Startups de hospedagem colaborativa movimentam mercado pet | Mundo do Marketing

Publicidade

Patrocínio

Publicidade
Publicidade Publicidade
Mundo do Marketing Inteligência

Reportagens

Startups de hospedagem colaborativa movimentam mercado pet

Hábito de deixar os animais de estimação com parentes ou amigos durante viagens se profissionaliza na internet. Ambiente residencial é diferencial em relação a hotéis do segmento

Por | 10/09/2014

luisa@mundodomarketing.com.br

Compartilhe

O mercado pet desperta cada vez mais a criatividade de empreendedores que buscam soluções para atender às necessidades dos donos de animais de estimação. Os mimos e cuidados com cães e gatos movimentam R$ 16 bilhões por ano e vão muito além de alimentação e saúde, já que os pets são levados em conta inclusive durante as férias da família. Se todos os integrantes da casa estão inclusos em programações prazerosas e acomodados em quartos de hotel confortáveis durante os dias livres, não poderia ser diferente com os mascotes.

Como nem sempre é possível levá-los para todos os roteiros, a demanda por hospedagem especializada cresce. Não basta, contudo, abrigar e alimentar; os donos querem locais que reproduzam o aconchego proporcionado por eles aos seus pets. Essa busca foi o ponto de partida para a criação de sites de hospedagem colaborativa para animais. O país já abriga pelo menos três sites em moldes semelhantes ao do Airbnb, só que para os bichinhos. E essa oferta tende a crescer, já que o Brasil é o segundo maior mercado do setor, atrás apenas dos Estados Unidos, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação.

O buscador especializado em acomodações para humanos Airbnb oferece opções que vão desde quarto em casa de família até casas completas, por preços mais baixos do que os da rede hoteleira. Já os sites focados nos pets oferecem pernoite na casa dos cuidadores, que pode ser com ou sem a presença de outros animais, e o serviço de pet sitter, com a visita da pessoa à própria casa do animal para suprir as necessidades básicas dele diariamente. Na maioria das vezes, essa personalização custa mais caro do que a hospedagem em um canil ou gatil convencional. Enquanto a diária em um estabelecimento custa a partir de R$ 45,00, os cuidados em domicílio com uma hora de duração podem demandar até R$ 70,00.

Este é um mercado formado por startups, sendo uma delas o site Doob´Doo, vencedor do prêmio Rio Startup. A empresa recebeu um investimento de R$ 75 mil e se prepara para o lançamento da página oficial até o fim do mês de setembro. A demanda já se mostra promissora: o cadastro inicial que tinha o objetivo de montar banco de dados acabou rendendo cinco hospedagens em duas semanas. "As pessoas começaram a pedir um lugar para deixar seus bichinhos com urgência, pois já tinham viagem marcada. Então, fizemos a ponte. O principal diferencial é o carinho e a experiência gerada para todas as partes envolvidas. O cachorro não vai dormir numa gaiola, o dono tem mais tranquilidade e o anfitrião se diverte", analisa Kotoe Karasawa, sócia da Doob´Doo, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Toque pessoal
Apesar da enorme oferta de espaços profissionais que se dedicam a receber animais para temporadas, alguns donos preferem deixar seus cães e gatos em um ambiente residencial e com atenção exclusiva. Nos hotéis, os pets podem ter acesso a serviços como massoterapia e ofurô, enquanto, na hospedagem doméstica, o principal trunfo é o ambiente mais parecido com o que o animal já está acostumado no seu dia a dia.

Na casa do anfitrião, o pet convive com os bichos do dono da casa e desfruta do carinho do dono temporário. Os serviços colaborativos de pernoite ainda ganham pontos no quesito personalização, já que as particularidades do temperamento, saúde e manias do hóspede serão levados em conta pelo pet sitter, ao passo que em ambientes coletivos poderiam não receber tanta atenção. 

A observação destas necessidades foi o insight para a empresária Monique Corrêa criar o site Pet Roomie. "Planejamos uma viagem de férias em família no réveillon. Minha sobrinha, que tem três cachorros e uma gata, acertou com a vizinha para ela tomar conta deles, sendo que a senhora não se sentiu apta a cuidar de um dos cães, que era mais ativo e tinha muito medo de fogos. Acabamos deixando-o em um hotel cheio de regalias, mas, mesmo assim, a minha sobrinha continuou preocupada, dizendo que descansaria mais se ficasse na casa de alguém em quem confia pessoalmente", conta Monique Corrêa, Sócia-Fundadora do Pet Roomie, em entrevista ao Mundo do Marketing.

A empresária conheceu o site norte americano Dog Vacay durante esta viagem e começou a desenhar o projeto para uma versão brasileira. O modelo estrangeiro se baseia no formato do Airbnb e usa a afetividade como um diferencial com o slogan "Encontre um dog sitter amoroso". A ideia central é ampliar para a internet as relações que antigamente eram construídas entre vizinhos de bairro. "Não somos um classificado e, sim, uma comunidade, porque as pessoas não pagam por anúncios. O foco do nosso modelo de negócios é a criação de comunidade. Queremos unir as pessoas novamente, sem que tenham que passar por um CNPJ para interagirem", diz Monique Corrêa.

