Publicidade

Patrocínio

Publicidade
Publicidade Publicidade Publicidade
Mundo do Marketing Inteligência

Reportagens

Os Extremos do Consumo: do luxo às classes C e D

O fórum ?Os extremos do consumo?, realizado pela Escola Superior de Propaganda e Marketing do Rio de Janeiro debateu as práticas de consumo das classes C e D e dos produtos de alto luxo. O evento contou com a presença do especialista

Por | 03/04/2006

pauta@mundodomarketing.com.br

Compartilhe

Os Extremos do Consumo: do luxo às classes C e D

Por Fábio Storino
fabio@mundodomarketing.com.br

Os extremos do consumo foram os temas do Fórum realizado na última semana pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) do Rio de Janeiro. Enquanto o mercado de luxo movimenta US$ 200 bilhões por ano, as classes C e D compram apenas quando têm necessidade e, muitas vezes, recorrem aos vizinhos para fazer uma compra à prazo. O seminário também apontou diferenças na forma de compra em pólos de luxo e quais serão as tendências para este segmento que pode ultrapassar US$ 1 trilhão em 2010. Um dos destaques do Fórum foi Jean Castrède, professor do Institut Supérieur du Marketing de Luxe (FRA), que comentou sobre os 12 setores que definem o luxo.


Cecília Mattoso realizou estudo com
consumidores das classes C e D na Rocinha

O presidente do Conselho da Microinvest, Carlos Ximenes, mostrou o case Fininvest, que dá uma visão geral sobre o comportamento financeiro de consumidores de baixa renda. De acordo com a pesquisa, esses consumidores não fazem compras por vontade, uma vez que não possuem capital para isso. O microcrédito - modalidade de financiamento voltada aos micro e pequenos empreendimentos - foi apontado por ele como uma possível solução para os problemas financeiros da população de baixa renda. "O microcrédito pode gerar um mundo de oportunidades, mas é pouco explorado", afirma.

Já a professora da ESPM e doutora em Administração, Cecília Mattoso, apresentou um estudo sobre os consumidores de baixa renda. Em pesquisa na Rocinha, Cecília constatou que muitas pessoas acabam "emprestando" os seus nomes devido a necessidades de uma rede social interna na comunidade. Ou seja, o empréstimo de nome é uma espécie de troca de favores. Uma pessoa com o nome limpo no mercado compra algum produto para que outra - com nome no Serviço de Proteção ao Crédito - pague. "Emprestar o nome é uma obrigação moral e de reciprocidade", declara. A professora contou que ter o nome sujo é encarado sem constrangimento pelas pessoas. "Nas classes C e D a inadimplência cresce assustadoramente. Em 70% dos casos, as pessoas buscam empréstimos apenas para pagar dívidas anteriores", relata.

Sobre o mercado de luxo, foi abordada a comparação entre as ruas Garcia D´Ávila, no Rio de Janeiro, e Oscar Freire, em São Paulo. Foi feito um mystery shopping nas duas ruas - técnica na qual um pesquisador, criteriosamente escolhido, se passa por um comprador comum para obter resultados reais. Foram comparadas questões pertinentes a profissionais e áreas de luxo. Os atendentes cariocas mostraram-se mais simpáticos, enquanto os de São Paulo apresentaram maior profissionalismo. Na parte física, a Garcia D´Ávila tem calçadas mais largas, porém a infra-estrutura para deficientes na Oscar Freire é superior. Em Ipanema, os aspectos de limpeza e organização das vitrines foram destacados, embora as lojas da Oscar Freire apresentassem altos níveis de atratividade externa. No quesito segurança, as duas ruas deixaram a desejar. Nenhum policial foi encontrado durante o período de visita dos pesquisadores.


Jean Castrède acredita que o Brasil
tem grande potencial no segmento de luxo

Em seguida, a doutora em Antropologia Social, Lívia Barbosa, fez uma análise sobre as tendências de mercado em que os consumidores buscam os extremos. Eles procuram os produtos top, independentemente de quanto custam. Há ainda os que buscam os preços mais baixos. Com isso, há uma diminuição na demanda pelos produtos de qualidade e preço intermediários. Lívia apresentou previsões que o mercado do luxo poderá movimentar US$ 1 trilhão em 2010. A antropóloga credita esse crescimento no cenário do luxo ao aumento geral da renda, da informação, da educação, da idade de casamento, à entrada mais cedo (de crianças) e na saída mais tarde (de idosos) no mercado de consumo e à invenção de uma nova terceira idade. Ela conta que houve uma redefinição do luxo e que prestígio e status não são mais elementos centrais. "Já que todos podem comprar tudo, me diferencio pelo gosto", avalia.

Jean Castrède, professor do Institut Supérieur du Marketing de Luxe (FRA), apontou os 12 setores que definem o luxo: arte da mesa, automóveis de luxo, perfumaria/cosméticos, moda, gastronomia, hi fi, joalheria/relojoaria, bolsas de marca, turismo/lazer, obras de artes, vinho/bebidas alcoólicas e esporte. Para o professor, o Brasil tem um grande potencial dentro do segmento de luxo. Além do país, também foram destacadas a Rússia, a China e a Índia como mercados de luxo proeminentes. "Nesse quadrilátero, o Brasil é o que tem maior número de possibilidades no que diz respeito ao turismo", analisa. Seguindo as tendências do luxo, para uma indústria do setor se estabelecer, ela deve utilizar-se da inovação (valor estético de bem estar), do desejo e valorizar a economia da oferta em detrimento da demanda. "O luxo, em relação a outras atividades econômicas, é uma arte. A gestão de marcas de luxo é complicada. É difícil balancear as atividades de Marketing, a tradição e a inovação", opina.





Comentários


Publicidade

Publicidade

Voltar ao Topo

Copyright © 2006-2018.

Todos os direitos reservados.

Assine o Mundo do Marketing Inteligência

Copyright © 2006-2018. Todos os direitos reservados. Todo o conteúdo veiculado é de propriedade do portal www.mundodomarketing.com.br. É vetada a sua reprodução, total ou parcial sem a expressa autorização da administradora do portal.

Auditado por: Metricas Boss