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O lado subjetivo das redes sociais

Como um cordão umbilical, elas conectam uma multidão de indivíduos, diz pesquisa do MIT

Por | 04/03/2011

pauta@mundodomarketing.com.br

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"O que nos alimenta nos consome." Sherry Turkle, professora de estudos sociais em ciência e tecnologia do Massachusetts Institute of Technology (MIT), onde dirige a Initiative on Technology and Self, que ela fundou em 2001 para estudar o lado subjetivo da tecnologia social, escolheu essa frase - com tradução livre - de um soneto de Shakespeare, em uma entrevista recente, para ilustrar o impacto das ferramentas tecnológicas em nossa vida. Quando enviamos uma mensagem de texto, olhamos a caixa de entrada de nosso e-mail ou obtemos informações online, a sensação que temos é de maior plenitude, como se nossa capacidade de receber fosse preenchida.

 A experiência é gratificante, porque a assumimos como positiva. Isso nos leva a pensar que estamos mais perto do objetivo, daquilo que queremos alcançar. "Nutritiva" foi a palavra que Turkle escolheu para descrever essa sensação de satisfação. Em sua opinião, essa percepção é falsa. Para essa especialista nas dimensões psicológicas e sociais da mudança tecnológica e na relação entre os objetos e nossa maneira de pensar, "vamos começar a perceber que nosso entusiasmo e fascinação, que acreditamos nos enriquecer, também nos achatam, nos reduzem, nos simplificam".

Por um momento, ela explica na entrevista, "enquanto usamos todas as ferramentas, todo o potencial que a tecnologia oferece, nos sentimos senhores do universo e, no momento seguinte, percebemos que, absorvidos nesse frenesi, estamos nos deixando `consumir´ e não pensamos em nada".

Um salto de fé
Nesse sentido, as redes sociais são o "brinquedo" que hoje nos consome. Turkle explorou o tema a partir de seu projeto no MIT ("Alone Together", que será publicado em 2011 e é o resumo dessa pesquisa). "Nós vivemos um pouco em nossa vida real e outro tanto na que criamos no Facebook." A história se repete. Tal como já aconteceu com todo avanço tecnológico, agora, a ferramenta que facilita o contato, ao mesmo tempo, ajuda a evitá-lo.

"Estamos menos conectados com os outros e hiperconectados com as `simulações´ que eles próprios criaram." Entretanto, a disponibilidade da tecnologia alimenta essa necessidade insalubre de estarmos "conectados" para nos sentir completos, degrada o valor emocional e intelectual da solidão, isola-nos, além de nos enclausurar em um espaço incerto entre a realidade e algo parecido com o mundo de sonhos compartilhados que Christopher Nolan criou no filme Inception [A origem].

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