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Turma da Mônica se moderniza para as novas gerações

A turminha busca novos pontos de contato com crianças e também adultos

Por | 08/04/2009

pauta@mundodomarketing.com.br

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Por Guilherme Neto
guilherme@mundodomarketing.com.br

Turma da Mônica se moderniza e acompanha novas geraçõesA Turma da Mônica cresceu e está chamando a atenção dos brasileiros. Com a proposta de atrair os leitores do gibi tradicional que deixavam de acompanhar a turminha a partir dos seus 11 ou 12 anos, a nova "Turma da Mônica Jovem" trouxe os carismáticos personagens Mônica, Cebolinha, Cascão e Magali em uma versão adolescente, provocando não só a curiosidade dos jovens, mas também dos adultos.

Esse novo gibi reflete o caminho que Mauricio de Sousa tem levado a turma de personagens que criou há mais de 40 anos. De olho na mudança do comportamento das crianças e dos jovens que, na opinião dele, estão saindo da infância mais cedo do que em outras gerações, o desenhista tem investido na presença digital dos quadrinhos da Turma da Mônica e na busca por novos públicos.

A nova revista se inspirava na fórmula dos quadrinhos japoneses (o "mangá"), gênero pelo qual muitos adolescentes vinham trocando a Turma da Mônica nos últimos anos. O resulto foi um sucesso de vendas estrondoso. Atualmente na oitava edição, cada número do novo gibi vende entre 300 e 400 mil exemplares, tornando-se a história em quadrinhos mais vendida no mercado brasileiro, superando até mesmo a Turma da Mônica tradicional (que continua sendo lançada).

Turma da Mônica se moderniza para as novas geraçõesNovo gibi acompanha o boca-a-boca na internet
O Turma da Mônica Jovem (foto) é criado a partir do acompanhamento do boca-a-boca gerado por leitores em blogs e redes sociais.  "Nossa produção é interativa. Quase todo dia entro no Orkut para bater papo com o pessoal. Nosso material é analisado diversas vezes antes do lançamento seguindo as sugestões do público", conta Mauricio de Sousa, em entrevista ao Mundo do Marketing.

O projeto era uma ideia engavetada há vários anos na Mauricio de Sousa Produções, estúdio responsável por todos os projetos relacionados à Turma da Mônica. O "piloto" do novo gibi havia sido criado há cinco anos e, na ocasião do lançamento, chegou a ser distribuído gratuitamente como número zero para divulgação do gibi em eventos para jovens em São Paulo e como brinde para quem levava um dos números da Mônica tradicional. O sucesso ultrapassou o público adolescente e chegou aos adultos, curiosos para verem os personagens com quem conviveram na infância mais crescidos, e chamou a atenção até mesmo das crianças de seis a dez anos.

A modernização da Turma da Mônica não se limita a apenas isso. Sempre antenada em relação à concorrência com outros meios de entretenimento, como o videogame, a internet ou a televisão, a Turma da Mônica sempre esteve presente nesses meios. Ainda fica na lembrança de muitos o filme em animação como As Aventuras da Turma da Mônica (o primeiro dos quase 20 longa e curta-metragens lançados nos últimos 26 anos) ou os jogos da Turma da Mônica para os videogames Mega Drive e Master System desenvolvidos pela então Tec Toy (hoje Tectoy) na década de 1990.

Turma da Mônica se moderniza para as novas geraçõesProjetos para novos parques da Turma da Mônica
O Parque da Mônica é outro espaço encontrado pelo autor para reforçar os gibis da Turma da Mônica sem perder o trilho caminhado pelas novas gerações. Já contando seus 16 anos, o parque de diversões localizado no Shopping Eldorado (foto), na zona oeste de São Paulo, ganhou no ano passado um canal on-line para a venda de passaportes de entrada e está cheio de projetos para a implementação de novos brinquedos.

A ideia agora é reposicionar o parque também como uma atração turística de ordem internacional. Isso não necessariamente implica numa expansão de seu espaço. "Ele já tem um bom tamanho para a cidade. Se for para fazer algo maior, prefiro abrir um novo parque fora da cidade", diz o criador Mauricio de Sousa, em entrevista ao Mundo do Marketing. Segundo ele, já estão em andamento estudos para o "Parque do Cebolinha" e um Parque do Chico Bento, além de um novo Parque da Mônica em Ruanda, na capital da Angola.

O objetivo é evitar fracassos interiores, como o Parque da Mônica aberto no Rio de Janeiro no ano 2000 por acionistas concessionários e fechado cinco anos depois, cuja localização afastada motivou o seu fracasso, ou o antigo projeto do Parque do Chico Bento em São Paulo, que não se identificava com o caráter rural do personagem que daria nome ao local. "Hoje eu faria um Parque do Chico Bento no interior, como em Mogi das Cruzes [N.R.: onde o desenhista passou sua infância], mais no estilo hotel-fazenda", explica Mauricio de Sousa ao site.

Lojas da Turma da Mônica focam em aeroportos
Quem também está ganhando novas unidades é a loja da Turma da Mônica presente no parque, que agora marca presença também nos aeroportos de Guarulhos (foto) e Congonhas, em São Paulo, e no Salgado Filho, em Porto Alegre. A falta de concorrência com grandes lojas de brinquedos e departamentos, como nos shoppings, que já vendem produtos da Turma da Mônica, motivou a escolha dos aeroportos para as lojas, que possuem também produtos exclusivos.

Turma da Mônica se moderniza para as novas gerações

As lojas, todas licenciadas para um mesmo concessionário, ainda não possuem um programa estruturado de expansão em franquias, mas a Mauricio de Sousa Produções está aberta a propostas de interessados. Além disso, a loja virtual passa por uma reestruturação, de forma a interligá-la à rede de lojas físicas.

