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Para além da tecnologia, Geração Alpha lança desafios para educação

Modelos de aprendizagem já ultrapassados se tornam insustentáveis diante dos pequenos que, no ano que vem, ingressam no Ensino Fundamental. Há instituições que já buscam mudanças

Por | 05/08/2015

renata.leite@mundodomarketing.com.br

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Anna Penido, Geração AlphaSe uma pessoa fosse transportada diretamente do fim do Século XIX para os dias de hoje, é provável que um único lugar lhe parecesse familiar: a sala de aula. As mudanças tomaram o mundo de supetão, especialmente nas últimas décadas, mas a educação não as acompanhou. O problema já é evidente diante do comportamento das gerações Y (nascidos entre 1980 e 1994) e Z (1995 a 2009), mas promete ficar mesmo insustentável com a chegada dos Alphas (a partir de 2010) ao Ensino Fundamental - o que acontece no ano que vem.

A quase totalidade das instituições de ensino e dos professores não está preparada para atender às necessidades deles em nenhum lugar do globo. Especialmente em países do primeiro mundo, os Zs fazem parte do grupo que mais teve acesso à educação formal da história. Eles ingressaram nas escolas mais cedo e projetam permanecer sentados nas carteiras por mais tempo. Na Austrália, um em cada cinco Baby Boomers (nascidos entre 1940 e 1959) tem formação universitária, ante um em quatro da Geração X (1960 a 1979) e um em três Ys. As projeções para os Zs são de que essa fração seja de um a cada dois, segundo a consultoria mccrindle, do demógrafo e pesquisador social australiano Marc McCrindle, que nomeou a Geração Alpha.

A previsão é de que esse grupo ainda mais jovem - que hoje não passa dos cinco anos - supere a Z em participação no mercado de trabalho em 2020, trazendo no currículo 12 anos ou mais de estudo. O grupo nascido a partir de 2010 também deve ser o primeiro a experimentar um sistema educacional diferente. "O modelo vigente foi criado na época da Revolução Industrial para treinar trabalhadores para um mundo baseado na produção em série. A sala de aula é espelho da linha de produção do fim do Século XIX: existe um professor à frente, os alunos permanecem enfileirados, diante de uma aula pasteurizada, uniforme, com as mesmas abordagens e o mesmo material independente do aluno", ressalta Anna Penido, Diretora do Instituto Inspirare, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Efeito Google
Além desse modelo padronizado excluir grande parte dos estudantes, ele destoa de todo o restante do mundo, que é hoje regido pela customização, por ambientes mais flexíveis e trabalhos criativos e colaborativos. O sistema de ensino não prepara as crianças para essa nova realidade (que sequer é tão nova assim). Os alunos são tratados como repositórios de informações em vez de produtores de conhecimento. Em tempos de Google, a Geração Z já questiona a necessidade de guardar tantos dados, descontextualizados da realidade, para o caso de, um dia, precisarem usá-los. Para os Alphas, esse cenário será ainda mais esdrúxulo e ineficiente. 

Conectados, esses novos alunos que chegam às salas de aula já não pensam da forma linear como aqueles que passaram anteriormente pelas carteiras. Eles também atuarão em um mercado de trabalho inteiramente diferente do de seus pais, da Geração Y, em profissões que, possivelmente, sequer existem ainda. "O grande desafio hoje dos educadores, gestores públicos e da sociedade é se juntarem em prol da inovação no sistema de ensino, no setor que é um dos mais resistentes a mudanças. Mas está se tornando inexorável, porque as crianças simplesmente não estão aprendendo mais", diz Anna, do Instituto Inspirare.

Para ajudar a promover essas mudanças, a ONG acaba de lançar um guia online e gratuito que reuniu 96 experiências educacionais inovadoras ao redor do mundo. O levantamento resultou na plataforma InnoveEdu, que destaca iniciativas capazes de tornar o aprendizado mais significativo e conectado com as demandas do Século XXI. O mapeamento foi produzido em parceria com Edsurge (Estados Unidos), Innovation Unit (Reino Unido) e Wise (Catar), organizações com experiência em pesquisa e disseminação de inovações educacionais, que atuam em diferentes países e continentes. No Brasil, 15 iniciativas entraram para o guia. 

Nuricel Aguilera, Instituto Alpha Lumen, Geração AlphaFoco nas competências
O desafio assumido por essas instituições foi o de repensar um modelo que não engaja e não dialoga com as formas como os alunos aprendem hoje. "O mundo atual exige muito mais foco no desenvolvimento de competências pessoais e emocionais, de habilidades para articular o conhecimento e aplicá-lo, do que memorizá-lo. É preciso potencializar outras habilidades, como a convivência com a diversidade, a liderança, a comunicação, a criatividade e a resiliência, muito mais fortemente do que em outras gerações, porque são as demandas do mercado hoje. A partir daí, essa criança conseguirá aprender português, matemática e ciências muito mais facilmente", defende Anna.

