Os profissionais de Marketing na era do Metaverso Bruno Mello 6 de maio de 2022

Os profissionais de Marketing na era do Metaverso

         

Com novas tecnologias, cresce a demanda por novas estratégias e de ainda mais lifelong learning de profissionais de diversas áreas; nas vendas, isso se torna indispensável

Os profissionais de Marketing na era do Metaverso
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Segundo a rede CNBC, as vendas de imóveis virtuais no Metaverso chegaram a US$ 500 milhões em 2021 e podem dobrar este ano. Com a mudança de nome e de estratégia do Facebook, recém anunciada por Mark Zuckerberg, e a aceleração da evolução digital, cada vez mais profissionais e áreas têm se perguntado qual será o seu papel em um futuro que já chegou. E, com os vendedores, não poderia ser diferente.

Porém, enquanto cada vez mais marcas correm atrás de estratégias de Customer Experience e de personalização nas vendas para não ficar de fora do que vem por aí, o comportamento do consumidor não para de mudar. E essa é só mais uma das questões que devem ser trabalhadas pelos profissionais da área de vendas.

Nesse cenário, uma pesquisa da Universidade de Stanford levantou uma questão interessante: qual efeito a escolha de avatares virtuais online teria no comportamento de uma pessoa? O resultado traz mais um alerta aos vendedores: o usuário não apenas operaria seu avatar de uma forma consistente com sua aparência no digital, como também tais características mudariam seu comportamento no consumo. “Não se trata de achar que a Inteligência Artificial irá tomar o lugar dos vendedores, porque isso é impossível. E sim de transformar o mindset sobre a importância das vendas para o mundo, posicionando os vendedores como protagonistas do faturamento das empresas”, reforça Marcelo Scharra, especialista e CEO da Aceleração de Vendas.

Segundo Scharra, enquanto a revolução digital acelera, é preciso acelerar também o progresso para empresas e pessoas prosperarem. “Quando falamos de Customer Experience, focamos em um conjunto de estratégias para um pós-venda de sucesso. E os vendedores também demandam essa atenção, com atualização constante para que possam lidar com a nova realidade de forma assertiva, preparados para esse novo momento”, destaca.

Para isso, é preciso treinar os profissionais de vendas, com seus diferentes perfis, avaliando a realidade existente e reformulando o jeito de treinar o time – e de vender, também. “Apenas com a reestruturação das metas, com uma nova validação do processo de vendas, será possível vender mais e melhor, sejam as NTF’s, seja no Metaverso ou em qualquer outro ambiente digital que está por vir”, finaliza o especialista.

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Metaverso já chegou às entrevistas de emprego

Para Mauro Inagaki, fundador e CEO da b2finance, trabalhar será diferente. Um fato que comprova essa tendência de mudanças é que, em muitas organizações, os processos de recrutamento e entrevista no metaverso já são uma realidade. Para o bilionário e fundador da Microsoft, Bill Gates, em dois ou três anos, a maior parte das reuniões online acontecerá dentro do metaverso.

A Meta, que deu o pontapé inicial nessa história toda, já criou escritórios infinitos que, por meio de avatares, aproxima todas e todos que, mesmo distantes, podem estar no mesmo ambiente ouvindo e falando como se estivessem no escritório físico. As multinacionais Samsung e Hyundai, por exemplo, já realizaram feiras de emprego em um programa no metaverso chamado “Gather Town”, que, além de alcançar novos públicos, permitiu que pessoas de diferentes lugares do mundo participassem do evento.

E esse cenário vai muito além disso. Marcas como Tik Tok, Amstel, Big Brother Brasil e muitas outras já criaram suas próprias experiências no metaverso, o que pode abrir espaço para novas profissões e novos formatos de trabalho no mundo digital. O CEO da JobConvo, startup de recrutamento e seleção por meio de inteligência artificial, Ronaldo Bahia, foi muito feliz ao dizer que “tecnologias semelhantes ao metaverso podem ajudar as empresas e pessoas a organizarem a maneira como trabalhamos, e a sociedade, de maneira mais produtiva.

O caminho das pedras

Embora o metaverso possa trazer grandes benefícios para a sociedade, muito se fala sobre os desafios que ainda estão por vir. Entre eles, posso citar um bastante relevante que é o contato de grandes empresas com o público que vai utilizar o metaverso. Atualmente, a média de idade dos CEOs no Brasil é de 58 anos. Já a geração que mais investe no metaverso tem a média de 24 anos. Ou seja, existe um longo caminho a percorrer nesse sentido. Há a necessidade clara de uma integração do mercado e isso depende das pessoas. São elas que vão abrir as portas para que essa vivência no mundo digital aconteça da melhor forma possível.

