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Mercado

A tendência das Microfranquias, suas oportunidades, modelos e cases

Negócios com investimento de até R$ 50 mil atraem empreendedores da classe média. Versões de negócios com baixo investimento são tendência para franqueadoras

Por Luisa Medeiros - 28/03/2013

As microfranquias, que tem investimento inicial de até R$ 50 mil e faturamento mensal máximo de R$ 30 mil se mostram promissoras para a economia nacional. O modelo registrou crescimento de 25% em 2012, superando os resultados gerais do setor que teve aumento de 16% no mesmo período.  As versões de pequeno porte movimentaram R$ 5 bilhões no último ano, se tornando responsáveis por 5% do faturamento das franquias no país, de acordo com dados da ABF (Associação Brasileira de Franchising). 

O cenário próspero faz com que muitas marcas sejam criadas para atuar exclusivamente neste modelo. Simultaneamente, empresas consolidadas no mercado lançam versões simplificadas dos seus negócios para atender também aos pequenos empresários. Esta modalidade de operações mais enxuta atrai profissionais autônomos, que passam a operar sozinhos e em tempo integral as suas unidades. Em outros casos, as microfranquias são a escolha de investimento de quem ainda é funcionário em outra companhia, e utilizadas como fonte de renda complementar.

O baixo custo de implantação tornou as microfranquias as preferidas da classe média, trazendo para o mercado novos perfis de empreendedores com renda entre R$ 1.110,00 e R$ 3.875,00. “O setor cresce principalmente baseado nos emergentes. As pessoas da Classe C também são empreendedoras e querem ter um negócio próprio. Então, nada melhor para elas do que começarem com a microfranquia, pois o investimento e o risco são menores. Funciona como uma porta de entrada. O novo franqueado monta sua unidade pelo preço de um carro popular”, explica Edson Ramuth, Diretor de microfranquias da ABF, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Microfranquia como complemento de renda
Entre as empresas associadas à ABF existem opções flexíveis de franquias que não exigem ponto comercial, royalties ou capital de giro. Com o investimento de R$ 4.700,00 é possível se tornar um franqueado da Auto Brasil, especializada em serviços automobilísticos, o menor custo entre as afiliadas da ABF. As franqueadoras disponibilizam também opções de negócios para quem não pode se dedicar integralmente, mas quer empreender. A Mr. Kids permite que o microempresário opere suas máquinas sozinho e apenas nas horas vagas. A empresa do segmento de vending machines de brinquedos cobra R$ 5 mil de taxa de franquia, R$ 8.960,00 para a compra de máquinas e R$ 900,00 de estoque de produtos. A marca não exige ponto comercial exclusivo, contratação de funcionários e nem estabelece meta de recompra de produtos.

A flexibilidade de relacionamento com a franqueadora é um fator decisivo para a escolha do franqueado, que comumente divide suas atenções entre a sua unidade e outras atividades profissionais. “A maior parte dos franqueados da Mr. Kids usam o negócio como uma fonte de renda secundária. Com o tempo alguns acabam saindo do emprego para se dedicar a franquia, aumentando o número de máquinas, pontos e expandindo sua operação. Outro aspecto que ressalta essa liberdade é que 38% dos nossos franqueados são mulheres, fato que se deve a flexibilidade na supervisão das máquinas, deixando tempo livre para a família”, comenta Antônio Chiarizzi, Diretor da Mr. Kids, em entrevista ao Mundo do Marketing. 

O engenheiro mecânico Marcelo Fernando Blecha atuava em sua área de formação quando começou a pesquisar sobre franquias e atualmente se dedica exclusivamente ao negócio, lucrando cerca de R$ 7 mil por mês sobre um investimento inicial de pouco mais de R$ 14 mil. “Trabalhava em uma empresa alemã quando comecei a pesquisar sobre franquias. Levei em conta o custo, o tipo de produto e a facilidade em lidar com a operação. Optei pelas vending machines porque cuido, até hoje, de todo o processo sozinho: busco máquinas, supervisiono, reabasteço, procuro pontos novos. E na época me dividia entre o negócio e a minha função de engenheiro. Atualmente minha renda principal é a franquia. Meu investimento inicial foi pequeno, comecei com cinco máquinas, hoje já tenho mais de 50”, conta o franqueado da Mr.Kids.