O Instituto Alpha Lumen é uma das escolas brasileiras que aceitou o desafio de adotar métodos diferenciados de ensino para suprir as necessidades de alunos considerados com alto grau de aprendizagem. Por terem facilidade em absorver os conhecimentos, eles acabam desmotivados nas salas de aula tradicionais e muitos registram até baixo rendimento. Entre os muitos pontos de diferenciação da metodologia assumida pela escola, está a flexibilização das séries. Embora tenham que estar matriculadas em uma específica, por conta de exigências do MEC, os estudantes são divididos nas disciplinas de acordo com sua maturidade e competência, em vez da idade.

O instituto também dá muito peso às atividades práticas, que conectem os conhecimentos com o dia a dia. Os alunos participam de oficinas e fóruns de debate, têm aulas em laboratórios e recebem conhecimentos de áreas como robótica, astronomia e empreendedorismo. "Fazer crianças passarem seis horas diárias olhando para um quadro verde é algo muito fordista, linear, artificial e desconectado do que as empresas precisam. O mercado precisa de profissionais questionadores e protagonistas, mas a escola tradicional valoriza o aluno quietinho. As instituições de ensino precisam abandonar o modelo do professor com a lousa. A lousa é de todos, a sala é de todos", analisa Nuricel Aguilera, Diretora do Instituto Alpha Lumen, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Regina Silva, Positivo, Geração AlphaHierarquia
Muitos alunos da instituição que não podem pagar as mensalidades têm seus custos financiados por empresários que enxergam ali uma fonte de formação de uma força de trabalho mais qualificada e preparada para o mundo contemporâneo. O mito de que as novas gerações não respeitam a hierarquia é derrubado pela experiência da escola. "Hoje, as relações são mais horizontais, mas isso não significa que os jovens não saibam lidar com a hierarquia. Eles a respeitam sim, desde que percebam valor no outro e não apenas uma autoridade imposta por rótulos. Nossa equipe pedagógica não é autoritária, os alunos assumem papéis de protagonismo nos processos. O professor é um gestor e todos atuam de forma colaborativa", explica Nuricel. 

Os alunos têm mais liberdade para decidir, dentro da grade que precisam cumprir, quando preferem aprender cada disciplina. Também têm poder de escolha nas aulas optativas. Há momentos em que a hierarquia do professor pode ser quebrada, por exemplo, quando as aulas envolvem algum recurso tecnológico. Especialmente com os Alphas, os primeiros a ter o digital como verdadeira segunda língua mãe, será natural que os estudantes saibam mais do que os docentes quando o assunto forem recursos mobile e da web. 

Diante de um ensino que tende a se tornar cada vez mais híbrido, mesclando online e off-line, os professores deverão deixar a condução dessa parte para os alunos e atuar como gestores do conhecimento que está sendo passado por meio da plataforma de inteligência artificial. "Sempre vamos falar essa língua com algum sotaque, enquanto as crianças da Geração Alpha já nascerem imersas no digital. A função do professor ganha muito mais um papel de mediador quando os recursos tecnológicos são levados para a sala de aula, mas ele não foi preparado para isso", diz Regina Silva, Diretora de Projetos Educacionais da Positivo, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Softwares de aprendizagem
A fabricante de equipamentos eletrônicos desenvolve também softwares para escola, soluções que eles chamam de ecossistemas adaptativos, nos quais as crianças aprendem de acordo com seu ritmo e seus interesses. O aluno deixa de ser apenas receptor para interagir durante o aprendizado. A Positivo já tem 14 tecnologias pré-qualificadas pelo MEC, disponíveis no guia disponibilizado online pelo ministério. Os recursos estão presentes em cerca de 14 mil escolas brasileiras, tanto da rede particular quanto pública.

Assim como o Marketing em geral tirou o produto do centro para colocar ali o consumidor, está na hora de as escolas tirarem o conteúdo dessa posição para pôr o aluno. "Orientamos os professores a não se intimidarem caso saibam menos em relação ao uso da tecnologia do que os alunos. É melhor que eles reconheçam isso e tenham claro que o seu diferencial é o conhecimento da disciplina e sua habilidade como mediador. Se isso não acontecer, o docente acabará deixando de usar os recursos digitais e, para a criança, essa saída é terrível", pontua Regina.

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