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Os desafios para quem está entrando no varejo virtual

Diante de um cenário mais competitivo, jovens empreendedores apostam em ideias inovadoras e muito planejamento para não sucumbir aos desafios da web

Por | 18/06/2013

bruno.garcia@mundodomarketing.com.br

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especial e-commerce,planejamento,,comércio eletrônicoHá uma ilusão de que criar uma estrutura de e-commerce é algo simples e barato. De fato, para quem quer começar um negócio no meio online, são inúmeras as opções de plataformas e sistemas gratuitos para que em poucos cliques uma nova loja virtual esteja no ar. A facilidade de entrada associada ao perfil empreendedor de muitos brasileiros fez com que um enorme contingente se aventurasse em negócios digitais nos últimos anos, muitos acreditando estarem diante de uma mina de ouro. Estima-se que em 2014 o país terá mais de 45 mil lojas virtuais, quase o dobro do número registrado em pesquisa da E-Commerce School de 2011.

Plataformas de pagamento também ganham força, permitindo que mesmo pessoas físicas comecem a vender pela web. Só o sistema de pagamento Moip reúne mais de 30 mil vendedores ativos e processou mais de seis milhões de transações no último ano. A ilusão gerada por poucas barreiras de entrada se reflete no alto índice de negócios virtuais que são criados e depois se tornam inativos. A mesma pesquisa da E-Commerce School mostra que das lojas presentes na web brasileira, 70% estão totalmente inativas. Muitas delas estão acessíveis na web, mas são totalmente desconhecidas, não recebem investimentos de seus fundadores e, consequentemente, não vendem.

Diante desta realidade, os novos empreendedores precisam estar ainda mais atentos na hora de analisar cenários e montar seus planos de negócios. "Fazer um planejamento mais elaborado garante a viabilidade do negócio. As pessoas perdem muito tempo contratando e avaliando fornecedores, mas gastam pouco tempo planejando a operação. É preciso mudar a maneira de encarar este negócio. Empresários abrem uma loja no shopping e esperam por um payback de 24 ou 36 meses sem nenhum susto. Por que no e-commerce este retorno tem que vir em três ou quatro meses? Os empreendedores precisam ser mais realistas. A loja virtual é um comércio como qualquer outro. Só o meio é diferente", avalia Alexandre Soncini, Diretor de Vendas e Marketing da VTEX, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Empreendedores devem planejar com calma
especial e-commerce,planejamento,,comércio eletrônicoO alto índice de lojas virtuais inativa mostra que a maior parte dos novos entrantes no comércio eletrônico não se preparou para a empreitada. Abrem a loja e esperam que as vendas aconteçam de forma automática. Como não fizeram um planejamento, também não possuem recursos disponíveis para investir e acabam abandonando a ideia. "O mercado de e-commerce nacional tem evoluído e amadurecido muito. Realmente não é um espaço para aventureiros e, cada vez mais, teremos empresas altamente profissionais e com grande conhecimento de seus respectivos mercados, independentemente de seus tamanhos", explica Raphael Duailibi, Diretor de Portfólio da e.Bricks, em entrevista ao portal.

O amadurecimento também se reflete na maior regulação do setor, com mais exigências, leis que estipulam as obrigações do lojista e aspectos tributários. Se estes itens não estiverem contemplados no plano de negócios, todo o projeto pode ser inviabilizado. "A questão fiscal é um agravante para as lojas virtuais, pois a sede pode estar em uma cidade, o estoque em outra, e a entrega acontece em um local diferente. Não necessariamente o mesmo produto com o mesmo preço vai chegar com a mesma rentabilidade de acordo com o local da entrega. Isso muda toda a estratégia comercial. É preciso entender as diferenças para colocar a variável na sua estratégia. Este planejamento é bem mais complexo e exige mais planejamento do empresário", complementa Raphael Duailibi.

Na startup Instaquadros, os sócios dedicaram um tempo a montar este planejamento. Prestes a completar um ano de operação, a loja reúne fotógrafos amadores cadastrados no Instagram e vende suas imagens emolduradas em quadros, em cartões e até em capas de smartphones, remunerando por comissão o autor da imagem. "O e-commerce engana o empreendedor, pois parece que ele vai gastar apenas R$ 10 mil abrindo o site e o restante acontecerá por consequência. Mas é preciso investir em Marketing, na divulgação e no planejamento do negócio. A carga tributária é outro ponto que dificulta bastante a sobrevivência de quem está começando", alerta Allan Campos, Sócio-Fundador do Instaquadros.