Uma rede social de serviços
Um ponto em comum aos sites de hospedagem colaborativa de animais é o fato de o cliente ter acesso ao perfil do anfitrião e poder analisar a sua reputação com relação a trabalhos anteriores. Todos os contratos acontecem entre pessoas. As interações sociais, portanto, tem um papel importante no fortalecimento da confiança entre as duas pontas do serviço: o contratado e o contratante. "Ao podermos gerar incremento de renda para as pessoas fazendo algo de que elas gostam, temos um dos pontos principais de um serviço colaborativo", pontua a sócia-fundadora do Pet Roomie.

A responsabilidade social deste modelo de negócios afeta não só os humanos, mas também diretamente aos bichos. A principal época de abandono de animais são as férias, tanto é que a Suipa do Rio de Janeiro chega a receber 80 pets por dia, durante o verão. "Queremos contribuir para a conscientização das pessoas, porque enquanto uns fazem tanto pelos animais, outros adotam ou compram e os deixam na primeira dificuldade. Este é um trabalho também de educação", conta Monique Corrêa.

Segurança e credibilidade
Para garantir a integridade de todos os envolvidos no processo - animais, donos e suas residências -, todos os dados são checados pelos sites de serviços. Por trás daquilo que é apresentado no perfil da comunidade de pet sitters existe um trabalho rígido para garantir a veracidade. Na internet é fácil criar personalidades falsas e foi para driblar essa questão que todos os sites resolveram adotar o login por meio do Facebook. A estratégia, além de ajudar na hora de encontrar contatos em comum, ainda permite comparar informações e acompanhar o histórico da pessoa com quem se está fazendo negócio.

O site Pet Hub, que atua a dois anos expondo serviços de pernoite e pet care, foi além do contato virtual para garantir a veracidade do que era apresentado pelos seus cadastrados. A equipe visita pessoalmente as casas de todos os anfitriões para conhecer as instalações e também a sua relação com os próprios animais de estimação, quando tem.

Além disso, todos também são submetidos a entrevistas para terem seu perfil habilitado. "Aqueles que contratam algum tipo de serviço, depois, precisam deixar um comentário sobre a experiência. Este registro é um memorial e não pode ser apagado por ninguém", comenta Sérgio Hernandes, Sócio-Fundador do site Pet Hub, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Expansão para novos serviços
Tantos critérios da Pet Hub com a sua base de cadastrados acrescenta credibilidade ao site, que já soma mais de sete mil prestadores de serviços registrados. O fundador, que é ex-gestor de projetos em TI, abandonou o emprego fixo e vendeu dois carros para investir na criação da plataforma de serviços colaborativos para pets. A empresa é tocada 100% em home office e já se paga com as tarifas de 15% de administração cobradas sobre cada transação.

A empresa gera rendas extras de até R$ três mil para alguns dos internautas cadastrados na base.  Um dos atrativos é a segurança dos mecanismos de pagamento, que formalizam os trabalhos antes limitados aos combinados verbais. Na plataforma, o cliente paga no ato da contratação e o valor fica retido pelo site e é repassado ao contratado após o término do serviço.  "O que fizemos foi profissionalizar as pessoas que já cuidavam dos animais de parentes e amigos informalmente. Hoje eles se protegem de calotes e podem utilizar uma plataforma de gestão de clientes para se organizar", conta o Sócio-Fundador da Pet Hub.

Agora, o próximo projeto é a criação de uma consultoria online para incentivar novos empreendedores que queiram se inserir na prestação dos mais diversos serviços para este segmento, como hospedagem, passeios cotidianos, pet sitter e grooming, que é o conjunto de cuidados especiais para animais que participam de concursos de beleza. "Queremos incentivar quem vai iniciar seu próprio negócio. Vamos disponibilizar especialização, material de treinamento e videoaulas. A hospedagem é o carro-chefe, mas existem inúmeras possibilidades. Atualmente já contamos com pessoas que sabem aplicar insulina no animal e outras especializadas em Pit Bull, por exemplo", complementa Sérgio Hernandes.

Leia também: Panorama do mercado Pet brasileiro. Estudo do Mundo do Marketing Inteligência.

Pet | Animal de Estimação

Comentários


Publicidade

Voltar ao Topo

Copyright © 2006-2018.

Todos os direitos reservados.

Assine o Mundo do Marketing Inteligência

Copyright © 2006-2018. Todos os direitos reservados. Todo o conteúdo veiculado é de propriedade do portal www.mundodomarketing.com.br. É vetada a sua reprodução, total ou parcial sem a expressa autorização da administradora do portal.

Auditado por: Metricas Boss