Os desafios geracionais na digitalização das empresas familiares Bruno Mello 5 de julho de 2024

Os desafios geracionais na digitalização das empresas familiares

         

Mariana Tahan Ralisch explica por que a governança, combinada com à inovação e inclusão de novas perspectivas, trazem mais perspectivas de sucesso à essas empresas

Os desafios geracionais na digitalização das empresas familiares
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A digitalização é uma tendência global que afetou todos os setores da economia. Quando olhamos para o mercado, de forma geral, os desafios para uma implementação digital de sucesso passam por etapas que, nem sempre, as empresas estão preparadas. Quando falamos em empresas familiares, mais especificamente, também há os desafios em adotar novas tecnologias, especialmente nos casos em que a empresa é dirigida por membros da família que já estão há mais tempo no negócio, já que pode acontecer outro desafio dessa vez, o geracional.

De acordo com pesquisa do IBGE, as empresas familiares são responsáveis por 65% do PIB gerado no Brasil, sendo que 77% delas possuem entre 50 e 499 funcionários. Esses dados mostram o quanto é importante olhar para essas companhias e oferecer soluções que as apoiem a ter mais tecnologia e automação para a estrutura das empresas que ainda não passaram pelo processo de digitalização por completo.

O mundo muda e é claro, as empresas precisam acompanhar as tendências. O jeito de se comunicar com os seus clientes atualmente já não é o mesmo do que 10 anos atrás – se bobear, não é o mesmo nem que no ano passado, tamanha a constante de mudanças que nos deparamos na era da inovação.

É um esforço contínuo estabelecer estruturas fortes de governança familiar, portanto, o primeiro passo para a digitalização é olhar para dentro de casa, conhecer a arquitetura de sistemas que a empresa se encontra. Por exemplo, no caso do varejo, há um sistema que é apto a integração de e-commerce, com boas tecnologias de integração e omnichannel? Tem estrutura para olhar mais de um estoque ao mesmo tempo?

O seu produto pode falar com um público muito específico, e o caminho mais certeiro podem ser os micro e nano influenciadores. Será que quem está por trás dessas empresas, há profissionais que entendem a importância de contar com esses “novos colaboradores”? São questões importantes para saber quais são as tecnologias que estão prontas para esse processo de digitalização e quais tecnologias são “de legado”, ou seja, que são aplicadas na empresa desde o início e que possam ser excluídas ou atualizadas.

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Um segundo passo é o poder de convencimento aos líderes de empresas familiares, mostrar como integrar a transformação digital aos valores mais antigos da companhia, tudo isso atrelado a metas e resultados. É um fato: o consumidor mudou e, consequentemente, a forma como ele consome também mudou. Não há uma linearidade na sua jornada de compra e a sua empresa precisa estar preparada para tudo.

Para quem quer comprar em casa e receber em casa; quem quer comprar em casa e retirar na loja; comprar na loja e receber em casa ou comprar e receber no mesmo dia. Enfim, são inúmeras variáveis. Existem mais fontes de buscas, de comparações, então, mais do que o preço, o seu negócio precisa ser atrativo e estar onde o seu cliente quer estar. Tudo isso necessita de uma previsibilidade de ações de curto e médio prazo.

Mas por que a previsibilidade? É aí que você consegue mostrar aos líderes que as mudanças que a tecnologia pode trazer ao negócio são extremamente benéficas, não só para alavancar os negócios, mas com que ele sobreviva. Com os resultados em mãos, é mais fácil ter um trabalho robusto e implementar mais tecnologias na empresa.

Segundo um estudo do Banco Mundial, apenas 30% das empresas familiares chegam à 3ª geração e apenas metade disso, ou seja, 15%, sobrevivem a ela. Por isso, que o terceiro passo é um planejamento sucessório adequado, que traz novos membros para dentro do conselho decisório da empresa e com autoridade institucional para ter também o poder de decisão. Ao atribuir e direcionar cada resolução aos fóruns adequados, conforme sua competência e natureza, é possível aprimorar a tomada de decisão, tornando-a mais criteriosa e estratégica, alinhada aos interesses de longo prazo da organização.

Portanto, superar os desafios geracionais na digitalização das empresas familiares não é uma tarefa simples, mas, é necessária para garantir a competitividade e a sustentabilidade dessas organizações no mercado atual.

Quando a governança é combinada com à inovação e inclusão de novas perspectivas, o desempenho e o futuro das empresas familiares são transformados e terão mais condições de se adaptar às demandas do mundo digital, ao mesmo tempo em que preservam seus valores e legado.

*Mariana Tahan Ralisch, Diretora de Marketing da Wake.


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