De autônomo a franqueado
Com o surgimento de microfranquias especializadas em serviços como limpeza doméstica, manutenção residencial e delivery de beleza, muitos autônomos migram e se tornam franqueados.  O Brasil conta atualmente com mais de 1,5 milhão de profissionais que trabalham por conta própria registrados no MEI (Micro Empreendedor Individual), de acordo com informações do Portal Brasil. Este universo compreende desde donos de micro empresas até manicures, eletricistas, marceneiros, técnicos de informática, que passam a ver nas franquias a possibilidade de expandir o alcance de suas operações.

Algumas empresas como Dr. Resolve, Disk Manicure e Light Depil priorizam em seus modelos menores os franqueados especialistas no ramo e que atuem como operadores.  Os profissionais ligados a uma empresa experiente no mercado passam a usufruir da credibilidade da marca. “Fazendo parte da franquia, a pessoa tem muito mais condições de divulgar seu serviço e crescer. Como autônomo, o trabalho ficaria restrito à mão de obra própria, mas como franqueado o caminho natural é contratar outros profissionais. O principal diferencial é estar em um grupo. Além disso, as ações de Marketing e publicidade podem ser mais efetivas, uma vez que os custos são divididos entre todos. Sozinho, o autônomo dificilmente poderia fazer tais investimentos”, analisa Edson Ramuth, da ABF.

A facilidade de ingressar neste modelo de negócios, contudo, pode esconder armadilhas, principalmente para profissionais que estão migrando da autonomia e iniciando sua primeira atividade empresarial. A procedência da empresa e seus antecedentes são alguns pontos de atenção para o sucesso do investimento. Na internet existem várias empresas oferecendo franquias milagrosas que prometem, entre outras coisas, retorno imediato e enriquecimento a curto prazo. “O Brasil tem leis de franquias que todos devem respeitar, inclusive as microfranquias. O primeiro passo para ter certeza é verificar se a empresa está filiada à ABF. Como nenhum negócio vai à frente sem a proatividade do empresário, outro ponto importante é ter afinidade com a área em que vai trabalhar. Se não há identificação com o ramo, a chance de dar errado é muito grande”, diz Edson Ramuth.

Tendência para as grandes marcas
Enquanto algumas empresas são criadas para operação exclusiva no modelo de microfranquias, outras marcas de médio e grande porte percebem o formato como uma possibilidade de expansão e lançam versões simplificadas das suas franquias.  Com projeção de crescimento de 25% por ano até 2018, as microfranquias despertam a atenção pela possibilidade de exploração de novos nichos.  A aposta é mudar o foco dos poucos e grandes empresários com altos investimentos para pequenos empreendedores e difundir serviços e produtos específicos que demandam estruturas mais enxutas. “A tendência é que as franqueadoras criem estas ramificações pela necessidade de fazer modelos mais simples para atender à demanda”, diz o Diretor de Microfranquias da ABF.

A AcquaZero Car Wash, franquia de lavagem automotiva ecológica, diversificou o seu modelo de negócios para atender a diferentes localidades e perfis de franqueados. A marca tem a sua versão para shoppings centers com investimento incial podendo ultrapassar os R$ 200 mil, mas, em paralelo, disponibiliza duas opções de microfranquia: o licenciamento, que incluindo taxas de franquia e kit de produtos sai por R$ 8.480,00, e Delivery com trailer, cujo investimento é de R$ 25 mil, dando direito ao reboque personalizado da marca. “O mesmo negócio pode se encaixar em diferentes formatos e atender a diferentes necessidades. Além disso, é muito mais fácil encontrar 100 pessoas dispostas a investirem R$ 50 mil do que a investir R$ 500 mil. Uma unidade maior e mais cara traz mais visibilidade, mas a ideia dos pontos menores é popularizar a franquia, dando possibilidade a quem tem menor poder aquisitivo de também se posicionar no mercado”, comenta Marcos Mendes, Diretor da Acqua Zero, em entrevista ao Mundo do Marketing.