Para Jansen Moreira, CEO da Incetive.me, o metaverso é uma camada diferente da realidade que estamos vivendo e está nascendo agora. Esse é o momento para as pessoas aprenderem mais sobre ele e isso vai muito além dos ambientes imersivos. Estamos falando de tecnologia, de inovação, de criatividade, de acessibilidade, segurança, investimento, conhecimento e socialização. Uma frase da revista de tecnologia Wired definiu bem que “falar sobre o que significa ‘o metaverso’ é um pouco como ter uma discussão sobre o que significava ‘internet’ nos anos 1970”.

Para Mauro, são poucas certezas, mas muitas especulações e muitas apostas. “Ficar de olho no assunto, nesse momento, é a melhor opção. Afinal, até mesmo quem estuda o assunto está buscando conhecimento para compreender melhor como todo esse universo irá mexer com as nossas vidas. Foi assim com a internet, está sendo assim com o metaverso e, muito provavelmente, em alguns anos estaremos falando sobre o que vem por aí”.

Capacitação

Segundo a Bloomberg Intelligence, a estimativa é que o mercado do metaverso deva chegar a US$ 800 bilhões (R$ 4,5 trilhões) em 2024. Além dos questionamentos referentes aos benefícios e malefícios do metaverso, especialistas questionam qual o futuro do trabalho e qual impacto nas carreiras no mundo moderno.

Neiva Gonçalves, Presidente da Success People — empresa de assessoria em carreira corporativa, situada em São Paulo que atende o território nacional e internacional — comenta sobre as possibilidades do metaverso no mercado de trabalho: “Estamos diante de profissões que surgem conforme a tecnologia avança. Trata-se da criação de um novo mundo, que impactará as profissões, principalmente as que envolvam tecnologia”. Para Luciano Mello, board member da Success People, a chegada do metaverso e a aproximação do 5G transformará trabalhos e cargos: “Na prática teremos mudanças no convívio social com pessoas trabalhando, frequentando, interagindo e comercializando dentro do metaverso. O metaverso tem força para transformar a experiência do usuário e o sentimento das pessoas”.

Esta criação de um novo mundo exige dezenas de funções e, dessa forma, gera inúmeras oportunidades de trabalho, como: construir roteiros de engenharia, desenvolver novos códigos de programação, de ética e marketing, habilidades como visão computacional, computação gráfica e programação. É necessário pontuar que trata-se de um ambiente onde as realidades aumentada, virtual, mista e estendida (XR metaverso, a realidade onde todas as anteriores se encaixam) são fundamentais. Entre as profissões do futuro destacadas por cientistas pesquisadores surgem:

  • Pesquisador do metaverso — São profissionais para soluções de combinações de tecnologias, reconstrução de cenários, mapeamentos e geolocalização;
  • Desenvolvedor de ecossistemas — Encarregados de coordenar e garantir que as várias funcionalidades criadas sejam possíveis em grande escala;
  • Gerente de segurança do metaverso — Privacidade e proteção;
  • Construtor de hardware do metaverso — Função de programação voltada ao desenvolvimento de experiências híbridas que utilizam equipamentos específicos para experiências VR e AR;
  • Storyteller do metaverso — Roteiros para a nova linguagem e novas formas narrativas;
  • Especialistas em segurança cibernética do metaverso — Um novo universo sugere novas modalidades de fraudes e ataques cibernéticos;

“No futuro, trabalhar juntos será uma das principais maneiras de as pessoas usarem o metaverso. Você pode pensar nisso como uma Internet incorporada na qual você está dentro, em vez de apenas olhar. Acreditamos que este será o sucessor da internet móvel”, escreveu Zuckerberg em uma postagem nas redes sociais.

Especialistas da área sugerem que o metaverso oferecerá oportunidades interessantes para as pessoas. “o metaverso proporcionará uma experiência mais imersiva. Atualmente o trabalho remoto é uma realidade e as pessoas têm a necessidade de trabalharem juntas. O metaverso proporcionará conexões mais profundas, poderemos trabalhar com pessoas de qualquer lugar do mundo substituindo a tela por relações sinestésicas”, completa Neiva.

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