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Música por streaming no Brasil: novos players movimentam o mercado

Empresas como Skol e Koni já despertam para o potencial do segmento e se aliam a plataformas que dispensam o download de canções e se tornam alternativa à pirataria

Por | 21/07/2014

renata.leite@mundodomarketing.com.br

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O walkman e suas fitas cassetes, que as gerações mais jovens sequer conheceram, foram os precursores das inovações que garantiram mobilidade ao hábito de ouvir música. Surgiram, em seguida, o discman e o iPod, que também não tardaram a serem superados. O advento dos smartphones e tablets já proporciona uma nova revolução na área, ao levar à popularização a tecnologia do streaming. O serviço dispensa o download de faixas, é acessado via internet e ganha adeptos ao oferecer vantagens em relação à pirataria, ilegalidade que tomara conta do segmento nas últimas décadas. Já reconhecidos no exterior, os aplicativos que levam playlists para dentro dos dispositivos móveis e dos PCs desembarcam no Brasil apostando nos avanços do 3G e do 4G no país.

O último player a chegar a solo nacional foi o Sportfy, já muito popular internacionalmente e presente em 57 países. A equipe no Brasil é formada por 15 pessoas que buscam destacar a América Latina na operação global. Para enfrentar outros serviços concorrentes já consolidados por aqui - como Deezer, Rdio e Napster -, a companhia apostou na adesão de formadores de opinião e no antigo, mas não ultrapassado, boca-a-boca. Cerca de 250 pessoas puderam testar a plataforma inicialmente e convidar amigos, o que levou à formação de uma lista de espera com mais de 400 mil nomes antes mesmo do lançamento.

As redes sociais e o YouTube foram os canais usados em seguida para comunicar a chegada e passar detalhes sobre o novo serviço. "Nossa expectativa é muito grande. Ao redor do mundo, os usuários gastam, em média, 110 minutos mensais ouvindo música em nossa plataforma. Deles, 55% são homens e a maioria tem entre 18 e 34 anos", diz Gustavo Diament, Diretor Geral do Spotify para a América Latina, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Peculiaridades do serviço
Criada em 2006, a plataforma conta com um catálogo com mais de 30 milhões de músicas, que podem ser acessadas gratuitamente caso o usuário aceite ouvir anúncios durante a execução das playlists selecionadas. Pagando a mensalidade de US$ 6,00, a publicidade é excluída e há mais liberdade para a escolha de músicas avulsas e a configuração de listas personalizadas. Assim como os concorrentes, o serviço se vale de algoritmos para sugerir as canções que estão de acordo com o gosto do cliente. Ou seja, quanto mais se usa o programa, melhor se torna a experiência nele.

Outra característica dos serviços de streaming é a proximidade com as redes sociais. As empresas oferecem integração com o Facebook e permitem que amigos em comum compartilhem playlists e saibam o que os demais estão ouvindo. A funcionalidade também está presente no Deezer, que briga por sua fatia nesse mercado brasileiro de música digital há um ano e meio. O lançamento por aqui teve o melhor resultado fora da França, país de origem do serviço.

A chegada de mais um player no Brasil ainda não é encarada como um problema. "Temos dois milhões de usuários ativos no Brasil, o que representa 1% da população brasileira e 2% da parcela que está conectada. Então, não é nada. Na França, 80% da população conhecem o Deezer, mesmo aqueles que não são usuários. Aqui muita gente sequer sabe como funciona esse tipo de serviço. Por isso, a chegada de mais atores só ajuda a popularizar a tecnologia, abrindo portas para todos", analisa Mathieu Le Roux, Diretor da Deezer na América Latina, em entrevista ao Mundo do Marketing.
Caminhos de divulgação

A empresa, que conta ao todo com 16 milhões de usuários no mundo, ainda tem na pirataria e no desconhecimento seus principais concorrentes no Brasil. Para se aproximar dos usuários e convencê-los sobre as vantagens de pagar R$ 15 mensais pelo serviço, a empresa aproveitou o período da Copa do Mundo para se conectar ainda mais com os ouvintes. A plataforma ofereceu playlists inspiradas em cada um dos países participantes da competição para se tornar o fiel companheiro dos torcedores no caminho para os estádios ou no trajeto para os locais de encontro com amigos.

Outra estratégia adotada pelo Deezer, que também tem uma versão gratuita mais limitada e com publicidade, é buscar embaixadores nas redes sociais para capitalizar a divulgação. Esses usuários são agradados e tem canal aberto de comunicação com a plataforma. "Somos uma startup e não temos recursos para fazer investimento na TV, por exemplo. Nossa aposta está em gerar conteúdo que dê o que falar na internet", afirma Mathieu Le Roux.

