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Dilma ou Aécio? O que esperar após o resultado das urnas

Especialistas e gestores de empresas desenham cenários possíveis a partir da vitória de cada candidato à presidência. Certo está que 2015 será um ano difícil

Por | 23/10/2014

renata.leite@mundodomarketing.com.br

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Ainda na noite do próximo domingo, o Brasil enfim conhecerá o nome, o partido e a plataforma política que guiarão o país pelos próximos quatro anos. Os eleitores terão, provavelmente, que esperar até a contagem dos últimos votos para saber em qual número a maioria apostou suas fichas. O mercado já demonstrou que, após um longo período de apoio ao PT, voltou a estar inclinado a enxergar no PSDB o caminho para o país encarar anos que, como parece, não serão dos mais promissores. Mas, afinal, quais cenários podem despontar a partir dos resultados que saírem das urnas?

Durante o mandato de Luis Inácio Lula da Silva, em 2008, a maior crise econômica mundial desde a Depressão de 1929 colocou em xeque a competência da administração do PT. Até ao menos 2011, o governo conseguiu contornar a queda de confiança dos mercados internacionais, a deflação de ativos e a redução significativa da produção industrial nos países desenvolvidos, focando na expansão do mercado interno. A receita funcionou muito bem durante as duas gestões de Lula e garantiu a eleição de sua sucessora em 2010.

No ano seguinte ao pleito, entretanto, a estratégia começou a apresentar desgastes e, hoje, já não impede mais que a marola provocada pela crise internacional ganhe vulto no país. "A relação entre crédito e Produto Interno Bruto (PIB), que era de 20% em 2003, chega hoje a 50%, considerando-se pessoa física e jurídica. A taxa de juros brasileira, que sempre foi muito alta, caiu consideravelmente. O desemprego também partiu de 11%, em 2003, para cerca de 5%, atualmente. Mas todos esses avanços têm uma limitação. Esses aspectos da dinâmica econômica se esgotaram", resume Antonio Licha, Diretor de Pós-Graduação do Instituto de Economia da UFRJ e membro do Grupo de Conjuntura da universidade, em entrevista ao Mundo do Marketing.

2015 não será um ano fácil
Diante do cenário, é unanimidade entre economistas e cientistas políticos que 2015 não será um ano fácil - seja para Aécio Neves ou Dilma Rousseff. Os ajustes precisarão ser feitos e, mesmo se tudo der certo, o Brasil não deve crescer mais do que 3% no próximo ano. Os baixos índices de incremento anual do PIB são justamente um dos principais alvos das críticas do mercado ao atual governo do PT, já que muitas empresas tiveram que desacelerar investimentos e até demitir funcionários recentemente, dependendo do setor em que atuam.

Outro calcanhar de aquilhes da gestão de Dilma Rousseff foi a intensa intervenção estatal na economia, demonstrada, por exemplo, pela interferência nos preços da gasolina e da energia. Uma das primeiras medidas impopulares que o próximo presidente certamente terá que tomar será justamente permitir a altas dos valores cobrados por esses recursos, custos que impactam o dia a dia de pessoas físicas e, principalmente, empresas de todos os demais setores da economia. Manter a inflação dentro da meta nesse contexto não será nada fácil. "Para o mercado, isso é melhor, porque vira a economia para o rumo certo", afirma o Professor de Economia da ESPM-Rio Roberto Simonard, em entrevista ao Mundo do Marketing.

O resultado do controle estatal e das manobras contábeis do governo levaram insegurança para os investidores. "As idas e vindas da cobrança do IPI (Imposto Sobre Produtos Industrializados), os incentivos para a indústria de automóveis sem um investimento paralelo em mobilidade, e a falta de previsão em leilões, como os de energia e do Pré-Sal levaram o empresariado a confiar pouco no governo do PT. A gestão não conseguiu manter a transparência, o que é muito importante para o investimento", diz o cientista político Leonardo Paz Neves, Professor do Ibmec/RJ e Coordenador do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), em entrevista ao Mundo do Marketing.

Cenários possíveis no pós-pleito
A escolha entre Aécio Neves e Dilma Rousseff tem neste ponto sua principal diferença: a confiança. Ao apresentar o influente economista Armínio Fraga como futuro Ministro da Fazenda, o candidato do PSDB respondeu aos anseios dos empresários. O Ex-Presidente do Banco Central e Sócio-Fundador da Gávea Investimentos, ao falar em ajuste fiscal gradual e na importância de trazer a inflação para a meta, apresenta um discurso mais compatível com o que o mercado espera, especialmente entre aqueles que contam com ativos financeiros em grande quantidade.