especial e-commerce,planejamento,,comércio eletrônicoFoco em nichos e pensamento inovador
Mesmo com os desafios, os resultados no Instaquadros estão dentro das expectativas e os sócios comemoram a base de 170 mil imagens cadastradas pelos usuários em oito meses de vida. Neste caso, o bom planejamento aliado a uma ideia inovadora podem ser os ingredientes para uma receita de sucesso. Seu próprio fundador, amante da fotografia, percebeu a oportunidade devido à enorme dificuldade que tinha para emoldurar suas fotos. "O faturamento ainda não é tão alto, mas está dentro da nossa meta, até porque oferecemos um serviço atrelado a um produto. Dependemos de um crescimento orgânico, um trabalho de formiguinha, mas estamos satisfeitos com o ritmo até agora", conta Allan.

Também pensando em resolver um problema que sentiu na pele, o empreendedor Marcos Teixeira fundou a GoBooks, e-commerce voltado para aluguel de livros universitários. Quando era estudante do curso de Relações Internacionais, Teixeira gastou muito dinheiro comprando obras que nunca mais foram utilizadas. Depois de pesquisar a fundo modelos semelhantes existentes no exterior, a empresa foi fundada em 2012. "Imaginei que outros alunos tinham o mesmo problema que eu. Mas no Brasil, não existia nenhuma empresa de aluguel de livros universitários, enquanto nos Estados Unidos, este é um segmento bem tradicional", diz Marcos Teixeira, Sócio-Fundador da GoBooks.

Apostando neste nicho, o empreendedor desenvolveu o seu plano de negócios e conseguiu um aporte para testar suas hipóteses. Com as ideias validadas, a startup obteve apoio de investidores anjos. Os livros são alugados por seis meses e devolvidos em pontos de coleta instalados nas próprias universidades, uma solução que simplificou a logística. "O mercado digital tem características muito específicas. Por isso é importante ter apoio para estruturar a operação e desenvolver bons processos", explica o empresário.

Driblando os obstáculos
especial e-commerce,planejamento,,comércio eletrônicoCom um plano de negócios bem feito, hipóteses testadas e mercado alvo estudado, o empreendedor deve levantar o capital disponível para manter a operação até que o negócio atinja a lucratividade, fazer investimentos em Marketing e contratar pessoas para ajudá-lo. Mas é com o início das atividades que a loja enfrenta os seus maiores desafios. Entre as dificuldades do dia a dia, problemas gerados pelo excesso de burocracia e pela logística estão no topo da lista de preocupações. Para negócios que entregam produtos frágeis, a entrega das mercadorias requer atenção. A Selo Reserva, startup voltada para o comércio de vinhos, tomou todos os cuidados necessários para evitar qualquer dano às garrafas transportadas.

A empresa desenvolveu junto a um fornecedor um modelo de caixa Premium para o transporte dos produtos. Além disso, fez a opção por trabalhar apenas com parceiros de logística top. "Desenvolvemos uma caixa bem resistente para o transporte e temos menos de 1% de avaria. Existem dificuldades em se trabalhar com um produto frágil, mas conseguimos montar um sistema bastante eficiente. Minha única reclamação é pelo fato do transporte ser caro, mas no nosso caso não está sendo nenhum obstáculo", afirma André Korenblum, CEO do Selo Reserva, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Outra startup, a CurtiVendi vem colhendo bons frutos a partir de um modelo de comércio eletrônico baseado em recomendações. Após muito observar as plataformas de recomendação social, os sócios elaboraram o plano de negócios e abriram a empresa com um aporte inicial de R$ 200 mil. Para os empreendedores, o maior desafio do dia a dia é conseguir abrir canais de diálogo com os varejistas para estabelecer parcerias. "Há uma dificuldade técnica de se comunicar com as grandes redes. No mais, acho que o grande desafio de todo empreendedor não é técnico, e sim tomar coragem para começar. Sair da zona de conforto e partir para alguma coisa diferente. Agora estamos conversando com alguns grupos de investimento e o retorno tem sido positivo. Provavelmente teremos um investimento, para que o negócio cresça na velocidade que queremos", antecipa Marcelo Najnudel, Sócio da CurtiVendi, em entrevista ao portal.

Leia também no Especial E-commerce: Não há mais espaço para amadores. Acesse aqui. As melhores estratégias para melhorar a rentabilidade no e-commerce. Acesse aqui.

Exclusivo para assinantes: Alexandre Soncini, Diretor de Vendas e Marketing da VTEX, fala sobre o desafio de melhorar a rentabilidade no varejo virtual. Leia aqui.

Exclusivo para assinantes: VP de Novos Negócios do Buscapé, Guga Stocco fala dos desafios e oportunidades na web. Leia aqui.

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