Já a opção nacional presente no mercado, o Superplayer, encontrou no aporte financeiro um apoio para se popularizar. A plataforma lançada em 2013 espera chegar a um milhão de usuários até o fim de agosto, após a injeção de R$ 1,15 milhão em sua operação pela empresa especializados em APPs Movile e a aceleradora 21212. Atualmente, são 600 mil clientes ativos, sendo que 60% acessam o serviço a partir smartphones e 40%, de computadores. O crescimento deve ser potencializado também por meio de parcerias com fabricantes de celulares. Os sócios brasileiros fecharam acordo com a Nokia e estão desenvolvendo um aplicativo customizado para o Windows Phone.

Curadoria musical
O Superplayer se posiciona no mercado como um meio termo entre o que oferecem os serviços de streaming e a facilidade da proposta das emissoras de rádio. "Lançamos o produto apontando totalmente na linha da conveniência. Vimos que os concorrentes falavam em milhões de música, que representavam milhões de formas de se perder em meio à plataforma. O usuário não sabe o que é bom e acaba ouvindo sempre as mesmas playlists. Entendemos que ele precisa de alguém que organize isso tudo para ele", afirma Gustavo Goldschmidt, Co-Fundador do Superplayer, em entrevista ao Mundo do Marketing.

A opção nacional de streaming aposta numa curadoria musical para se diferenciar dos concorrentes. O lançamento do serviço ocorreu após dois anos de testes e pesquisas. Nesse momento inicial de preparação, os sócios verificaram que a maioria das pessoas escuta música enquanto realiza alguma atividade. Eles decidiram então montar playlists baseadas seja num esporte como corrida, ou num momento, como o trajeto para o trabalho. Há ainda as listas "curando a ressaca", "de pantufa em casa", estimulando a criatividade" e "entretendo a galera do escritório". 

A solução agradou e levou a uma popularização do serviço por meio do boca-a-boca, num crescimento orgânico. Somente agora uma equipe de Marketing está sendo estruturada para garantir a ampliação da base de clientes. "As pessoas gostaram e começaram a compartilhar as playlists. Hoje vemos vários players também apostando nessa curadoria. Nós queremos nos aproximar da rádio convencional, mas oferecendo uma experiência mais personalizada ao consumidor", acrescenta o gaúcho Gustavo Goldschmidt, que comanda as operação em sociedade com outros dois irmãos.

Indústria e varejo também investem
As empresas que não fazem parte do universo da música também já despertaram para os potenciais de atrelarem seus negócios à nova tecnologia do streaming. A Skol aproveitou o festival de cultura digital youPix para lançar a startup Soundspot. O aplicativo gratuito é ativado por GPS e permite ao usuário atrelar canções a uma rua, uma praça, um grafite em um muro da cidade ou uma parada de ônibus, por exemplo. São mais de 30 milhões de músicas para serem associadas aos lugares favoritos.

Cada som marcado será visível para os demais usuários que passarem pelo local, criando uma espécie de mapa musical de cada região da cidade e do país. O APP permite ainda ao usuário criar sua própria rede de influências, seguindo perfis de amigos e artistas. A F/Nazca Saatchi & Saatchi assina a criação em parceria com a Hive, que auxiliou no desenvolvimento da tecnologia.

Já a rede de temakeria e comida japonesa Koni optou por se associar ao Rdio, serviço de streaming presente no Brasil desde o segundo semestre de 2011. A plataforma criada nos Estados Unidos um ano antes conta com 25 milhões de músicas.  Desde o último dia 26, a marca de fast food disponibiliza uma playlist na plataforma, com hits que clientes ouvem nas lojas da rede.

Os assinantes do Rdio podem seguir a página do Koni e ter acesso a listas mensais com canções selecionadas pela Rádio Ibiza, empresa especializada em branding musical. Cada uma delas conta com aproximadamente 20 músicas são publicadas na plataforma sempre na primeira quinzena do mês. A de estreia conta com opções de Marcelo Camelo, James Brown e Arctic Monkeys, entre outras bandas e artistas.

Outras plataformas à vista
O cenário musical por streaming ainda está longe da consolidação ou da saturação. Novas empresas já despontam no horizonte e devem estar disponíveis para usuários em breve. Há poucos dias, o YouTube informou que já estabeleceu parcerias com grandes gravadoras e selos independentes para lançar seu serviço pago até setembro. As expectativas são de que a solução se assemelhe a dos concorrentes, mas permitindo aos clientes ouvirem música sem estarem conectados. A plataforma também deve oferecer a possibilidade de se acompanha o álbum inteiro de uma banda, em vez de apenas faixas individuais, como ocorre hoje no YouTube.

No primeiro dia deste mês, o Google já havia anunciado a compra o serviço de música Songza, com investidores como a Lerer Ventures e a Metamorphic Ventures. É possível que a gigante de buscas integre o serviço ao YouTube, em seus planos de competir com a Apple e a Amazon, que também há investiram no mercado de streaming. A primeira comprou em maio a Beats Electronics por US$ 3 bilhões e a Amazon desenvolveu uma plataforma própria, o Prime Music, lançada em junho.

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