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Abrindo mão de conquistas, brasileiros terminam 2015 frustrados

Crise fez com que consumidores voltassem a pechinchar, reduzissem consumo de supérfluos que já faziam parte da cesta de compras e, principalmente, temessem o futuro

Por | 21/12/2015

roberta.moraes@mundodomarketing.com.br

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Renato Meireles, Presidente do Instituto Data PopularPesquisa de preço, busca por promoções, redução de categorias, downgrade de marca e muita irritação. Assim pode ser resumido o ano do brasileiro, que teve que se equilibrar na corda bamba para conseguir ficar com as contas em dia. Mesmo com a crise se configurando logo no início de 2015, as dificuldades encontradas ao longo dos meses foram deteriorando gradualmente a renda e fez com que o cenário piorasse no futuro. Alta da inflação, do desemprego, das contas de energia e água foram apenas alguns fatores que contribuíram para que o consumidor colocasse o pé no freio e reconfigurasse seus hábitos.

Para tentar contornar a crise e não perder o estilo de vida já alcançado, o brasileiro teve que fazer concessões. E não foi apenas a classe C que que mudou, as classes A e B também tiveram que abrir mão de alguns luxos e simplificar a rotina. As mulheres mais abastadas, por exemplo, reduziram a frequência no salão de beleza e passaram a repetir roupas em eventos sociais para que sobrasse mais dinheiro para os filhos. O medo do desemprego e as incertezas do futuro fizeram com que mulheres de todos os níveis sociais tivessem o mesmo comportamento de compra. Isso é o que mostra a pesquisa "O Consumo Feminino em Tempos de Crise", realizado pela Ferraz Pesquisa de Mercado.

Essas dificuldades encontradas para manter o orçamento doméstico em dia estão deixando o brasileiro mais crítico, mais exigente e, principalmente, cada vez mais mal-humorado. "Esse grande sentimento de perda faz com que 56% dos brasileiros achem que esta seja a pior crise que o país já viveu, e sabemos que não é. Por não conseguir mais comprar as mesmas marcas que estava acostumado ou a mesma quantidade, o consumidor sai extremamente frustrado do ponto de venda e não mais feliz como era antigamente", comenta Renato Meireles, Presidente do Instituto Data Popular, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Crise de perspectiva

Um levantamento do Data Popular mostra que 98% dos brasileiros concordam que o país está em crise e 88% afirmam que a vida pessoal já está sendo impactada por ela. A desesperança é tão grande que 89% dos

entrevistados não conseguiram apontar o nome de alguém que pudesse ajudar o país a sair deste momento conturbado. Os 11% restantes que arriscaram disseram que só o Papa Francisco poderia fazer com que a economia se restabelecesse. "Isso mostra que a pior crise é de perspectiva, pois o consumidor não vê luz no fim do túnel", pondera Meirelles.

As marcas também não foram lembradas. Apesar do esforço de algumas em tentar mostrar apoio ao brasileiro, 72% dos respondentes não se recordaram de uma empresa que estivesse ao lado deles neste momento de crise. "Não pode ser só desconto e preço, pois isso gera uma frustração. É como se estivessem dizendo que o consumidor agora está pobre. E, na verdade, ele está sendo inteligente por buscar o melhor preço", comenta o presidente do Data Popular.

Recentemente, o Grupo Pão de Açúcar iniciou uma grande campanha de apoio ao brasileiro que mostra toda a empatia da organização diante da recessão. Muito além de oferecer algum tipo de benefício financeiro na hora da compra, como abatimento e parcelamento, a ideia é engajar a população em uma onda de otimismo. O movimento #Vamojunto reúne varejistas físicos e online, que buscam promover uma ação positiva, convidando os brasileiros a se unirem em defesa do que foi conquistado nos últimos anos. 

Eduardo França, Coordenador do MBA de Estratégias e Ciências do Consumo da ESPMConsumidor vislumbra novas possibilidades

Esse encorajamento que estimula o consumo chega em momento oportuno e tende a impulsionar o mercado, mas não esconde uma nova tendência que começa a surgir. Na tentativa de não abdicar dos hábitos já alcançados, a crise força o consumidor a testar novas alternativas e acaba se transformando em uma oportunidade para que marcas locais ascendam. Optar por empresas mais próximas e pelo consumo compartilhado foram questões que se destacaram em outros países que também estão passando por recessão econômica. "Surge um indício de uma conscientização maior sobre o consumo de produtos que são produzidos mais perto, pois contribui para promover a cadeia como um todo. Ajuda a gerar emprego e a movimentar o comércio local, por exemplo", pontua Eduardo França, Coordenador do MBA de Estratégias e Ciências do Consumo da ESPM, em entrevista ao Mundo do Marketing.  

Além de estar mais preocupado com a origem dos produtos, o brasileiro começa a se atentar para o consumo colaborativo, como mostra o estudo produzido pelo Mundo do Marketing que traz os desafios e as oportunidades da economia compartilhada. Ao entender que não é preciso mais ter, ele percebeu que pode fazer o dinheiro render muito mais. A economia compartilhada, inclusive, desafia as marcas a repensarem ofertas. "Desde o fim de 2014, começamos a perceber um movimento maior de conscientização e de pessoas que rejeitam o desperdício e que não são adeptas ao consumo exacerbado. Os brasileiros estão percebendo que não é preciso ter um carro para usar apenas aos fins de semana e que nos dias úteis fica parado na garagem, ele pode ser alugado por algumas horas para quem tiver interesse e que não possua automóvel. A ascensão dos brechós, por exemplo, mostra que o usado está se tornando viável por aqui", acrescenta França.

Apesar de tanto mau humor por conta de todas as dificuldades financeiras encontradas nos últimos meses, a crise começa a redesenhar os hábitos de consumo do brasileiro, o que pode ser uma boa notícia. Os problemas fazem com que as práticas sejam repensadas e exigem maior criatividade. Essa reflexão está ajudando a construir um novo pensamento e a formar cidadãos mais conscientes, como mostra o Índice de Consumo Consciente do brasileiro.

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