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O que mudou na economia e o que esperar nos próximos 7 anos

O economista Ricardo Amorim fala sobre passado, presente e futuro para as empresas no Brasil, dando início a série especial em comemoração aos sete anos do Mundo do Marketing

Por | 04/03/2013

pauta@mundodomarketing.com.br

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A crise nos Estados Unidos e na Europa, somada à ascensão de mais de 55 milhões de brasileiros para as classes A, B e C e o acréscimo mundial de mais de 400 milhões de pessoas à nova classe média foram fatores que contribuíram para um cenário favorável ao crescimento dos países emergentes, inclusive o Brasil, nos últimos sete anos.

Mesmo diante deste cenário de prosperidade, o próximo período de sete anos se anuncia mais cauteloso do que o anterior. Demanda por geração de emprego, alto custo de produção interna causada por valorização cambial e risco de inflação são alguns dos fatores que devem desacelerar o crescimento. Este cenário, porém, não significa retrocesso.

A crise dos países ricos, sem previsão de recuperação em curto prazo, deve servir de suporte para que as nações emergentes, como o Brasil, se aproximem das desenvolvidos. "As diferenças estão ficando menores, os países ricos estão estagnados. O mesmo mecanismo acontece internamente: o interior cresce mais que as capitais, o que propicia o equilíbrio", analisa Ricardo Amorim, Economista e Presidente da Ricam Consultoria, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Mundo do Marketing - O que realmente mudou nos últimos sete anos e que impacta o cenário econômico brasileiro, mundial e, consequentemente, as empresas?
Ricardo Amorim - As mudanças que continuam se refletindo até hoje na verdade se iniciaram um pouco antes, em 2001. Basicamente temos dois fatos: primeiro, a entrada da China na Organização Mundial do Comércio impactou a economia mundial devido à mão de obra pouco valorizada do país, o que barateia as importações.  Isso foi duplamente positivo para o Brasil que passou a importar a maioria dos produtos mais barato e, ao mesmo tempo, exportar mais matéria prima. O segundo fato é a desvalorização do Euro e do Dólar, ou seja, do capital. Como os produtos industrializados têm mais peso do que a alimentação, a inflação caiu. Em consequência, os juros também diminuíram, alcançando as menores taxas da história, o que nos países emergentes possibilita expansão de crédito e do consumo. Isso automaticamente coloca os países que exportam capital em uma posição econômica ruim.  A crise que atingiu Europa e Estados Unidos a partir de 2008 reforça um movimento que já estava acontecendo: o mundo está virando de cabeça para baixo. Os emergentes começam a ser bem sucedidos e os ricos começam a dar errado.

Mundo do Marketing - Qual a importância da classe média para o desenvolvimento recente da economia do Brasil?
Ricardo Amorim - Entre 2006 e 2011, 55 milhões de brasileiros emergiram para as classes A, B e C. Isso representa toda a população da Itália consumindo no Brasil. No mesmo período, globalmente os países emergentes seguiram a mesma tendência com 400 milhões de pessoas ingressando na nova classe média. Essa transição viabilizou a expansão de crédito e, aliada à diminuição dos juros, resultou em crescimento das vendas a prazo. Isso levou o país a ter um crescimento mais acelerado.  Em paralelo, o Brasil atingiu a menor taxa de desemprego da história, inclusive com aumento de renda. Na contra mão, a Europa e os Estados Unidos estão próximos de atingir as taxas de desemprego mais alta das suas histórias acompanhadas dos salários mais baixos.

Mundo do Marketing - De que forma a ascensão social impactou o consumo nos países emergentes?
Ricardo Amorim - O consumo está migrando para os países emergentes com PIB fortalecido e a produção crescendo nos países ricos que vivem em estado de recessão. Diante dessa realidade, a taxa de câmbio se altera e o Real fica mais forte. Portanto, produzir no Brasil fica mais caro, enquanto o Dólar e o Euro se desvalorizam, propiciando a produção e o acesso turístico.

Mundo do Marketing - Podemos dizer que nestes sete anos a economia do Brasil ficou mais madura?
Ricardo Amorim -
Sim, levando em conta os créditos externos muito mais sólidos. O Brasil conta com um nível muito alto de reservas internacionais, praticamente US$ 400 bilhões, o que gera tranquilidade. Particularmente, o desenvolvimento tem sido muito forte. No ano passado, o país foi o terceiro com mais investimentos do exterior, atrás somente dos Estados Unidos e da China. Por outro lado, o setor público continua sendo um calcanhar de Aquiles.  Mas isso é natural, porque um processo de amadurecimento nunca é linear.