A principal diferença entre a escolha de Dilma ou Aécio tende a se concentrar no início do mandato. "Se vamos pensar no cenário para 2015, essa decisão faz diferença. Caso a Dilma ganhe, os mercados financeiros vão ficar instáveis, haverá uma queda maior da bolsa, o dólar subirá e os títulos públicos cairão. O PT gera um stress no mercado financeiro. A inflação também tenderá a subir. O tempo que levará para essa instabilidade amenizar dependerá de como será formada a equipe econômica", prevê Licha, da UFRJ.

Com Aécio o cenário tende a ser o contrário. "A turbulência será menor no fim deste ano e no começo do próximo. Já para médio prazo, a história é diferente e pode acabar aproximando o panorama para ambos, ainda que as políticas sejam diferentes. O horizonte de análise é importante. Em médio prazo, as instabilidades financeiras, até por conta das especulações, devem se acalmar em dois, três ou quatro meses, mas vão contaminar a economia por todo o primeiro semestre caso a Dilma vença. Os empresários vão esperar para fazer investimentos, vão preferir aplicações financeiras seguras", analisa o membro do Grupo de Conjuntura da universidade federal.

Há clamor por mudança
Embora Aécio acena com um ajuste fiscal e Dilma com investimentos em infraestrutura, isso não significa que qualquer um dos dois cumprirá as promessas. O tucano enfrentará um possível baixo apoio no congresso na empreitada, e essa não é a primeira vez que o PT sinaliza que melhorará as estradas e os transportes. "O ano que vem será muito duro. Está havendo uma retração no consumo. O que um dos dois vai fazer a partir de janeiro é o que me preocupa. Se tudo continuar do jeito que está, estamos fritos, e, se o outro mudar tudo, estamos congelados", diz um empresário da indústria alimentícia ao Mundo do Marketing, preferindo não ser identificado.

A candidata do PT parece já ter percebido que não é possível manter a política exatamente da mesma forma como foi conduzida ao longo dos últimos anos, tanto é que adotou em sua campanha o slogam "Dilma muda mais". "O fato de Aloizio Mercadante atuar como interlocutor dela é um sinal de continuidade. Mas se tudo for mantido, haverá uma instabilidade financeira tamanha que a obrigará a mudar de rumos, mais cedo ou mais tarde", ressalta Licha, da UFRJ.

Algumas empresas que tinham investimentos de longo prazo para realizar optaram por esperar a definição do próximo governo para tirar os projetos do papel, ou não. O adiamento, entretanto, não é unanimidade. "Mantivemos os planos e estamos investindo em novas unidades industriais. Estamos acelerando, não freamos não, apesar de já termos sentido um pouco da retração. Concentramos os esforços em sermos criativos, para driblá-la, inovando em tecnologia e mantendo nosso crescimento orgânico", afirma um executivo de uma rede de supermercados, em entrevista ao Mundo do Marketing, preferindo não ser identificado.

Cenário internacional adverso
Enquanto internamente o Brasil vivencia a elevação do endividamento da população, com os juros altos do país, além da inflação, a perspectiva internacional também não é animadora. A retomada da economia americana acontece lentamente, a China registrará um crescimento menor este ano e o preço das commodities não crescerá mais, como ocorria alguns anos atrás e beneficiava o Brasil. Esse contexto faz com que haja uma maior aversão ao risco e, consequentemente, um financiamento externo mais baixo à economia dos países em desenvolvimento, inclusive a brasileira.

Surge aí a necessidade de atacar a ineficiência sistêmica no Brasil, que passa pela questão regulatória, que estimula abusos de poder econômico, como a formação de oligopólios, monopólios e a própria corrupção. "Ainda somos um país com uma economia muito vulnerável, por ser baseada em commodities. Ao mesmo tempo, muito internacionalizada, com remessas altas de lucros para o exterior. Há ainda o vazamento da renda por um sistema político corrupto, que aumenta o gasto por investimento e apara o efeito multiplicador. É muito dinheiro que sai, quando na verdade deveria ser aplicado aqui dentro. Não acho que nem a Dilma nem o Aécio mudarão isso", diz Reinaldo Gonçalves, Titular de Economia Internacional do Instituto de Economia da UFRJ, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Leia também: Opinião dos brasileiros sobre temas políticos. Pesquisa do Mundo do Marketing Inteligência.

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