Portal da Turma da Mônica prepara reformulação
Turma da Mônica se moderniza para as novas geraçõesNa área digital, a turminha não deixa a dever. O site da Turma da Mônica, aberto em meados da década de 1990, conta com atualizações constantes, o que inclui jogos, notícias relacionadas aos gibis, aplicativos para computador e até a publicações de histórias completas em quadrinhos. No momento, o site prepara uma reformulação no seu conteúdo e visual, já datado em relação ao que se vê na internet hoje em dia.

"Não adianta me queixar da concorrência com o meio digital. Adianta eu fazer game, colocar quadrinho na internet. Senão os canais piratas vão fazer o nosso trabalho", defende o desenhista (foto), que afirma que a distribuição ilegal de quadrinhos digitalizados ainda não é um problema. "Mas pode vir a ser, por isso estamos montando um esquema para avaliar e agir se a coisa sair do aceitável. Tudo que está na internet ainda está sem lei e sem ordem. Isso é uma questão de tempo para haver uma legislação para colocar ordem na casa", completa.

O próximo passo é a expansão da Mônica em locais muito distantes do fictício bairro do Limoeiro, em São Paulo, cruzando a fronteira para outros países. Apesar de não ser nenhuma novidade, o lançamento dos gibis da Turma da Mônica em outros países fortaleceu-se com a recente mudança de casa dos quadrinhos. Depois de 20 anos na Editora Globo, agora os gibis são publicados pela multinacional de origem italiana Panini, mais famosa no Brasil pelos seus álbuns de figurinha mas que vem se destacando nos últimos anos com sua forte presença no mercado de histórias em quadrinhos, como já fazia na Europa.

Sucesso no exterior exige o lançamento integrado de desenhos animados
Hoje, a turma fala em 32 idiomas diferentes mundo afora, sendo o quadrinho de maior destaque o protagonizado por Ronaldinho Gaúcho (foto), a versão infantil inspirada no craque da bola e incluída no rol de personagens de Mauricio de Sousa. Essa, na verdade, não é a primeira experiência desse tipo já feita por Mauricio de Sousa. Entre 1977 e 1986 fez sucesso no Brasil o "Pelezinho", gibi que homenageava o rei do futebol.

A assimilação com a estrela internacional do futebol pode explicar a preferência dos estrangeiros pelo gibi, mas seu criador não crê que haja problemas de aceitação com a turma tradicional. Segundo ele, o sucesso em países como Alemanha, Estados Unidos e Japão, onde o mercado de quadrinhos é bastante forte e recheado de produções locais, exige o lançamento de um desenho animado na TV para garantir o sucesso. "Em alguns países já exibimos material de acervo nosso, mas a quantidade é insuficiente. Estamos desenvolvendo novas animações e precisamos de pelo menos um ano e meio para alcançar um estoque suficiente", completa.

Além disso, os gibis evitam tocar em assuntos considerados tabus ou grosseiros em outras culturas, de forma a facilitar o lançamento do gibi no exterior. Mesmo assim, os quadrinhos lançados lá fora passam por um critério de seleção que evita histórias controversas e em alguns casos até sofrem adaptações.

Títulos para livrarias focam no público adulto
A mudança de editora também tem outro motivo: o foco em títulos para livrarias. O contrato anterior tornava a Editora Globo exclusiva para o lançamento de livros, sejam esses quadrinhos ou não. "Fui muito bem com os quadrinhos com a Editora Globo, mas queria fazer mais livros. A Editora Globo tinha uma limitação nessa parte", explica o artista.

Hoje pela Panini Editora, a exclusividade se mantém apenas no ramo de quadrinhos (seja em revistas para bancas ou livro em livrarias), podendo a Turma da Mônica estrelar títulos por outras editoras, como livros de contos, didáticos ou para-didáticos. Além disso, a nova casa permitiu uma expansão em títulos em quadrinhos direto para livrarias, todos coletâneas de tiras e histórias antigas direcionadas ao público adulto que, em clima de nostalgia, poderia relembrar das velhas histórias as quais cresceram lendo.

Turma da Mônica se moderniza para as novas geraçõesLicenciamento fatura o dobro que a venda de gibis
A área de maior destaque e que possibilitou muitos desses novos projetos saírem das páginas dos gibis é o licenciamento de produtos (foto). Com um faturamento pelo menos duas vezes maior que a venda de gibis, a turminha está presente nas mais diversas categorias de produtos, como alimentação, material escolar e vestuário. Até mesmo a Turma da Mônica Jovem já fez sua estreia em produtos para o público adolescente. "O licenciamento foi o que nos possibilitou investir em novos projetos e fazer experimentações. Além disso, dificultou a monopolização de personagens estrangeiros em produtos para as crianças", explica Mauricio de Sousa.

Apesar do Marketing voltado a crianças ainda ser motivo de polêmica para alguns pais ou entidades, o desenhista acredita que a proibição não é a melhor maneira de encarar a questão. "Deveria haver uma união dos grupos para discutir as melhores maneiras de se dirigir a criança, e quem sabe até com propostas de punições para quem fizesse algo errado. Qualquer proibição é burra, pois os mal intencionados arrumariam algum jeito de burlar isso", conta.

Enquanto isso, a Mauricio de Sousa Produções se divide na produção de novas animações - para cinema e televisão -, diversos lançamentos em livros para serem apresentados na próxima Bienal do Livro (em setembro, no Rio), e a expansão digital e internacional da turminha. Sem deixar de lado, claro, os quadrinhos. "Já estou desenvolvendo roteiros para edições de dezembro. Não posso dormir no ponto", ressalta seu fundador.

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