinha franquias, mas procurei investir em algo além de produto. Queremos vender carinho, não apenas empada. Não tenho formação administrativa, minha formação é em pedagogia e, hoje, ponho em prática lições que aprendi na faculdade. Lido com pessoas, precisamos nos adaptar a cada cliente. Além de venda, lucro e renda, queremos ter um papel social e humano", diz a Diretora-Executiva da Casa da Empada.

Inovação social
Essa preocupação com o coletivo também faz parte da rotina da empreendedora Camila Carvalho, criadora da organização comunitária Tem Açúcar. Ela busca colaborar com a redução do consumo exagerado por meio de seu negócio: um site que promove a troca de produtos e serviços entre os usuários, gratuitamente. Após conhecer lugares como Índia e China, a ex-modelo verificou como o que era comprado no Ocidente interferia no modo de vida daquelas populações, principalmente em trabalho escravo. Ao retornar ao Brasil, a jovem estudou uma forma de mudar essa realidade.

Observando a tendência de compartilhamento em outros países, a empresa surgiu para trazer uma nova mentalidade de uso de recursos para os brasileiros. "Eu sempre vi que o modelo de trabalho tradicional não faria sentido pra mim, eu queria criar algo novo. Ainda não contamos com patrocínio e apoio, mas a forma de remuneração tem a ver com uma mudança de consciência do usuário. O site hoje é financiado por doações voluntárias de pessoas que aderiram à causa", conta Camila Carvalho, idealizadora do Tem Açúcar, em entrevista ao Mundo do Marketing.

A inovação, com características de sustentabilidade e educacional, busca transformar a forma que o consumidor lida com os bens de consumo. "Somos ensinados a competir com as pessoas. Quando ensinamos que podemos compartilhar os recursos, aprendemos a confiar mais nas pessoas. E assim surgem cases como o de uma moça que pediu uma escada emprestada e uma vizinha de prédio, com quem ela nunca tinha falado, apareceu em sua porta emprestando. Criamos um sentimento de comunidade, que foi perdido por causa do capitalismo", conta Camila.

Ambiente desafiador
Já para Janine Sad, o desafio foi ingressar em um ambiente tradicionalmente masculino, o ramo de vinhos, que teve algumas consequências não muito agradáveis. Quem esperava um senhor com respeitável barriga, terno e gravata e com certa formalidade para tocar os negócios e entender da bebida se deparava com uma jovem mulher. Os clientes mais atrevidos acabavam assediando a sommelier. Já os funcionários, muitos mais velhos do que ela, tiveram que aprender a seguir os comandos da executiva.

Formada em economia, com pós-graduação em logística, ela também é graduada no curso de gastronomia, que fez para saber como lidar com a rotina de um restaurante e de administração desse tipo de empreendimento. "Eu precisava saber mandar nos funcionários e conhecer termos técnicos que acontecem em uma cozinha e bar. Há 12 anos, eu e meu irmão abrimos uma vinoteca. Em seguida inauguramos o primeiro restaurante. Isso em uma época em que ninguém falava em um tipo de ambiente que harmonizasse a bebida com a refeição", conta Janine Sad, Sócia do Cavist, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Apesar de o negócio já estar consolidado e a presença feminina com clientes ter crescido, a casa ainda recebe, em sua maioria, homens. Para isso, a loja criou a Confraria Rosé para atrair mulheres ao universo do vinho. "Algumas delas tinham receio de irem em cursos específicos de degustação e muitos maridos não gostavam, porque associavam o local a encontro com homens. Minha ideia foi reunir conhecimento em um momento de desconcentração, sem que ninguém as julgasse. Elas também gostam de uma tacinha", conta Janine.

Empresa familiar
O mercado de produtos naturais também ainda era pouco conhecido quando Renata Saboya e sua antiga sócia, Juarezita Santos, decidiram ingressar nete, em 1988. Com uma fábrica localizada no bairro de Benfica, no Rio de Janeiro, a jornalista levou para diversas partes do estado fluminense um sorvete feito exclusivamente com base de frutas, livre de aditivos químicos. A exigente jornada de trabalho fez com que ela ficasse muitas horas na produção e, com isso, as filhas passavam a ir na fábrica de maneira colaborativa.

Após a morte da sócia, a empresária passou a tocar a empresa com as futuras herdeiras. Paula e Juliana Saboya vestiram a camisa do empreendimento da mãe e levaram um toque de modernidade, tanto em embalagens quanto em sabores. "Atualmente, elas são responsáveis pela criação, mais do que eu. As duas viram a empresa nascer, participaram do processo e hoje estão à frente. São duas gerações e formas diferentes de ser empreendedor. Na minha época, corríamos atrás e hoje vejo jovens acomodados, sem buscar resultados", afirma Renata Saboya, Proprietária da Mil Frutas, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Por casualidade, a maioria da equipe coordenada por Renata é composta pelo sexo feminino. A gestora, no entanto, garante que homens são bem-vindos e que pode haver, no futuro, uma gestão feita por homens. "Só tenho netos e, se eles quiserem, o negócio passará para eles. O ambiente empresarial é aberto para todos, não existe isso de preconceito. Para quem quer trabalhar de verdade, as oportunidades virão, independente se é X ou Y. Mas uma coisa é fato: se a mulher não for empreendedora e tiver um espírito criativo ela não sai do lugar, nem dentro de casa e nem no mercado de trabalho", conta Renata.

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