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Especial Copa: empresas podem ter custos elevados em até R$ 135 bi

Valor será pago a funcionários no caso de nenhum negócio aderir aos feriados. Serão 64 paralisações nas cidades-sede, sendo sete nacionais caso o Brasil chegue às semifinais

Por | 13/03/2014

renata.leite@mundodomarketing.com.br

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copa,feriado,encargo,legadoEnquanto parte dos empresários se planeja para absorver a demanda gerada pelos turistas que chegam ao país atraídos pela Copa do Mundo e aproveita o aumento do consumo, outros já contabilizam prejuízos por conta dos dias que precisarão permanecer de portas fechadas. O ano de 2014 será recheado de feriados, que podem gerar perdas de até R$ 30 bilhões à produção no Brasil segundo cálculos da FecomercioSP. Entre 10% e 20% dos funcionários devem ser dispensados das atividades nas cidades-sede.

Essas áreas terão 64 feriados, sendo sete deles nacionais, em caso de o Brasil chegar às semifinais. Os gastos adicionais com os trabalhadores alcançariam R$ 135 bilhões caso todas as empresas optassem por manter o funcionamento. Desse montante, R$ 50 bilhões seriam gastos em encargos trabalhistas. A empresa terá um acréscimo à folha de pagamento de 137% ao dia trabalhado. Dificilmente a totalidade das empresas abrirá as portas. Se 10% delas paralisar as atividades haverá a perda de produto de quase R$ 15 bilhões, ou pouco mais de 0,3% do PIB.

As cidades-sede respondem por R$ 1,2 trilhão em produção e movimentam outros R$ 300 bilhões em salários. "As empresas que decidirem abrir nos feriados sofrerão o impacto do pagamento do adicional dos funcionários, por causa dos encargos. Já se optarem por se manterem fechadas, reduzirão o PIB. Ocorrerá uma queda na produtividade que nem outros eventos que o país tem tradicionalmente ao longo do ano vão conseguir recuperar", avalia a assessora econômica da FecomercioSP Kelly Carvalho, em entrevista ao Mundo de Marketing.

Efeitos econômicos superestimados

Os exemplos das duas últimas Copas não pintam um cenário otimista. As expectativas exageradas em relação aos efeitos econômicos do evento nos países-sede não se confirmaram. A Alemanha previu a criação de 150 mil empregos para a época do mundial, sendo 100 mil deles temporários. O que se verificou, no entanto, é que foram gerados apenas 50 mil empregos temporários e não houve queda efetiva na taxa de desemprego de longo prazo.

As expectativas na África do Sul também não se confirmaram. Os cálculos apontavam para o crescimento de 0,5 ponto percentual no PIB no ano da realização dos jogos, com geração de 300 mil empregos. O resultado, no entanto, foi de 0,2 ponto percentual a mais no PIB e a geração de pouco mais de 100 mil postos definitivos.

O mesmo ocorre em relação ao turismo. Estima-se que os visitantes estrangeiros atraídos pelas Copas dos EUA, França e Coréia/Japão foram da ordem de 400 mil, 500 mil e 400 mil, enquanto as expectativas muitas vezes superavam a casa dos milhões. Na África do Sul, menos de 250 mil turistas se deslocaram para acompanhar o evento de perto.

Influência no consumo

Entretanto, é inegável o aumento no consumo, em especial para alguns segmentos da economia. Pesquisa da Nielsen Sports mostra que na África do Sul, na cidade de Gauteng, houve aumento de 14,7% na compra de salgadinhos e 19,1%, de cerveja em 2010, ano do mundial. Em 2009, os produtos haviam registrado crescimento de 9,2% e 16,5%, respectivamente. Ainda segundo o estudo, 63% dos brasileiros consome algo enquanto assiste a esportes na TV. Um lar fã de futebol, consome, em média, 20% mais de cerveja (18 litros) do que um desinteressado (15 litros).

Os impactos nas compras não se limitam ao setor alimentício. "Nas últimas Copas da Europa, como França e Alemanha, a venda de material esportivo aumentou 50%. O bolso do consumidor, no entanto, não cresce junto. Esse dinheiro está saindo de algum outro segmento. O varejo de shopping deve ser impactado negativamente", diz Luis Henrique Stockler, da ba}STOCKLER, em entrevista ao mundo do Marketing.

As empresas precisam avaliar caso a caso, considerando não só o segmento como também a localização, para decidir pela abertura ou não das unidades durante os feriados e calcular perdas mesmo em dias sem jogos. "Um cliente de uma rede de lanchonetes já concluiu que, tradicionalmente em anos de Copa, suas vendas nas praças de alimentação caem 5% no ano. Como este ano o evento acontecerá no Brasil, esse dado pode sofrer alguma alteração. Outra questão é que o primeiro jogo da Seleção Brasileira ocorrerá no dia 12 de junho, data importante para o comércio. Recomendo que ações estimulem a compra antecipada de presentes para o Dia dos Namorados", conclui Stockler.

Leia também: Oportunidades para a Copa do Mundo de 2014. Pesquisa do Mundo do Marketing Inteligência, exclusivo para assinantes.

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