Mundo do Marketing - O que esperar dos próximos sete anos? Qual o maior desafio?
Ricardo Amorim -
É um grande desafio para os próximos sete anos conseguir crescer nesse ritmo usando os fatores de produção que o país tem, mas não utiliza na sua totalidade. Um exemplo é a infraestrutura, que vinha se arrastando desde 2003 e agora necessita de investimento.  E o aumento da produtividade dos trabalhadores com investimento em educação. Isso é necessário para manter a o crescimento de renda, uma vez que o desemprego atingiu níveis baixíssimos.

Mundo do Marketing - Qual a principal tendência para a indústria no próximo período de sete anos?
Ricardo Amorim -
Acredito na mecanização e maior utilização de softwares e máquinas em geral. Com a mão de obra mais cara e pouco produtiva devido à carência de educação e valorização do Real, as máquinas se tornam uma boa alternativa. Com os equipamentos importados mais baratos, haverá uma mudança na característica produtiva brasileira: fica mais barato para as empresas terem máquinas do que contratar funcionários.

Mundo do Marketing - Os investimentos externos tão expressivos nos últimos anos devem se manter?
Ricardo Amorim -
Os investidores externos vêm de regiões que estão passando por problemas. O Brasil é a escolha porque é um dos maiores mercados emergentes e deve continuar recebendo empresas estrangeiras, mas em menor escala devido à redução de desempenho nos últimos dois anos. O governo tomou uma série de medidas que assustou os investidores estrangeiros e até os brasileiros: fez alterações no setor elétrico, nos bancos e nas telecomunicações com regras mais duras para os serviços. Foram medidas favoráveis do ponto de vista do consumidor, só que a forma como foi feito gerou uma incerteza jurídica, o que pode representar a perda de bilhões de dólares para as empresas. 

Mundo do Marketing - O que esperar dos eventos esportivos de 2014 e 2016?
Ricardo Amorim -
Os eventos devem ser vistos como processos. Precisamos entender por que vieram para cá. São eventos privados: a Copa é da FIFA e as Olimpíadas são do COI. A última Copa foi na África do Sul, agora teremos no Brasil e as próximas, na Rússia e no Catar, todos países emergentes. O mesmo raciocínio das multinacionais serve para a FIFA. Ela está querendo levar o negócio do futebol para onde existe crescimento e, consequentemente, resultados.  Para o país que sedia é uma oportunidade única de acelerar o crescimento em infraestrutura. Uma Copa realizada em um país desenvolvido como na Alemanha, por exemplo, gera muito menos impacto estrutural do que no Brasil.

Mundo do Marketing - Qual a projeção para o mercado nos próximos sete anos? Além do setor de construção, quais se fortalecem?
Ricardo Amorim -
Em um estudo realizado entre os anos de 2003 e 2004, concluiu-se que em 97% das fusões entre empresas americanas ou europeias e brasileiras, a do país emergente estava sendo comprada.  O quadro se inverteu e atualmente na metade das vezes, a companhia brasileira é a compradora. Exemplo disso foi a compra da Heinz pelo 3G Capital. A valorização do Real contribui para isso porque faz com que a produção nacional renda muito mais. O PIB em 2003 era de US$ 500 milhões. No ano passado foi de US$ 2,5 trilhões.

Mundo do Marketing - Como fica a saúde financeira do brasileiro nos próximos anos?
Ricardo Amorim -
Deve acontecer um aumento de renda, que vem junto com um crescimento menor de emprego e diminuição também na oferta de crédito. O grau de endividamento do brasileiro é quatro vezes menor que nos Estados Unidos e cinco vezes menor que em alguns países da Europa. Porém, o comprometimento de renda se torna maior porque as parcelas no Brasil são mais curtas, já que o país ainda tem histórico de instabilidade recente. As pessoas têm medo de emprestar a longos prazos, o que deixa as prestações maiores. 

Se os juros continuarem em uma trajetória de queda, isso reduzirá o risco de comprometimento de renda futura. O nível de endividamento cairá se a renda continuar aumentando e os juros diminuírem, pois as novas dívidas terão juros menores e o consumidor, uma renda maior. Porém, se um ou ambos fatores andarem na contra mão, as taxas de juros podem crescer para segurar a inflação. O cenário mais provável não é o de grandes problemas, mas a inflação deve subir mais ao longo do ano e o governo vai ter que controlar.

Veja também na série especial de aniversário de 7 anos do Mundo do Marketing: Consumo: mudanças são menores do que se imagina e Tendências e desafios para o varejo.
 

 

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